terça-feira, 11 de outubro de 2016

COMERCIANTES DA AVENIDA SANTO ANTONIO EM GARANHUNS NO INÍCIO DO SÉCULO XX

Rua Santo Antonio no início do século passado.
Por Alberto da Silva Rêgo

A rua Santo Antonio é a principal artéria comercial, sendo que, algumas casas , ali situadas, tinham uma finalidade dupla loja e residência. Nela encontrar não somente estabelecimentos comerciais e bancários, como igualmente, consultórios, cartórios, hotéis, templos religiosos, associações e, certos trechos destinados unicamente para residência particular. Temos a assinalar na referida rua, os seguintes comerciantes: - Adolfo Simões na “Maison Chic” com as suas “promoções” nas festas natalinas; Álvaro Silva emigrou para o sul maravilha e voltou correndo e dizendo que não havia outro lugar igual a Cidade Serrana, hoteleiro e que tinha por “hobby” soltar grandes balões na véspera de São João; Aprígio Tenório Valença, Eurico Monteiro e Manoel Paes na multiplicação de pães e bolachas; Antônio Augusto Pereira (português), amealhando os pacotes na Mercearia Portuguesa e o filho Fernando Castelão divertindo a turma com o seu Programa – “Variedades na P. R. A. 8 e, posteriormente na TV Rádio Jornal do Comércio, Canal 2, com sucesso, lançando o espetáculo “Você Faz o Show”, projetando, no cenário nacional, o mundo artístico pernambucano; Antônio, Arlindo e Joaquim (Quincas) de Lima Penante com suas camas e berços “Patente” pra neném dormir; Antônio Paulo Miranda, Bento Miranda Henriques, Idalina Cisneiros e Filhos, Odilon Campos, vendendo cromo alemão e sapatos de couro cru à matutada; Antônio Reinaux complementando os “fordecos” 

com sua peças legítimas, medindo e cortando tecidos de seda, algodão e casimiras, desde a primeira década do século, tem-se – Francino F. Caldas e familiares ( os portugueses invadindo a Cidade Serrana), Francisco Uchôa de Gusmão, (loja pequenina e sortida), Joaquim Alves Barreto Coelho ( O “chefão das Horas de Arte”, em sua residência), José Gregório da Silva Correia ( pai do indomável jornalista “Seu Mir”), Ulisses Peixoto Pinto (oriundo de Palmeirina), e, nos idos de “20” – Arcelino de Figueiredo Matos (na “A Atrativa”,            tecendo estórias,


Aurides Cardoso ( na “A Dietiker sem descuidar de apregoar o “Alan Kardec”), Horácio Ferreira, ( sempre atencioso com a freguesia), Horácio Vasconcelos ( gostava de uma boa prosa), José da Costa Leite ( estampando no “Brasil Chic” os últimos artigos da moda), José F. Costa ( a multinacional de tecidos em grosso), José Fitipaldi (Zequinha) e os sócios Colimério Gomes e Alberto Cruz (colocando “zabumba”) na porta da loja, nos dias de feira, para atrair a matutada e, de noite, faturando no Cine Glória), Luís Pereira Júnior ( na “ A Pepita” misturando tecidos com miudezas, malas e colchões), Lupicínio Gonçalves ( atento aos fregueses, mesmo àqueles que só iam  conversar), Minervino Apolinário de Araújo ( na “Veneza Americana”, sem perder o lazer de uma partida de gamão, aos domingos, na calçada de sua tenda de trabalho), Severiano Morais ( transmitindo o gem do “escambo” a todos o s filhos), Thomas Neves Suzarte (na “Casa Bela Aurora” com o melhor sortimento de fazendas), na década de “30” – Silva Campos, Fausto Souto Maior  e o genitor Bernardino Gonçalves S. Maior, ( Na “A Nortista”), metendo–se em política e encaminhando os filhos para o mundo da Justiça e das letras); Arnóbio Coimbra Pinto, no Bar Glória, ajudado pelo filho Augusto, suportando os “porres” dos amigos da “malvada”, concorrendo com José Gregório Correia da Silva Filho, depois Sandoval, no Café Central ; Bernardino Ferreira Guimarães, com o “Grande Armazém das 10 portas” desde a última década do século XIX; Domingos Diletiere e Irmãos , dando continuidade a “Mercearia e Loja Diletiere” da rua do Cajueiro nº 1, com estivas; Eduardo Prado da Silva, burilando as suas imagens sacras e fotografando a meninada, na primeira comunhão; Elias de Barros faturando na Agência Chevrolet; Elias Aelaquett cuidando das bijouterias; Francisco A. Pessoa, na década de “20” vendendo “cadillacs” a 20 contos, que pechincha...; Hermilo Costa, distribuindo prêmios da S. Capitalização; João Ferreira da Costa Júnior, dando continuidade a obra do “velho”, na área comercial de ferragens iniciada em 1884; José Gaspar da Silva, no comércio de Usga e açúcar, com o filho Edson, na gerência dos negócios; José Godoy, uma figura simpática, sem muitas letras, mas com muita gaita, solteirão – um gentleman, esnobando na alta sociedade deixando o contador Matias Lins cuidar dos lucros e perdas; J. J. Carvalho, no ramo de ferragens, louças, estivas na “Dispensa de Garanhuns” e, nas horas de lazer, o teatrólogo; José Soter, Manoel Salviano Filho, Orlando Wanderley e Samuel  Barbosa – não esquecer o comerciário Rubem Wanderley, com seus “couros” incensando a redondeza; Leandro amorim, com a sua sortida mercearia e cujo “hobby” era por o nome dos filhos com a inicial ”P”;  Leopoldino Cardoso,  traçando jóias e consertando relógios; Manoel Joaquim Torres, deixando o “xará” Joaquim Lins comandar a venda de bacalhaus que, no tempo das vacas gordas era comida de pobre; Manoel Vicente da Cruz Gouveia, amante da música, consagrado no primeiro escalão do Grêmio Polimático e Félix Rui Pereira (editor do Conde Job, livro de poesias de Artur Maia, almanaques e bibliófilos ) ambos no mundo dos papéis e livros. 

O imigrante português João Ferreira da Costa chegou ao Recife em 1876 vindo da cidade do Porto
em Portugal, acompanhado de dois irmãos mais velhos, Francisco e Júlia da Costa. Ele fundou a
Ferreira Costa no ano de 1884, em Garanhuns. No último mês de agosto a empresa completou 132
anos de sua fundação. (Fonte: Jornal O Século).

Tínhamos também Paulo Pontes, atarefado nas representações comerciais, mas, dispondo de tempo para “veserjar”; Salvador Dias Correia, vendendo além de imóveis e imagens, também sementes de flores e hortaliças; Secundino Machado ofertando pratarias aos noivos; Tomé Zaidan colocando cedo a “meninada” no balcão; Antônio Moraes (Alfaiataria Morais), Jorge Koury, José Luís Alves de Souza, M. C. Lins, perderam o concorrente Josafá Pereira (preferiu o tabelionato), no alinhavar casimiras, brins e caróa destinados aos jovens; Berlarmino de Paula Santos (como gostava de conversar) e Albino Gueiros Sales, cortando o cabelo dos garotões; Francisco Grossi (Chicó), depois a esposa Menininha, divertindo o povo, com Carlitos, “Os Três Mosqueteiros”,        Tom Mix, Buck Jones, e outros 



astros do cinema; Alberto Souto, com os tacos de marfim, fazendo a bola rolar no pano verde; Maurício Amorim, Gerente do Banco de Garanhuns e seus “expects” contadores, Tranquilino Viana e Dermeval Matos, na manipulação de juros e dividendos; Audifax Aguiar, Álvaro Peçanha Barreto e Luís Burgos Filho na equipe de fundação do BB, trazendo os MIl REIS para fortalecer a economia comercial e um grupo de bancários que foi crescendo e entre estes temos – Alcindo Wanderley, Artur Napoleão Goulard, Álvaro Maranhão, Aristides Barcelos, Edilberto Correia, José da Guia Cabral, Lourival Jatobá, Waldomiro Pernambucano e outros; Adhemar Pires Travassos, Antônio Pereira da Silva, Heribaldo acioli e José Vieira, fazendo a conta dos “lucros e perdas” na irmandade do “varejo e grosso”, sendo que, o primeiro, (diz Nivaldo Luna), era o cônsul do garanhuenses, na Capital Pernambucana, para resolver os problemas dos amigos da “boa terra”; na área profissional, tem-se: no FÓRUM, as figuras dos juízes – Joaquim Maurício Wanderley (1909/13), José P. de Abreu e Lima (1914/17), José Vieira Rabelo ( 1919), Ernesto Vieira dos Santos (1920/25), Jonatas Costa(13.06.25 a novembro de 1930), Severino Tavares Pragana (1931/32), Lauro Dornelas Câmara, cujo filho advogado Reinaldo Dornelas Câmara projetou-se na área governamental, Evandro Muniz Neto (1934/35), Edmundo Jordão de Vasconcelos ( 1936/41), Lito de Azevedo Silva Filho (1942-60), e os promotores públicos: Alfredo da Silva Melo, Lira e Cezar, Epitácio Cavalcanti Pessoa Sobrinho, Osvaldo Gadelha; Advogados – Anísio Arroxelas Carapeba, Erasmo Peixoto, Edmar Lopes, Enock Nogueira, Eurico Costa, João Domingos da Fonsêca, Manoel Agripino do Rêgo Barros, Morse Lira, Sátiro Ivo Júnior, Urbano Vitalino de Melo; Cirurgiões-dentistas – Flávio Lira, Ivo Rangel, Josefp Gorembein, Luís Andrade, José Alexandre Sobrinho, Mário Matos, Osório Souto, Paulo Magalhães, Pérola Grossi; Farmacêuticos – Carlos Guerra, Florismundo Lima, Jocelino Caldas, José Álvaro Lima, Péricles e Dorval Santos; Médicos – Edgar Taveiros, Geovani Lima, Godofredo de Barros (anteriormente farmacêutico), José A. Tavares Correira, Lessa de Andrade, Luís Guerra, Pedro de Góis, Otoniel F. Gueiros, Raul Camboin.


Tabeliões – Antônio Eutímio de Azevedo (1]), Mário Sarmento Pereira de Lira (2º), Josafá Pereira (3º), posteriormente Celso Galvão, Maximino F. da Silva e Mário Monteiro e os escrivães juramentados – Mário Falcão Campos, Thiago Veloso, Acácio Luna, além de Nair Pereira e Semiranes Bezerra; Associação Comercial e dos Cafeicultores; Hotel Central de Ivo Rangel e Familiar (Dorval Santos foi arrendatário); Templos religiosos – Catedral, construída no quadriênio 1856/59 e reformada em 1907, graças ao empenho total do Dr. Joaquim Maurício Wanderley, onde, às quintas-feiras, à tarde, d. Hermila Brasileiro ministrava o catecismo e sede das Associações – “São Vicente de Paula”, “Apostolado de Maria”, “Filhas de Maria”,: Templo Presbiteriano, no lado oposto à Catedral com a realização de “cultos” aos domingos, pela manhã e sede das seguintes associações; “Sociedade Esforço Cristão”, Presidente Manoel M. Lucas (1922), “Auxiliadora das Senhoras”, Presidente – Luiza Vilela (1922), “Esforço Cristão Juvenil”, Presidente Israel Gueiros ( 1922). Palácio Episcopal que abrigou D. Manoel Antônio de Paiva e, depois, D. Mário Miranda Vilas Boas, um dos maiores oradores sacros do Brasil. Grupo Escolar Severino Pinheiro (em 1930,  após a Revolução, passou a ser denominado Grupo Escolar Nilo Peçanha), derrubado na administração Celso Galvão para ser, neste local, construído o atual prédio da Prefeitura Municipal. E, ainda, nos dias de sábado, até há alguns anos passados, o lugar das feiras-livres.
Fonte: Livro "Os Aldeões de Garanhuns" de Alberto da Silva Rêgo.

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