III BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO AGRESTE

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Memórias de Garanhuns-PE (80): Sargento Pedro Cavalcanti Malta

Sargento Pedro Cavalcanti Malta.
Por Cláudio Gonçalves de Lima

Um dos personagens marcantes da Hecatombe de Garanhuns foi o Sargento Pedro Cavalcanti Malta. Naquela manhã de 15 de janeiro de 1917, se encontrava na Fazenda Água Branca, propriedade de Alfredo Viana, Doca Viana, sobrinho do Coronel Júlio Brasileiro, pernoitara com a família do Tenente Theophanes Torres, a qual escoltaria para o Recife. Durante o percurso de Brejão para Garanhuns presenciou a vinda de vários homens armados para a cidade. Quando chegou em Garanhuns foi convidado pelo delegado Tenente Meira Lima para auxiliar a Guarda da cadeia, atendendo ao pedido seguiu com o Praça que lhe acompanhara Manoel João de Oliveira.

Quando a cadeia foi atacada por centenas de homens armados, foi um dos que resistiu heroicamente ao lado do Cabo Cobrinha e dos soldados Manoel João de Oliveira, Francisco Maciel Pinto, Ezequiel Cabral de Souza e Pedro Antônio Dias ao cerrado tiroteio. Quando não havia mais possibilidades de resistência, conseguiu escapar pelo milagre da Providência, deixando a cadeia em meio a nuvem de pólvora sem ser visto pela cabroeira. Ferido de raspão no braço foi levado para a residência do comerciante Nicolau Diletieri, depois de realizado os curativos por um facultativo que ali se encontrava, retornou a cadeia, enfrentando o jagunço Joaquim Pai d´Égua que no pátio da cadeia maltratava a viúvas e órfãos das vítimas.

Além do Sargento Malta, conseguiram escapar: o guarda sanitário Artur Pereira, o eletricista do Cinema Moderno Jesuíno Veras, o operador do mesmo cinema, Zuza, o ex-sargento Araújo, os presos comuns João Isidoro da Silva, Antônio Isidoro de Vasconcelos, Presciliano Josué, chefe da Estação em Glicério, este com um ferimento na mão, e o filho de Argemiro Miranda, Theotônio Miranda na época com 10 anos. Tibúrcio Isídio da Silva estava preso em um cela comum com outros dois presos e também conseguiram sobreviver. 

Os soldados Antônio Pedro Dias e Manoel João de Oliveira seriam levados para o Hospital Pedro II em Recife , mas não resistiram aos ferimentos.

Pelo ato de bravura o Sargento Pedro Cavalcanti Malta seria promovido a Alferes e se aposentaria como Capitão da Polícia Militar de Pernambuco. 

Fontes: Livro Recife Sangrento de Hélio Batista e Jornal Pequeno.