sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Memórias de Brejão-PE (52): Capitão Américo Ferreira de Melo

Foto: Capitão Américo Ferreira de Melo.
Acervo de Ulisses Viana de Barros Neto.
Por Eliane Daniel 
Blog Brejão Fatos e Fotos

Em 1882 Brejão era uma pequena vila, Américo Ferreira de Melo era um homem novo, mas já morava nesta Vila. Em 1900 ele passou a ser delegado nomeado pelo Dr. Jardim.

Certo dia o capitão sonhou que próximo a um pé de pitomba que havia por trás da Vila, estava enterrada uma cruz. No outro dia encucado ele chamou sua gente e foi ao local, encontraram a terra rachada e acharam estranho, então curiosos começaram a cavar e encontraram a cruz.

Capitão Américo foi chamar o Bispo em Garanhuns e retiraram a cruz e a colocaram na igreja, o bispo a benzeu e denominou a Vila de Brejão de Santa Cruz. Todos os domingos ele mandava buscar o padre para celebrar a missa. Em 1906, no domingo quando terminou a missa, o padre foi almoçar na casa do capitão, ele havia deixado o cavalo amarrado por trás da igreja. Idalino, filho do capitão foi dá uma olhada no cavalo e para a sua surpresa, pois não havia cavalo algum, chegou espantando e disse: roubaram o cavalo. Américo ficou aperreado e chamou o Tenente Venâncio que era um grande rastreador e disse vá em busca do ladrão e o tenente disse só não garanto chegar apressado, então disse Américo: venha quando puder, mas venha com o ladrão. O tenente Venâncio viajou por dois dias e chegou com o ladrão. O Capitão perguntou ao ladrão porque você fez isto? me faltou com respeito!. Mas muito generoso perguntou se o ladrão estava com fome e mandou preparar uma janta reforçada, o pobre coitado foi comer e morreu engasgado com um osso. E foi este o começo da perseguição aos ladrões, pois era um justiceiro, e não suportava ladrões, mas a sua maneira de resolver as coisas não agradava a alguns fazendeiros e foi muito perseguido.

Muitas famílias foram chegando a vila como o marinheiro Albino Moreira da Costa, grande fazendeiro que criou a família Joaquim Moreira da Costa, Antônio moreira da costa, Francisco Moreira da Costa, depois veio o português Joaquim Simão dos Santos Figueira, pai de Francisco Simão dos Santos Figueira, Dr. Antônio Figueira, Dr. João figueira, Dr. Alves Figueira, Dr. Fernando Figueira e D. maria de Lurdes sua genitora, mãe de D. Alice Figueira. Na Fazenda Vista Alegre Albino Moreira, na Fazenda Cajazeira a dividir com a cabaceira de Dr. Gelo, a mãe do Dr. Godofredo de Barros, na Fazenda Brasileira o Coronel Júlio Brasileiro, ali segue à encontrar a fazenda do coronel José de Barros, seguindo pelo Riacho Seco chegamos até a Baixa da Lama onde encontramos os Herculanos, os Dias, os Augustos, os Mochileiros, todos eram parentes do Capitão Américo.

O capitão Antônio Lopes, o capitão João Capucena, capitão Isaque de Macedo, capitão Augusto Pinto, Augustinho de Goes e José Custódio das Neves, todos eles lutaram muito para acabar com o capitão Américo, mas não conseguiram.

Os métodos que ele usava como justiceiro amedrontaram até Lampião, que mandou avisar que o povo de Brejão arranjasse 20 contos de réis que ele estava vindo e o capitão disse que ele podia vir, que o estava esperando, sabendo o cangaceiro da fama de Brejão e dos muitos capangas do capitão passou para Bom Conselho, não quis encarar o capitão Américo.

Em 1887 pegou a patente de Capitão da guarda Nacional. Foi o fundador da cidade de Brejão. Faleceu em 12 de fevereiro de 1942 com 99 anos.

Relatos feitos por Manoel Ferreira de Melo nascido em 17/04/1896 (primo do capitão Américo).
Entrevista concedida ao meu saudoso e amigo Gerson Alves dos Santos em 1990.