III BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO AGRESTE

domingo, 30 de abril de 2017

Uso sustentável do bioma foi tema de debate do Dia Nacional da Caatinga

Um debate sobre o “Uso Sustentável da Caatinga no Contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” celebrou o Dia Nacional da Caatinga na última quinta-feira (27),  no auditório do Ibama em Recife. O evento foi organizado por meio de uma parceria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Ibama, da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado de Pernambuco (Semas) e do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco.

A programação foi aberta ao público, especialmente para engenheiros florestais e ambientais, biólogos, geógrafos e outros profissionais ligados à Caatinga, sem necessidade de inscrição prévia. Além do debate,  foi apresentado dados sobre o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Socioambiental do Estado de Pernambuco e a exibição de dois filmes em curta-metragem: “Árvore Sagrada”, que trata da produção de umbus na região do São Francisco Baiano, e “As Fulô da Caatinga”, sobre mulheres empreendedoras e seus econegócios. 

O Dia Nacional da Caatinga é celebrado anualmente, desde 2004, em 28 de abril a fim de evidenciar a importância e a necessidade de se preservar o bioma. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga ocupa cerca de 844.453 quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do território nacional, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e Minas Gerais. Na área de atuação da Codevasf, o bioma ocupa 21,2% de todo o Vale do Rio São Francisco e 28,4% dos Vales dos Rios Parnaíba, Itapecuru e Mearim.

“Na condição de promotora de ações de revitalização, a Codevasf busca constantemente liderar iniciativas junto a diferentes órgãos das esferas Federal, Estadual e Municipal para implantar e divulgar ações voltadas para o uso sustentável e à proteção da Caatinga. Isso inclui o planejamento e a execução de uma série de intervenções, como conservação de água e solo; fomento à criação e consolidação de Unidades de Conservação; e implantação e apoio aos Centro de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas – os Crads”, explica a presidente da Codevasf, Kênia Marcelino. 

Relevância social e ambiental

O engenheiro florestal e analista em Desenvolvimento Regional da Codevasf Valdemir Vieira destaca que a Caatinga é uma das seis grandes regiões ecológicas do Brasil e o único bioma inteiramente restrito ao território nacional. “Apesar de ser menor do que a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, a Caatinga tem relevância significativa, tanto na dimensão social quanto na ambiental. O bioma é muito rico em espécies de plantas, muitas das quais não se encontram em nenhum outro local. Estima-se que existam, pelo menos, 5.344 espécies vegetais nativas. Dessas, aproximadamente 744 são exclusivas da região”, afirma.

Segundo Vieira, atualmente, mais de 72 espécies de plantas com potencial econômico foram identificadas como prioritárias para estudos e pesquisas, das quais aproximadamente 20 são restritas à região. “É extremamente importante estudar o uso dessas espécies para que ele seja feito de forma ordenada e sustentável, sem prejudicar esse valioso patrimônio natural nem colocar em risco a fonte de renda de milhares de famílias que dependem da Caatinga para sobreviver”, esclarece o engenheiro florestal. 

“O que o povo nordestino já valorizava há tempos, agora está sendo reconhecido mundialmente: a riqueza da Caatinga. Os projetos de revitalização da Codevasf, para promover o desenvolvimento regional, estão em sintonia com o debate sobre o uso sustentável, promovido nesse Dia Nacional da Caatinga. Tratamos a preservação desse bioma como prioridade”, destaca o diretor da Área de Revitalização da Codevasf, Inaldo Guerra. 

Fonte: http://www.codevasf.gov.br