domingo, 20 de março de 2016

ESCRITURA DE DOAÇÃO DE TERRAS DE SIMÔA GOMES DE AZEVEDO À CONFRARIA DAS ALMAS DA MATRIZ DE GARANHUNS

Busto de Simôa Gomes de Azevedo.  Avenida Simôa Gomes no Bairro de Heliópolis em Garanhuns. No próximo dia 15 de maio completará 260 anos da doações das terras.
Foto: www.panoramio.com

Saibam quantos este publico instrumento de escriptura de doação e ratificação d'ella virem, que sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos e cincoenta e seis annos, aos quinze dias de mez de Maio do dito anno neste Sitio da Cruz, termo do sertão do Ararobá donde eu Tabelião ao diante nomeado fui vindo, sendo ahi em caza de moradia de Simôa Gomes de Azevedo, viuva do Coronel Manoel Ferreira de Azevedo, apparecêo esta perante mim, pessoa que reconheço pela propria de que se trata e dou fé, e por ella foi dito em minha presença e das testemunhas ao diante nomeadas e assignadas que ella era senhora e possuidora d'um Sitio de terras chamado o Gracia (sic) nos campos dos Garanhuns, o qual houvera por compra o defunto seu marido o dito Manoel Ferreira de Azevedo, e lhe tocara este de meiação no inventario e partilha que se  tinham feito com seus filhos por morte do dito marido, de que estava de mansa e pacífica posse, no qual Sitio fazia doação à  Confraria das Almas da Matriz dos Garanhuns, d'um pedaço de terras que medirá em quadra fazendo pião na Igreja Matriz, correndo para a parte d'onde está a cruz das almas até a baixa d'onde fica a dita cruz, e o mesmo comprimento que se achar se dará para os mais lados para fazer a dita quadra, cujo pedaço de terra assim em quadra, disse ella Simôa Gomes de Azevedo, doava à Confraria das Almas da dita Matriz d'este sertão do Ararobá, e n'ella cedia e transpassava toda a posse e domínio que na dita terra tinha e podia ter d'aqui em diante para que dos rendimentos e fructos que d'ella haja e possa haver, se mandar dizer missas pelas almas do purgatorio, cuja esmola lhes faz pelo amor de Deus, muito de sua livre vontade e sem constrangimento de  pessoal alguma, e que os ditos rendimentos das terras terão os procuradores da Confraria das ditas  almas a obrigação de arrecadarem e dispenderem nos ditos suffragios, dando de tudo conta em presença do Reverendo Parocho d'esta Matriz para que  assim se possam utilizar as bemditas almas do dito pedaço de terraço doado como seu que é e fica sendo por virtude d'esta escriptura de doação e ratificação d'ella pela já ter feito por um papel simples, o qual deroga e só quer que esta valha e lhe dê todo o cumprimento como obra pia, contra o que promete e se obriga não ir em tempo algum em juizo nem fora d'elle, e fazendo-o não quer ser ouvida por modo algum, porque se desafora de toda a restituição que  a seu favor faça, porque de nada quer usar -e logo pelo Alferes Belchior Rodrigues d'Abreo como procurador da dita Confraria das Almas como substabelecido foi dito que elle a aceitava esta escriptura de doação com os encargos n'ella declarados, e que como procurador se obrigava a cumprir e guardal-a como n'ella se contem; e de como assim o disseram e outorgaram, pediram e aceitaram, eu Tabelião a acceito en nome de quem toca auzente e pediram fosse feito o prezente instrumento n'esta nota em que assignaram, e pela doadora não saber ler nem escrever, assignam a seu rogo José de Barros de Abreo, presentes por testemunhas que também assignaram, João da Rocha Sá, José Gonçalves, Francisco Antunes, e eu Manoel José Pereira, Tabelião o escrevi.

A rogo de Simôa Gomes de Azevedo.

a) José de Barros de Abreo.
a) Belchior Rodrigues d'Abreo.
Fonte: Livro "Terra dos Garanhuns" do Professor João de Deus Oliveira Dias - Janeiro de 1954. Foi mantida a grafia da época.

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