segunda-feira, 10 de abril de 2017

VENENO DE ARANHA ARMADEIRA PODE GERAR REMÉDIO PARA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Léo Rodrigues/Agência Brasil.

Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) identificou que o veneno da aranha armadeira pode ser manipulado em prol da saúde masculina e ajudar no tratamento de disfunção erétil. O estudo apontou que frente aos demais medicamentos no mercado, ele tem boas vantagens.  A biotecnologia desenvolvida já foi licenciada pela empresa Biozeus, que dará sequência ao projeto.

A pesquisa teve início há mais de 10 anos, quando as instituições isolaram a molécula responsável pelo priapismo – a toxina PnTx(2-6) – responsável pela ereção, foi separada do restante das substâncias do veneno, criando assim o medicamento para disfunção erétil .

Remédio

Atualmente o estudo é conduzido pela pesquisadora Carolina Nunes Silva, que tem como tese de seu doutorado a pesquisa. Segundo ela, o medicamento baseado no peptídeo PnPP 19, pode ser usado por pacientes com condições clínicas que impedem o uso do Viagra ou o Cialis. “O grande problema do Viagra é que ele não pode ser usado por pessoas que tem problemas cardiovasculares. E, pelo que vimos um medicamento a partir do peptídeo não teria esse problema. Nós fizemos testes isolados nos corações dos ratos e também em canais pra sódio expressos exclusivamente no miocárdio e não foi observada nenhuma ação”, diz a pesquisadora.

Patente

A UFMG detém a patente da biotecnologia que desenvolveu o peptídeo PnPP 19. Em dezembro de 2016, foi feita a transferência de tecnologia para a Biozeus, que passou a ter os direitos de exploração da molécula.

Alguns testes mais complexos e mais caros estão sendo realizados no exterior. Se as etapas ocorrerem dentro do esperado, o produto para tratar de disfunção erétil pode chegar ao mercado em 2023. Os ensaios pré-clínicos com animais levariam mais dois anos. Os testes clínicos com humanos demandariam aproximadamente quatro anos, parte deles desenvolvidos pela Biozeus e outra pela indústria que vier a se interessar pelo remédio.