The 3 Week Diet

Sunday, April 17, 2016

TIPOS POPULARES DE GARANHUNS - BACHARÉ E O PINTO

Foto: Catedral de Santo Antonio e Colégio Santa Sofia.
Créditos da Foto: Fátima Correia do Grupo Fatos e Fotos
Antigas de Garanhunenses no Facebook. 











Por Dumuriê Vasconcelos

Entro na oficina de um relojoeiro e encontro o Dr. Antônio Gueiros Filho, dentista no Recife o irmão do médico Otoniel. Ambos são filhos do falecido pastor evangélico Antônio Gueiros -  homem de bem, chefe exemplar de família numerosa, honra e glória da  Igreja Presbiteriana de Garanhuns. Todos os filhos do Reverendo Gueiros seguem, na vida, o caminho de dignidade traçado pelo pai.

Honra-me o dentista Gueiros com sua amizade, e, toda vez que me vê, pede-me notícias de Garanhuns. Vou dizendo o que sei. Novas mudas-de-cafeeiro estão sendo plantadas no Município. Temos esperança de ser, novamente, produtores de café. Começamos uma cultura experimental de maças e morangos, com resultados positivos. A Prefeitura recuperou o Parque do Pau-Pombo. O Tribunal de Contas da União aprovou as contas do Prefeito Ivo Tinô do Amaral. O Congresso Nacional aprovou a prorrogação dos mandatos de vereador e prefeito. Assim, o Prefeito de Garanhuns vai passar mais dois anos à frente do Município, para alegria dos garanhuenses.

Interrompe-me o Dr. Gueiros para saber de minha saúde. Digo que ainda preciso de uma cirurgia no punho direito, mas já estou escrevendo. Tanto assim que acabou de publicar no "O Monitor", único jornal de nossa terra, uma crônica sobre o magano. Indaga-me, o dentista Gueiros, se José Francisco ainda escreve. Informo que o  veterano jornalista escreveu sobre Bacharé, tipo popular de nossas ruas, na  edição de 13 de setembro último do jornal "O Monitor". O Dr. Gueiros solta estrídula gargalhada. Espanto-me com isto, e ele explica: "Conheci Bacharé. Tipo engraçado; tinha a mania de ser militar. Usava quépi velho e farda desbotada. Gostava de fazer continência". Olha para mim e pergunta: "Lembra-se de nossa casa da Rua da Areia?" Afirmo que lá estive várias vezes. Casa grande, situada num terreno enorme com muitas árvores. Havia um campo onde eu jogava tênis com seu irmão Abenézer, morto tragicamente num desastre de avião. Percebí com esta recordação, uma sombra de tristeza passar pelo semblante do Dr. Gueiros.

Mas ele confirmou. "Pois Bacharé nos visitava, frequentemente, e conosco almoçava. Diziam que ele era dado a bebidas alcoólicas, mas nunca apareceu bêbado em nossa casa. Respeitava meu pai, que era homem austero. Tínhamos criação de galinhas. Um dia Bacharé chegou tarde para o almoço. Mesmo assim, minha mãe lhe preparou um prato-de-comida. Botou feijão, arroz, farinha, macarrão e uns pedaços de carne. E ainda lhe trouxe um copo de refresco. Não sei Bacharé era trapalhão mesmo, ou se a faca que usava não estava afiada. O certo é que, quando Bacharé tentou cortar um bife, um pedaço de carne caiu no chão. Neste exato momento, apareceu um pinto taludo, pegou a carne com bico e fugiu para o quintal. Bacharé não hesitou. Abandonou a mesa e correu atrás do pinto, com a velocidade de um gato e não tardou a pegar o galináceo.

Apertou tanto o pescoço da ave que minha mãe ficou apavorada.

Finalmente, o pinto abriu o bico e derrubou a carne no chão. Bacharé largou a presa, apanhou a carne e a  engoliu com terra e tudo, e depois de  te machucado mas não morreu"

Cala-se o dentista e começa a rir. Falo com meu relojoeiro e depois me despeço. Já na porta do elevador olho para trás. O Dr. Gueiros continua rindo. Rindo muito...
Fonte: Jornal "O Monitor" de 25 de outubro de 1980.

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