Tuesday, November 8, 2016

CASA DE D. SÍLVIA GALVÃO TAMBÉM É DERRUBADA UM MÊS APÓS O "CASTELINHO": VIAGEM ICONOGRÁFICA AO PASSADO DE GARANHUNS

Na tarde do sábado 21 de dezembro de 1996, quando o dia ia acabando, foi dado início à vergonhosa ação de derrubar a casa de D. Sílvia Galvão. Poucos dias depois, no Natal, a paz, que se buscara nas árvores, nos ares e nas casas, era subitamente magoada, quando os olhos de qualquer garanhuense que ama a terra, deparavam com o lugar da casa e, no lugar, os torrões, as pedras, lembrando os tempos da pré-história. Antes, em novembro, a casa de Ruber van der Linden tinha sido derrubada e, em protesto, a imprensa do Estado divulgou o crime consumado.

Garanhuns ficara abalada, tão grande como foi o tombo do "Castelinho". Pois, quando ainda se chorava a perda histórica, a ignorância escancarou os seus dedos sujos e, com a forte mão do poder e do peso do ouro, agrediu pesadamente a casa e o sentimento dos que amam. Os que amam não fazem estas coisas! Está lá, no lugar da casa, a casa vazia das suas paredes e do seu telhado. Mas continua lá... Como D. Sílvia e o não menos inesquecível Dr. Celso Galvão, duas vezes prefeito de Garanhuns, a casa azul (nunca mais amarela como era), azul ou da cor do ar.

O ar tem cor, o horizonte, a poesia, o sentimento, a cultura... mas a ignorância, não! Esta só ostenta o que pode, o que pesa.
Fonte: Jornal "O Século de maio de 1997.

D. SÍLVIA MIRANDA GALVÃO




A Sra. Sílvia Miranda Galvão nasceu no município de Santos (SP), no dia 27 de novembro de 1909, filha de Creso de Almeida Miranda e de Elisa Gomes de Miranda. Seu pai foi gerente do Banco do Brasil, em Santos e do Banco Comércio e Industrial de São Paulo. 

Iniciou seus estudos no Colégio José Bonifácio na cidade de Santos,  Colégios Santa Cecília e Francês "Descliseaux" em São Paulo. Estudou música, dedicando-se ao piano  em São Paulo.

Em 1934, dois anos após o falecimento de seu genitor, sua família passou a residir no Rio de Janeiro, tendo seis anos depois, indo  fixar residência em Belo Horizonte, onde recebendo convite passou a administrar a sessão de modas da Loja "A Guanabara", uma das maiores casas comerciais da capital mineira.

No ano de 1945, precisamente em 19 de agosto, foi apresentada ao Dr. Celso Galvão, por ocasião de um almoço na residência de um amigo, o advogado Carlos Maurício da Rocha, iniciando-se daí em diante um relacionamento que terminou com o enlace matrimonial em 1946, casando no civil e sendo o ato religioso celebrado em Maceió pelo Arcebispo D. Ranulfo em  11 de abril do mesmo ano. No dia seguinte, 12 de abril, veio para se fixar em companhia do esposo em Garanhuns, não saindo jamais, mesmo depois do falecimento do esposo.

Em 1951, o Dr. Celso Galvão foi eleito Prefeito de Garanhuns e dona Sílvia Galvão, na condição de primeira dama do município foi nomeada pela esposa do Governador Agamenon Magalhães, Sra. Antonieta Magalhães para a LBA (Legião Brasileira de Assistência). No mesmo período o cargo de Tesoureira da Cantina Hermíria Tenório, filial da Companhia Pernambucana Pró Infância, que prestava assistência a mais de duzentas crianças, com o fornecimento de alimentação, roupas, ajuda financeira, além de comemorações festivas, notadamente no dia da criança e pelo natal, dando assistência médica e até, em determinadas ocasiões, sepultamento. A referida entidade funcionava em instalações das Mercedárias, tendo Dona Sylvia Galvão, que durante 15 anos prestou serviços à mencionada entidade.

Nos idos de 1951, Oneida Barros,  esposa do Sr. Cyro Costa à convidou para lecionar piano, tornando-se daí em diante, professora desse instrumento há longo tempo, tendo ensinado há duas gerações. Em 1984, completou 33 anos de trabalhos de aulas de piano. Foi organista da Catedral de Garanhuns, iniciando suas atividades na época em que o Mons. José de Anchieta Callou era o Vigário Geral da Diocese.  Participou também das missas   na Matriz do Heliópolis e no Mosteiro de São Bento. Ensinou piano também no Colégio XV de Novembro durante 21 anos. 

Durante 50 anos exerceu atividades de costureira, tendo na medida de suas possibilidades dado todo conforto as seu esposo, o Dr. Celso Galvão, nos seus últimos anos de vida. Pois, com a insignificante renda de 1.200,00 cruzeiros não se podia viver, sendo obrigada a trabalhar para ajudar na manutenção da casa.

Depois que o Dr. Celso Galvão morreu sua aposentadoria lhe rendia mensalmente 3.000,00 mil cruzeiros, porém a pensão que Dona Sílvia Galvão recebeu, foi a íntima quantia de 1.000,00 cruzeiros mensais. Como sempre trabalhou, continuou se mantendo sem precisar de auxílio de ninguém. Dona Sílvia Galvão faleceu em 1993.

Torne-se um Mestre na área do Marketing Digital!!!

Click na imagem!!!

No comments:

Post a Comment