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Friday, April 22, 2016

OS TEMPOS DE DOMINGUINHOS EM GARANHUNS



Do Blog do Roberto Almeida

A morte de Dominguinhos foi notícia nos principais veículos de comunicação do país. Muito se falou de sua vida de músico, cantor e compositor. Não poderia ser diferente, pois que o sanfoneiro era um grande artista, com o talento reconhecido pelo público e pelos colegas de profissão, como Luiz Gonzaga,  Flávio José, Santanna, Maciel Melo, Jorge de Altinho, Elba Ramalho, Fagner,  Gilberto Gil e tantos outros que gravaram músicas suas, ou cantaram com ele, ou simplesmente gravaram alguma de suas composições.

A mídia mostrou quase tudo sobre Dominguinhos. Faltou, no entanto, dizer alguma coisa sobre a vida do artista em Garanhuns, na sua infância e juventude.

Tentamos algumas informações aqui mesmo na cidade, pois nas biografias publicadas nos jornais e sites da internet não encontramos nem mesmo o nome da mãe do músico. Citam apenas o pai, Chicão, também ele sanfoneiro.

VIZINHOS - Dona Eliete Martins, 72, mora numa casa simples da Rua Djalma Dutra, no bairro de Heliópolis. Ela, seu esposo Pedro e toda sua família conviveram de perto com Dominguinhos, seus pais e irmãos que eram muitos. “Acho que eram 9 ou 10”, recorda a velha senhora, sem saber exatamente quantos, porque faz muito tempo. “Eu sou casada há mais de 50 anos e quando a família foi embora eu ainda era solteira, quase uma menina”, recorda, ela que nasceu apenas alguns meses antes de Dominguinhos.

         

Ela lembra que na época, na Rua Frei Caneca, onde hoje existe o Hospital Monte Sinai, havia um conjunto de casas de taipas, residências muito comuns no interior nordestino, construídas com barro e varas. Seu Chicão a mulher e os filhos moravam de aluguel numa dessa casinhas. “O proprietário era Zé Catão, ele recebia o aluguel por semana”, lembra Eliete.

A senhora do bairro de Heliópolis não precisa quanto tempo a família Moraes morou no local, mas acredita que foi um período maior do que cinco anos.”Quando chegaram os filhos eram pequenos e quando partiram, para o Rio de Janeiro, Dominguinhos mesmo já era um rapazinho”, informa.

O pai de Dona Eliete, José Martins, conhecido como Zé Gago, tinha a casa e uma bodega no número 120 da Djalma Dutra. Mesmo na esquina com a Frei Caneca. Hoje no local, funciona um estabelecimento comercial, tipo uma lanchonete. Ela lembra bem que muitas vezes o menino Domingos vinha a pedido dos pais comprar sardinha, aquela popular, que é vendida em latões, e que tem um cheiro muito forte quando está fritando. “Ele pedia a meu pai para escolher, queria levar uma bem gorda”, revela com um sorriso, pois em sua opinião esses peixes são todos iguais.


FESTAS - A vizinha dos Moraes disse que a família ganhava o pão tocando em festas. Os mais requisitados eram o pai e Dominguinhos. “Eles eram convidados para animar muitas festas. Batizado, casamento, aniversário. Tocavam também na feira, que era no comércio. Na porta do Hotel (Tavares Correia) e nas cidades vizinhas”, complementou a moradora de Heliópolis.

Ela lembra, ainda, que um senhor chamado Valdemar, que morava na Avenida Rui Barbosa, vivia inventando festas só para chamar Dominguinhos. Pelo que deu a entender era uma maneira de ajudar.

O ARRAIAL - Neste tempo lembrado por Dona Eliete, essa parte de Heliópolis era bem diferente. Nas imediações da Frei Caneca e Djalma Dutra, hoje totalmente habitadas,  tinha muito matagal.  Não existiam os hospitais nem as clínicas atuais, as casas eram simples e até a Igreja do Perpétuo Socorro era diferente da que os garanhuenses conhecem, de formas arredondadas. “Era uma igrejinha pequena, depois é que fizeram essa”, esclareceu. Aliás, 50 ou 60 anos atrás toda a área citada era conhecida como o “Arraial”.

Ela garante que os Moraes eram boa gente, queridos por todos. De Dominguinhos mesmo não sabe uma única história de arruaça ou má conduta. “Quando a família resolveu ir embora, atrás de um futuro melhor, nós ficamos tristes, houve choro”, relembra.

        

Segundo Dona Eliete Martins, parte das comidas preparadas na viagem foram feitas na casa do seu pai. “Eles prepararam o bode aqui”, salientou.

Viajaram de pau de arara. “Nesse tempo tinham muitos caminhões que faziam o percurso até o Rio ou São Paulo e a viagem durava até 14 dias”, informou.

Essas são as principais recordações da vizinha e amiga dos Moraes. Tem fatos que ela esqueceu. Lembra bem de Seu Chicão e os filhos, o jeito da mãe dos meninos, mas não teve jeito de recordar o nome dela. “Era católica, ia a igreja com o marido, levava os filhos”, ressaltou, acrescentando um comentário curioso: “Gente pobre sempre é católica”.

Embora admita que Dominguinhos tenha vivido uns tempos em Recife, onde também se apresentava como músico, ela assegura que o sanfoneiro e toda família saíram de Garanhuns diretamente para o Rio de Janeiro.

“Eles deram sorte lá assim que chegaram. Chicão foi comprar uma cama e na loja recebeu um cupon. Foi sorteado e ganhou um carro. Vendeu e adquiriu sua primeira casa em Nilópolis, cidade em que foram morar”, revelou,  satisfeita, a moradora da Djalma Dutra.

Dona Eliete disse ainda que Dominguinhos quando vinha a Garanhuns, e se hospedava no Hotel Tavares Correia, procurava rever pessoas dos tempos em que morou na cidade. “Eu mesmo nunca fui não, mas tenho uma prima que ia ao hotel conversar com ele. Simples, ele nunca mudou”, finalizou a colega de infância e adolescência de José Domingos de Moraes.

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