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Saturday, April 2, 2016

WALDEMAR DE OLIVEIRA E GARANHUNS

Waldemar de Oliveira - Foto: Portal O Nordeste


Por Luiz Souto Dourado - In Memoriam

Procurei-o várias vezes. Quando da apresentação de um projeto de lei instituindo prêmios literários e artísticos, fui a sua casa a fim de colher subsídios. Além de aplaudir o nome de Samuel Campelo para o prêmio de Teatro, dizendo que nenhum outro autor pernambucano produzira tanto no gênero, Waldemar de Oliveira lembrou o nome de Euclides Fonseca para o prêmio de Música. Citou a maior parte das suas composições, ressaltando o admirável apostolado desse mestre, que  nem Carlos Gomes conseguiu tirar de Pernambuco. Sugeriu também o nome de Nestor Silva para o prêmio de Pintura, recordando o êxito de uma exposição desse artista no Rio de Janeiro, principalmente dos quadros que representavam as nossas tradições, como maracatu, bumba-meu-boi e o frevo. Era assim Waldemar de Oliveira. Amava as coisas de Pernambuco e conhecia como ninguém em cada setor, quem melhor podia representá-las. O projeto foi convertido em lei, mas a lei não foi cumprida até hoje.

Uma outra vez, tornei a procurá-lo. Fui convidar o Teatro de Amadores para inaugurar o Centro Cultural de Garanhuns. Companhias do Sul apareceriam depois, como apareceram várias, mas para inaugurar gostaria de levar o seu pessoal, o seu teatro resultante da sua vocação e sobretudo o seu amor à terra. Por coincidência, ao mesmo tempo que  construí o Centro Cultural, construa-se no Recife o Nosso Teatro. Nossos encontros ficaram mais frequentes. A dificuldade de fazer teatro era a mesma em todo lugar. Vi Waldemar assumir pessoalmente enormes responsabilidades, como se fosse não o idealista que era e sim o empresário que nunca quis saber.

Finalmente, o Centro Cultural de Garanhuns era inaugurado com o Teatro de Amadores e estou a ver Waldemar abrindo a cortina para falar à plateia. Homem de palavra fácil e elegante, lembrou Garanhuns de tempos passados, com o seu Grêmio Polimático, citando nominalmente Tranquilino Viana e Manoel Gouveia, seus companheiros, pois em Garanhuns ele também fazia teatro e amigos, incentivando a cultura local. Poucos dias depois estava Waldemar de Oliveira o seu Nosso Teatro. Vim trazer-lhe o meu abraço de congratulações e reconhecimento. Foram as duas últimas vezes que o vi. Ambas na ribalta. Ambas fazendo teatro. Ambas fazendo o que gostava de fazer.

Uma noite, telefonou-me. Queria saber de mim se o Centro Cultural, que inaugurara, iria fechar, como chegara ao seu conhecimento. Desmenti a notícia. Mesmo assim denunciara o fato ao Conselho Estadual de Educação, pedindo providências. Era assim Waldemar de Oliveira; fazia teatro, construía teatro, mas sobretudo lutava pela sobrevivência do teatro. Por tudo quanto fez na vida, na cátedra e no jornalismo, é que devemos agora conservar como ele deixou, vivos, atuantes, cumprindo a sua missão; o Centro Cultural de Garanhuns e o  Nosso Teatro. É a melhor homenagem que podemos fazer à sua memória. 
Fonte: Jornal do Commercio de 18/08/1977.

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