terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Memórias de Lajedo-PE (75): Médico, político e jogador de futebol Antonio Dourado Cavalcanti

Antônio Dourado Cavalcanti.
Foto: https://blogdogabrieldiniz.wordpress.com

Jânio Odon de Alencar

Você seria capaz de não aceitar uma convocação para jogar na Seleção Brasileira de Futebol, que se preparava para ir a segunda Copa do Mundo na Itália para realizar um sonho de seu pai em vê-lo formado em medicina? Pois bem, isso aconteceu com o pernambucano Antônio Dourado Cavalcanti.

Antônio Dourado era meio-campista foi campeão pernambucano de futebol em 1928, jogando pelo Sport Recife, depois jogou pelo Vitória, Galícia-BA e Flamengo-RJ. Jogou ao lado de Leônidas da Silva, que considerava um grande craque, mas considerava Waldemar de Brito, ex-atacante do São Paulo, Flamengo e Palmeiras e descobridor do rei Pelé, o melhor jogador de sua época.

Em 1934, foi campeão brasileiro de seleções jogando pela seleção baiana onde venceu a seleção paulista na final, torneio realizado pela Confederação Brasileira de Desportos, já que ouve um campeonato paralelo organizado pela Federação Brasileira de Futebol onde desta feita a seleção paulista venceu, coisas típicas do bagunçado futebol brasileiro

Depois da excelente performance da seleção baiana, Antônio Dourado foi convocado para a seleção brasileira que em breve iria disputar a segunda Copa do Mundo, na Itália. Ele disse não, alegando que iria se formar em medicina, pois era vontade de seu pai vê-lo médico. 



Antônio Dourado Cavalcanti nasceu em Nazaré da Mata em 30 de setembro de 1909, passando a viver em Lajedo em 1937, época em que a localidade ainda era distrito de Canhotinho. 

Na sua trajetória centenária, o veterano e cativante médico, político e jogador de futebol – conhecido pelas suas poucas e sábias palavras, gestos certeiros e por apreciar uma amizade boa e sincera – notabilizou-se pelo currículo eclético e respeitável.

Antônio Dourado estudou Medicina nas principais escolas do País, entre elas a do Recife, a do Rio de Janeiro e a da Bahia, tendo se formado em 1935.

Foi em Lajedo que começou a exercer a profissão de médico, atuando na área de obstetrícia e ginecologia, passando a ser conhecido em todo o Agreste.

No exercício da profissão, pelas mãos dele passaram mais de cinco mil crianças nascidas no município agrestino de Lajedo, situado a 196 quilômetros do Recife, onde ele residiu até a morte.

Eclético por natureza, encontrou no futebol outra grande paixão. Foi jogador profissional, atuando como volante pelo Sport Clube Recife, Vitória, Galícia (atual Bahia) e Flamengo.

Manifestava para os amigos o orgulho de ter sido o primeiro pernambucano a ser campeão brasileiro integrando a seleção da Bahia, em 1933, que venceu a de São Paulo em jogo disputado no estádio da Gávea, do Flamengo, no Rio de Janeiro. Jogando pelo Sport, em 1928 conquistou a taça do Campeonato Pernambucano, e em 1935 foi convocado para jogar pela Seleção Brasileira, contudo, por causa dos estudos não pôde disputar nenhuma partida.

Após a emancipação de Lajedo, foi eleito prefeito de 1953 até 1956. No cargo, entre suas ações destacaram-se a pavimentação de ruas e avenidas, a construção de praças, mais a edificação da sede da prefeitura, do cemitério Santo Inácio e das escolas municipais Padre Emílio e Deolinora Amaral, entre outras.

De 1959 até 1975, assumiu quatro mandatos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde integrou os partidos Social Democrático (PSD), a Frente Popular Democrática e a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Sua incursão direta na política encerrou-se em 1976, quando passou a orientar os filhos que se lançavam na carreira.

Antônio Dourado Cavalcanti  era Filho de José Dourado da Costa Azevedo e Sebastiana Cavalcanti Vanderley, era irmão de Maria José Dourado – casada com o deputado estadual Armando de Queiroz Monteiro -, e João Dourado. Em 1938, casou-se com Maria da Penha, da qual ficou viúvo em 1995, e que lhe deu os filhos Antônio José Dourado, médico; Marcantônio Dourado, biomédico e deputado estadual; Antônio João Dourado, engenheiro eletricista e prefeito de Lajedo; Antônio Dourado Cavalcanti Filho, economista; e Antônio Múcio Dourado Cavalcanti, advogado. 

Respeitado como uma das mais expressivas figuras da história política do Interior pernambucano, Antônio Dourado Cavalcanti faleceu, à 0h25 do dia 16 de abril de 2010, em sua casa. Ele foi vítima de falência múltipla dos órgãos, e havia completado 100 anos de idade em setembro do ano passado. 

O governador Eduardo Campos (PSB) esteve na tarde de ontem e acompanhou todo o cortejo do sepultamento de Antônio Dourado. “Perdemos um homem de bem, um amigo que ganhei há anos pelas mãos do meu avô”, Miguel Arraes. Lajedo sente a falta de Antônio Dourado e nós também”, disse o socialista, antes de deixar o cemitério por volta das 17h, acompanhado da deputada Federal Ana Arraes (PSB), do vice-governador João Lyra Neto (PDT) e do presidente do Lafepe, Luciano Vasquez.

O presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, e o empresário Armando Monteiro Filho também estiveram presentes no sepultamento.