III BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO AGRESTE

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Memórias de Garanhuns-PE (79): Médico e Reverendo George William Butler

George William Butler.


George W. Butler, natural da Geórgia, estudou medicina em Baltimore e chegou ao Brasil em 1883, como médico missionário da Igreja Presbiteriana do sul dos Estados Unidos. Era casado com a Sra. Rena Humphrey Butler.

Após um estágio de dois anos em Recife, transferiram-se em maio de 1885 para São Luís do Maranhão. A primeira pessoa convertida e batizada pelo Dr. Butler foi uma senhora da alta sociedade local, D. Maria Bárbara Belfort Duarte, esposa de um parlamentar e tribuno do império. A igreja de São Luís foi organizada em junho de 1886 e em julho do ano seguinte foi inaugurado o seu templo. Obreiro consagrado e grande evangelista, o trabalho do Rev. Butler estendeu-se pelo interior do Maranhão e ao estado vizinho do Piauí.

Em 1893, o Rev. Butler foi transferido para Recife, substituindo-o em São Luís o Rev. Belmiro de Araújo César. No ano seguinte, o casal Butler foi residir em Garanhuns, onde a obra evangélica fora iniciada recentemente, debaixo de violenta perseguição. Em janeiro de 1895 foram batizados os primeiros conversos (quinze pessoas), entre os quais Jerônimo Gueiros. Eventualmente, muitos membros dessa importante família iriam filiar-se à igreja presbiteriana. As perseguições continuavam: a casa do Dr. Butler, onde se realizavam os cultos, era constantemente apedrejada. Sua esposa tinha de colocar os filhos debaixo de uma mesa para protegê-los das pedras arremessadas no telhado. O grande adversário dos evangélicos foi um frade salesiano, cujo secretário, Constâncio Homero Omegna, converteu-se e veio a ser grande pastor, educador e musicista na Igreja Presbiteriana.

Naquela época, houve uma epidemia de febre amarela em Garanhuns que ceifou a vida de mais de 800 pessoas. Butler desdobrou-se no atendimento aos enfermos. Quando cessou a epidemia, o missionário era estimado e respeitado por todos. Seu trabalho evangelístico produziu muitos frutos em toda a região. Garanhuns tornou-se um centro irradiador da fé evangélica. Butler construiu o templo local, uma escola paroquial (origem do Colégio Quinze de Novembro) e contribuiu para a criação de um curso teológico que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do Norte.

Em dezembro de 1896, o Dr. Butler defendeu tese na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia (Salvador) para poder clinicar no Brasil. Pouco depois, mudou-se para Canhotinho, a cerca de 25 km de Garanhuns, onde passaria o restante da sua vida. Em março de 1898, ao visitar a cidade de São Bento do Una, encontrou forte oposição clerical. No dia 5, quando ele e seus companheiros saíam da cidade, um homem tentou matá-lo, mas o punhal atingiu o Sr. Manoel Correia Vilela (conhecido como Né Vilela), que morreu imediatamente. Anos mais tarde, o Dr. Butler transferiu para o novo templo de Canhotinho os restos mortais daquele amigo que morrera para salvá-lo.

O trabalho missionário e médico de Butler continuou a expandir-se nos vinte anos seguintes. Sua fama de grande médico e cirurgião atraía pessoas de 500 km ao redor, a quem ele atendia mediante modesto pagamento ou gratuitamente, das 6 horas da manhã às 11 da noite. Quase todos os dias fazia cinco a dez operações, geralmente muito bem sucedidas. Era admirado como evangelista e pregador, e também como um homem de oração.

Além do grande templo de Canhotinho, construiu um colégio e um hospital. O Rev. George Butler faleceu em 27 de maio de 1919. No dia seguinte, ao ser sepultado, todo o comércio da cidade fechou as portas espontaneamente. Esse homem de Deus deixou solidamente implantada a fé evangélica no Agreste pernambucano e estabeleceu em Garanhuns o grande centro irradiador onde se formaram pastores para todo o norte e nordeste do Brasil.