sexta-feira, 14 de outubro de 2016

FIGURAS POPULARES DE GARANHUNS

O Xerife - Foto de Ricardo Notaro.


Por Pedro Jorge Silvestre Valença             

Dividindo em três etapas, iniciando pelos que se destacaram enganando os incautos: Não resta dúvida que Zeca de Neneu, foi o mais famoso: Com mais de um metro e oitenta de altura, vestido num terno branco, folgado de calça apertada, sapato bico fino de duas cores e camisa aberta no peito. Seus maiores golpes foram o de vender o Pau Pombo e se passando como engenheiro da  Chesf, recebeu dinheiro dos habitantes dos sítios localizados entre São João e Angelim, prometendo colocar luz de Paulo Afonso em suas casas.

Zezé Galego, era jogador de baralho e se vestia igual a Zeca de Neneu, fazia o que queria com as cartas e foi que primeiro enganou com o jogo das três cartas. Morou em São Pedro onde não atuava.

Turrica, era mais arruaceiro que malandro, conseguiu entrar no Exercito e para não ser expulso quebrou um fuzil, pois sabia que tinha de permanecer na ativa para pagar o prejuízo em pequenas parcelas mensais. Junto com Orlando Paulino tirou o tempo de soldado mais preso que em liberdade. Paulino inventou de ser repentista e num debate, deu uma tapa num cigano e levou uma facada que quase morre. Nessa ocasião eu ainda menino, estava entre os dois, arrecadando dinheiro ofertado pelos ouvintes. Nosso herói era filho de Dona Preta uma senhora que tinha um hotelzinho em São Pedro.

Paulinho desapareceu para retornar como o Preto Velho da Bahia, contando o passado, presente e futuro dos incautos. Era meu amigo e me contava suas aventuras.

Em Jupi, João Bufão, era especialista em bater carteira atuando em São Paulo, em Pernambuco não atuava e os comerciantes nos dias de feira davam um "cachê" para João não exercer sua profissão. Perdi o contato com ele e soube que ultimamente estava trabalhando e deixou de atuar na antiga profissão.

O outro seguimento era dos populares que se destacaram por suas atividades. Borborema era ajudante de caminhão e ficou famoso falando nos comícios com sua voz de tenor, elogiando o PSD de Elpidio Branco. Abafador era eletricista e pegava em fio descoberto sem sentir nada, daí o seu apelido. Jeitoso consertava guarda chuva e fazia pequenos trabalhos, falava pelos cotovelos e sempre tinha uma aventura a contar. O Mudo era carregador de frete da estação ferroviária, e gostava de jogar "bozó". Dizem que numa das paradas tentaram passar o Mudo para traz, e na ocasião ele juntou o dinheiro e exclamou: Meu... Já João do Ovo era carregador de frete em um carro de quatro rodas gigante. Ficava bravo se alguém imitasse o som do freio a ar.

No último seguimento estão os que o juízo passou ao largo da sua cabeça.

A presença desses personagens se prende a um dito popular que afirmava que os doidos eram colocados no trem e desciam para se fixar no fim da linha. Assim Garanhuns foi o maior celeiro dos desajuizados, aliados aos que bebiam para endoidecer.

A mais antiga era Dona Pola, que dizia ex-escrava tendo vindo da África, onde foi perseguida por uma onça com seu "vestido estampado". Todo dia almoçava no terraço dos meus avôs na Rua Nilo Peçanha.

Parece que veio de Pesqueira e se  instalou em Garanhuns, Catrevagem, vestido de terno espalhafatoso, conversava com todos mas não se atrapalhava. Quando era sugerido para praticar coisas erradas retrucava na bucha:

- "Respira" se Catrevagem é bicho para fazer isso!

Bode Cheiroso - Foto de Ricardo Notaro.

Bode cheiroso, andava sujo e gostava de tomar umas  lapadas, perambulando por toda cidade sem ofender ninguém.

Chico Baleia em São Pedro, passava a semana fazendo panelas e na feira de domingo, tomava um pileque e  quebrava todas as panelas que não foram vendidas e terminava dormindo na cadeia. Quando estava escrevendo esta crônica tomei conhecimento do falecimento de Eriberto, os relatos que se seguem são dedicados a sua memória. Eriberto criava umas vaquinhas,   e  sabia calcular o peso de um garrote melhor que os compradores experientes. Do dia para noite cismou de ser Veterinário, e passou a denunciar todos os técnicos de agricultura, denominado de "Traquino". Depois evoluiu para Policia Secreta, tendo recebido o nome de Xerife. Como secretário da Codeam viajei para Petrolina junto com o Comandante do 71 BI, já que o Batalhão seria a guarda de honra na chegada do Presidente Figueiredo. Coronel Clovis providenciou para evitar que Eriberto seguir com a tropa. O Xerife ficou no quartel e a  tropa seguiu sem sua presença. Só que Eriberto não pagava passagem em todas as empresas. E quando foi liberado do Quartel, se virou e seguiu para Petrolina. Para surpresa do Coronel, quando passávamos por Cabrobó, o Xerife nos ultrapassou em um ônibus e ficou acenando para o nosso veículo e chegou primeiro em Petrolina e nas solenidades para o General Figueiredo lá estava nosso herói dando continência ao  Presidente.

Nos nossos encontros Eriberto comenta: Seu Amílcar o seu pai, é um homem de bem e foi o melhor Prefeito de Garanhuns, mas você não dá primeiras e "tem pedra no casco". Todos vão sentir a ausência de Eriberto.
Fonte: Jornal "Correio Sete Colinas".

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