terça-feira, 29 de março de 2016

A PELEJA DE PAJEÚ COM EXPEDITO PEREIRA

Xilogravura de J. Borges.












Gonzaga de Garanhuns

O poeta quando nasce
Traz o destino traçado
O mesmo já vem do alto
Pelo criador mandado
O seu dom que vem do céu
Traz seu grau conceituado

Pajeú foi um exemplo
De grande admiração
Tudo ele foi na vida
Variando a profissão
Agricultor, ambulante
Poeta de grande ação

Foi outro grante poeta
Repentista de primeira
Do solo alagoano
Da cidade de Palmeira
Amigo de Pajeú
Foi Expedito Pereira

Uma turma de amigos
Se juntaram um certo dia
Organizaram uma festa
De viola, ou cantoria
A festa se deu início
Repleta de alegria

Essa festa aconteceu
Lá no Centro Cultural
Na época que o prefeito
Era seu Ivo Amaral
A festa foi receptiva
Grandiosa e fulgural

Foram esses convidados
Os amantes da poesia
Prá essa garbosa festa
Repleta de alegria
Prá verem a dupla cantar
Nessa festa tão sadia

Cirilo bancou a festa
Com a Pinga Nordestina
O Dr. Pedro de Assis
Também nosso amigo China
Seu Zé Soares também
Com seu João Castolina

Também Didi do Cartório
E o Dr. Márcio Quirino
Zé Coelho e Zé Pereira
Caneca e Sivirino
Manoel de Pia e Miltão
Também Osmário Paulino

Foi o sargento Ferraz
Claudio Neto um amigão
Adircio e Adeilton
Que um do outro é irmão
Outros grandes repentistas
Amantes da profissão

Além de outros amigos
Junior da banca A Sorte
Foi com seu primo Iran
Moço de talento forte
Foram prá verem de perto
Os violeiros de porte

Além dos mais não citados
Dos sítios dessa ribeira
Foram verem a cantoria
Nessa festa de primeira
Do poeta Pajeú
Com Expedito Pereira

Sabemos que pajeú
Foi um grande locutor
Além disso  um poeta
Violeiro cantador
E o Expedito Pereira
Na viola é um penho

O Sr. Geraldo Brito
Toda cerveja bancou
Cerveja Antártica e Bavária
Prá ninguém ali faltou
Com a Pinga Nordestina
Que seu Cirilo mandou

Afinaram as violas
Cada qual no seu lugar
Pajeú e Expedito
Formaram um grande par
Pajeú seguiu na frente
E começou a cantar

Pajeú – Ó Expedito Pereira
Sei que és bom na viola
Mas primeiro vou te dar
Uma lição de escola
Com esta lição de mim
Tú vais ficar ruim da bola

Expedito – Pajeú minha cachola
Só produz coisa decente
Sou eu que vou te pegar 
Porque  sou poeta quente
Ainda és meu aluno
Na escola do repente

Pajeú – O que sai da minha mente
É Deus do céu que me dar
Tu falas que és cantador
Mas, só sabes a gaguejar
E nem tão pouco tu sabes
Tua viola afinar

Expedito – Pajeú vou te lembrar
Sou professor de repente
Te prepares pra levar
Agora uma surra quente
Com Expedito Pereira
Não tem cantador que  aguente

José Coelho levantou-se
E num gesto prazenteiro
Fez uma pergunta a dupla
Num tema forte e ligeiro
Por que é que autoridade
Maior do mundo é coveiro

Pajeú iniciou
O tema solicitando
À Expedito Pereira
O tema foi abordado
A assim a um e outro
O tema foi perguntado

Pajeú – O coveiro aqui no mundo
É maior autoridade
Ele prende de verdade
Tudo num buraco fundo 
Num sentimento profundo
Deixa tudo em desespero
No seu labor rotineiro
Prende com vitalidade
Por isso que autoridade
Maior do mundo é coveiro

Expedito – Ele prende presidente
Prefeito, rainha e rei
Cabra não foge da lei
Esteja triste ou contente
Seja rico ou penitente
Prende naquele viveiro
Seja casado ou solteiro
Deixa sem a liberdade
Por isso que autoridade
Maior do mundo é coveiro

Pajeú – Na terra a autoridade
Bota um cabra na prisão
O “Harbeas Corpus” então
Age com autenticidade
E dar logo a liberdade
Desde que tenham dinheiro
Falo com tom verdadeiro
Coveiro só quer verdade
Por isto que autoridade
Maior do mundo é coveiro

Expedito – Vamos pois finalizar
Porque tenho precisão
Para melhor rimação
No tema vamos citar
Para ninguém duvidar
Deste repente altaneiro
Façamos um paradeiro
Sem precisar porém
Esse coveiro também
É preso por um coveiro.

Dr. Pedro levantou-se
E perguntou: - Minha gente
Eu vou perguntar a dupla
Me respondam calmamente
Porque é que é que repentista
Morre às vezes de repente

Quando se pensou que não 
Chegou o Dr. Ivaldo
Esse amigo da cultura
Dr. Ivaldo Dourado
E Expedito deu início
Ao tema solicitado

Expedito – Vou lhe responder primeiro
Dr. Pedro Camarada
Em uma festa animada
Quando um chega um violeiro
Cantando o tempo inteiro
O povo escuta e sente
Ao cantar o seu presente
O pinho faz seu tinido
Fica o povo entristecido
Quando de repente

Pajeú – Conheci um violeiro
Que de repente morreu
O povo se entristeceu
Com a morte do companheiro
Em repente foi primeiro
Até hoje o povo sente
O cantador de repente
De repente foi sofrido
Ficou tudo entristecido
Porque morreu de repente

Expedito – Esta resposta eu te dou
Bem clara e bem positiva
Do repentista se ativa
A mente que Deus doou
Isto que ele abraçou
Força demais sua mente
Ele ao cantar seu repente
Fica com o cérebro aturdido
Fica o povo entristecido
Quando morre de repente

Pajeú – O cantador violeiro
Sofre em sua profissão
Prá cumprir sua missão
Canta todo tempo inteiro
E nunca tem paradeiro
O que sai  da sua mente
Sai de repente o repente
E em nada é acudido
Fica o povo entristecido
Quando morre de repente

Expedito – Pajeú o cantador
O cantador violeiro
O seu cérebro é um celeiro
Um celeiro de valor
Você sabe sim senhor
Que de puxar pela mente
O infarto é mais frequente
O cérebro fica aturdido
E o povo entristecido
Quando morre de repente

O Dr. Márcio Quirino
De longe deu com a mão
E pediu prá que a dupla
Cantasse com perfeição
O melhor do desafio
Os oito pés de quadrão

Dr. Ivaldo animou-se
Com esse teme garantido
Elogiou Dr. Márcio
Por esse tema pedido
E ai Pajeú velho
Na viola fez tinido

Pajeú – Eu cumpro o que foi escrito
Eu assino o que foi dito
Vou te pegar Expedito
Para dar-te uma lição
Vou te tirar o calção
E arrochar-te a correia
Pois tu vais ver que eu sou peia
Nos oito pés de quadrão

Expedito – Vou te mandar pra cadeia
A surra vai ser tão feia
Te deixo de cara cheia
De tabefe e empurrão
Eu te arrocho o cinturão
Que tu não vai aguentar
Aí o jeito é gritar
Nos oito pés de quadrão

Pajeú – Agora vou te pegar
De mim não vais escapar
Do jeito que eu te agarrar
Tú não vai suportar não
Vou te mandar pro Japão
Na força du murro meu
Vou te mostrar quem sou eu
Nos oito pés de quadra

Expedito – A força do braço meu
Num violeiro desceu
Não aguentou e correu
Com medo do meu rojão
Vou te dar uma lição
Uma lição que esquenta
Que tora ou se arrebenta
Nos oito pés de quadrão

Pajeú – O meu braço só aguenta
O meu corpo que sustenta
Quem leva dele se ausenta
E não quer cantar mais não
Expedito meu irmão
Tás parecendo um finado
Com Pajeú agarrado
Nois oito pés de quadrão

Expedito – Pajeú o meu recado
Não vai ser precipitado
Pra tu eu tenho guardado
Um cacete e um cinturão
Um tabefe e um empurrão
Pra tu deixar de besteira
Pra tu deixar de asneira
Nos oito pés de quadrão

Foi solicitado um tema
Prá essa dupla cantar
Um tema sobre a mulher
Rainha e dona do lar
Expedito deu início
E Pajeú continuar

Expedito – A mulher do homem é o ideal
Para juntos com Deus colaborar
A mulher foi feita prá se amar
Com amor numa grandeza real
A mulher quando honesta e leal
Tudo a ela Deus dar para sobrar
Quando Deus quis a mulher criar
No momento ali foi decidido
A mulher honesta pra seu marido
É a vida eterna do seu lar

Pajeú – A mulher da costela foi tirada
Enquanto o homem lá dormia
Deus pro homem companheira lhe fazia
E a mulher foi feliz e abençoada
Nessa hora feliz e adequada
Deu ao homem ela prá lhe amar
O homem aceitou sem recuzar
De Deus o presente obtido
A mulher honesta prá seu marido
É a vida eterna do seu lar

Expedito – A mulher quando mãe é um rosário
De ternura de dor e sofrimento
Quando jovem a mulher é um talento
Quando idosa ela é um calendário
A mulher casada é um cenário
No palco da vida onde estar
Carinho e amor tem prá sobrar
Pros filhos que dela são querido(s)
A mulher honesta pro seu marido
É a vida eterna do seu lar

Pajeú – A mulher pode ser negra ou branca
Não importa seu nível social
Sendo honesta seu nível é formal
A mulher é sincera quando é franca
Seu amor pela vida não se tranca
Seu semblante se apega no olhar
Aos filhos somente ela se dar
Pois que Deus a ela lhe fez provido
A mulher honesta pro seu marido
É a vida eterna do seu lar

Expedito – A mulher só é quem carrega a vida
Abaixo de Deus o criador
Da mulher é eterno o seu amor
A mulher sempre é forte e destemida
Na mulher a coragem é bem mantida
Seu talento de  força é sem par
De grandeza de ação exemplar
Deus a ela lhe dar o permitido
A mulher honesta pro seu marido
É a vida eterna do seu lar

Ao terminar esta estrofe
O dia tinha amanhecido
Pois já era de manhã
O sol tinha aparecido
Os poetas se abraçaram
Já que ninguém foi vencido

Terminou a cantoria
E a festa continuou
Cerveja em abundância
Pra turma toda rolou
E a pinga Nordestina
Aguardente pura e fina
Pra ninguém ali faltou

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