quarta-feira, 8 de junho de 2016

OS SOUTO MAIOR

por Rinaldo Souto Maior

O escritor Alberto da Silva Rêgo "Aldeões de Garanhuns" no prelo, devendo vir à luz, pelo FIAM, neste fim de ano e/ou início de 1985, descendente em linha direta do bandeirante Domingos Jorge Velho, adverte-me: "No tomo IV da Cronologia Pernambucana, Nelson Barbalho fala de Gabriel de Brito Cação, "o verdadeiro descobridor de Garanhuns", página 47/48, e, na página seguinte de um dos descendentes: Martins de Sá Souto Maior. Há muita gente da sua parentela que deve ter andado pelo "Unhanhuns".

O célebre historiador Alfredo Leite Cavalcanti "História de Garanhuns", página 134, capítulo "Juizes Ordinários" comenta: "Durante o segundo período que terminou com a instalação da Vila de Santo Antônio de  Garanhuns, em 13 de dezembro de 1813, foram Juízes Ordinários os cidadãos Antônio da Silva Portugal, José de Moura Brechado, Veríssimo Caetano de Amorim,  Matias da Costa Soares, Antônio Bezerra de Vasconcelos, Domingos da Cunha Ferreira Souto Maior e Leandro Bezerra Cavalcanti".

Topos estes Souto Maior que em séculos passados fixaram-se em Garanhuns foram descendentes do Capitão-General João da Cunha Souto Maior, segundo relata Nelson Barbalho, capítulo 65, em sua Cronológia Pernambucana. "Como 11º Capitão-General governador nomeado por El-Rei, aos 13 de maio de  1685, toma posse do governo da Capitania de Pernambuco o fidalgo João da Cunha Souto Maior, português de Viana, comendador de S. Mamede de Trevisco na Ordem de  Cristo". Este ancestral foi contratante dos serviços de sertanista Domingos Jorge Velho, de São Paulo, para desbravar as terras que vieram a constituir-se povoado de Garanhuns. Um dos seus filhos formou uma fazenda de gado cuja sede localizava-se onde hoje está implantado o Obelisco da Boa Vista no morro que fica detrás da Igreja da Paróquia do mesmo nome.

Segundo o historiador Armando Souto Maior, pró-Reitor da Universidade Federal de Pernambuco, os Souto Maior constituem uma família milenar originada de  Península Ibérica - Espanha e Portugal - onde seus membros assinavam-se primeiramente como Sotto-Mayor, Sottomayor e Soutto Mayor.

No tomo III - História-Geográfica - do Dicionário Prático Ilustrado, editado por Lello e amp; Irmão, 144 Rua das Carmelitas, da cidade do Porto, Portugal página 1893, encontrei o seguinte verbete: "Souto Maior (Caetano José da Silva), o Camões do Rossio, poeta português, nascido em Olivença, que foi amigo de Dom João V, e ao mesmo tempo homem de probidade e finura. o Rei  apreciava-lhe os ditos, os conselhos, e a honradez do corregedor do bairro do Rossio. Nasceu no ano de 1694 e morreu moço aos 43 anos de idade, em 1737".

Sessenta anos depois "in" Alfredo Leite Cavalcanti em História de Garanhuns, página 80/81 "em 22 de junho de 1797, o capitão Francisco Rodrigues de Melo desmembrou do território de sua fazenda as terras que já constituiam o Sítio Novo e as vendeu ao Capitão Domingos da Cunha Fereira Souto Maior", que em 13 de dezembro de 1813 foi designado Juiz Ordinário da Vila de Santo Antônio de Garanhuns.

Revendo estas notas históricas da família pergunto-me como garanhuense assumido e de coração, qual a relação existente entre os descendentes dos Souto Maior, de Garanhuns, e os do clã do Coronel Antônio da Silva Souto, pois naquelas distantes épocas, os registros cartoriais não eram precisos e, segundo testemunho de  importantes historiadores, muitas vezes abolia-se parte do  sobrenome da pessoa civilmente registrado. O escritor Souto Dourado e o Jornalista Ulisses Pinto, descendentes diretos do Coronel Antônio da Silva Souto, poderiam esclarecer-me algo a respeito?

Pelo preâmbulo desta crônica fica patente o interesse que tenho, a importância que dou ao culto familiar, entendendo mesmo que a memória de um povo é fator prepoderante para o desenvolvimento da sociedade em que vive!
Fonte: Jornal "O Monitor" de 06 de outubro de 1984 -  Ano 53 Nº 40

Nenhum comentário:

Postar um comentário