III BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO AGRESTE

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Falta de detentos transforma prisões holandesas em albergues e hotéis de luxo



Desde 2009, pelo menos 32 casas de detenção holandesas foram fechadas graças à queda no número de crimes e condenações no país.

Depois de testemunhar o caos do sistema penitenciário no início de 2017, a combalida sociedade brasileira assiste atônita à barbárie que toma conta das ruas do Espírito Santo. Como num episódio de “The Walking Dead”, hordas de saqueadores, assaltantes e assassinos tomaram as ruas das maiores cidades do estado. Tudo devidamente registrado por smartphones e exposto em nossas timelines. Mais uma vez, temos de dormir com o barulho de tamanho absurdo e a falta de esperança no futuro da Nação.


Enquanto isso, os holandeses enfrentam um problema muito, mas muito, diferente. Uma das discussões em pauta no país europeu é a demissão de 1.900 funcionários públicos em 2016. Seus empregos foram extintos com o fechamento de cinco prisões no ano passado. Afinal, os empregados simplesmente não tinham quem vigiar.


Segundo o site "Dutch News", uma combinação de fatores está causando o declínio na população prisional holandesa. O primeiro deles é a redução do número de delitos. Em média, os crimes têm caído 1% ao ano no país ­– em especial, os mais graves. Por isso mesmo, as penas aplicadas pela Justiça têm sido mais brandas e levam a períodos mais curtos de encarceramento. Segundo as estimativas das autoridades, mais de 3 mil celas estarão obsoletas até 2021.

O fenômeno tem provocado efeitos colaterais interessantes. O primeiro deles foi a “exportação” de cerca de 1.000 detentos noruegueses para a Holanda, em 2015. Mas o melhor exemplo de como o fechamento de prisões pode ser virtuoso é a transformação dos velhos prédios. Hoje, é possível encontrar abrigos para a população sem-teto e até mesmo hotéis de luxo onde antes havia casas de detenção.

O caso que chama mais atenção é o do hotel Het Arresthuis (Casa de Julgamento). Localizado na cidade de Roermond, a cerca de 150 quilômetros de Amsterdã, ele ocupa um prédio que funcionou como cadeia entre 1863 e 2007. Um total de 105 celas foi transformado em 40 luxuosas suítes, e o velho pátio virou um restaurante de alta gastronomia.

Como o próprio nome do hotel já deixa claro, os donos do estabelecimento fizeram questão de explorar o espírito original do prédio e o passado “sombrio”, sendo uma das prisões do país. Por diárias que partem de R$ 620, os hóspedes podem escolher um dos quartos temáticos do local. Algumas das opções são as suítes do Carcereiro, do Juiz, do Advogado e do Diretor.