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Monday, October 3, 2016

FRAGMENTOS DO PASSADO EM GARANHUNS

    Foto de Marlos Ferro: Associação Garanhunense de Atletismo (AGA), Biblioteca do IBGE.






Por  Valdemir Barbosa  - fevereiro de  2014

Há poucos meses foi instalada uma lanchonete nesta cidade, muito bem aceito, denominada de Subway, no local onde exatamente existiu a sede do  Clube Sport de Garanhuns, local privilegiado e admirado por todos, por se achar numa praça luminosa, arborizada, chamada Souto Filho.

O saudoso clube possuía campo de futebol mais importante da cidade, que era localizado onde se acha a atual Estação Rodoviária de Garanhuns. Houve disputas acirradas em fins de semana, com a participação de uma torcida fiel e numerosa, onde se apresentavam times das cidades da região e de outros  estados vizinhos.

Devo ressaltar que o quarteirão que ora está ocupado pelos prédios dos Correios, Igreja Congregação Cristã do Brasil, Centro Espírita Deus, Amor e Caridade, lanchonete, restaurantes, Secretaria de Saúde do Estado (V GERES), Pró Rural, pertenceu ao cemitério que ali existiu. Diz-se que foi o terceiro da cidade. Na época eu gostava de perambular com os amigos, curiosamente aproximávamos dos trabalhadores que se achavam limpando a área, abrindo covas e retirando os restos mortais daqueles que ali foram sepultados.

Ali existia plantação de mangueiras e milharal cultivados no local da extinta necrópole, que de forma  alguma minha mãe aceitava para consumo, quando alguém aparecia com ofertas dos produtos extraídos do campo santo. Com o passar dos tempos ali foi construída a sede do União Futebol Clube, sob a presidência do Sr. Duda Maleiro.

Ressalvo que os amigos de infância de maior aproximação, foram meus vizinhos, Luiz (Lula), Gildo, Gilberto (Betinho) e Adélia Mendes Gonçalves filhos de Luiz Mendes Gonçalves (Empresário) e D. Divanice Mendes Gonçalves, proprietários da Fábrica Cruzeiro, localizada na Rua Dr. Jardim, que  produziam o famoso café Cruzeiro, e produtos manufaturados  do milho, ou seja, fubá, cuscuz, mungunzá e xerém. O Sr. Luiz Mendes Gonçalves, era um dos poucos que possuía automóvel na cidade e residia na melhor casa da nossa rua.

Minha mãe com seu espírito de iniciativa, ao perceber animais sobre o telhado, durante parte de uma noite, aplicou  uma boa contra os macacos fugitivos do Parque Euclides Dourado, que passaram a provocar um verdadeiro tumulto sobre as casas da Rua Amaury de Medeiros, que causou grande barulho prejuízo para todos, durante o tempo que os malfeitores permaneceram sobre as casas, nos forçou a ficar sem luz. daí minha mãe com uso de um cabo de vassoura, fez prender ao mesmo, em uma das extremidades, um pedaço de ferro, que o colocou sobre a brasa do fogão à lenha, e após alguns minutos, visualizou a passagem daqueles perturbadores nas brechas do telhado, que já se achava com parte descoberto, desorganizado, com rapidez, lançou sobre os mesmos, um a um, a ponta avermelhada do metal, que produziu aquele espanto, barulho e a correria desesperada dos bichos, para nunca mais voltarem. 

No dia seguinte surgiram comentários de que os bichinhos se achavam engaiolados e muito tristes. O agente da ação nunca foi descoberto. Por iniciativa da administração do colégio evangélico 15 de novembro, parte do seu imenso terreno, tornou-se loteamento com o surgimento da Av. Agamenon Magalhães, que se prolonga até o Instituto Bíblico. Houve uma grande expansão naquela área com novas ruas, tornando-se um local muito bom para moradia. 

O ex-cinema Veneza, assim como a casa anexa ao mesmo, também fazia parte do grande desmembramento. A casa situada à Rua Dr. José Mariano, nº 428 (Park & Festas), vê-se no momento uma empresa de entretenimentos para crianças, ali ficava a sede da AGA (Associação Garanhuense de Atletismo). Convém relembrar que onde funciona atualmente, o Mercado 18 de agosto, localizava-se a Central de Geradores de Energia Elétrica, com uso de óleo diesel, e o fornecimento de eletricidade para os usuários, ocorria das 18:00 às 22:00 horas. Parte da noite era comum o uso de querosene em seus candeeiros, numa poluição ambiental, insuportável e prejudicial à saúde. Esta situação perdurou até que surgiu a energia da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), graças ao Governo Dutra.

Foi dito naquela época que Garanhuns foi a primeira cidade a receber luz elétrica da CHESF, graças à subestação instalada em Angelim. Na avenida principal da cidade, Av. Santo Antônio, existia o Café Central (e cervejaria), cuja frequência era numerosa pela sua popularidade. Em ocasião de festa natalina, as mesas e cadeiras ficavam ocupando a calçada da avenida. Na mesma via pública, existia o Café Glória, muito frequentado pela elite da cidade. Tratava-se de uma casa comercial rica e especiarias, frios, bebidas e outros produtos requintados, muito procurados. Ainda na mesma avenida existia o cinema Glória, hoje no local se vê a empresa Balangandã Magazine.

Na Praça Dr. Manoel Jardim esquina com a rua Maurício de Nassau, nº 32, pela arquitetura da época na frente e parte posterior, funcionava o  cinema chamado Trianon. A apresentação do filme "Paixão de Cristo", era mudo, acompanhado da música "Fascinação".

Onde se vê o atual Banco Bradesco, existia o tradicional Hotel Familiar, que na data que se registrou o trágico acontecimento da morte do Bispo de Garanhuns, D. Expedito Lopes, o referido estabelecimento comercial ainda funcionava e era frequentado por turistas e representantes comerciais.
Fonte: Jornal "Correio Sete Colinas.

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