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Friday, February 12, 2016

TIPOS POPULARES DE GARANHUNS - ZÉ PITANGA

Por Rodrigues da Silva


Não tinha mais de um metro e cinquenta centímetros de altura. Era moreno e engraçado. Nasceu para ser militar, porém, como não conseguiu ingressar nessa profissão, passou a vida inteira usando roupas e boné de soldado, conduzia inseparavelmente, um apito de guarda noturno.
Assim vivia Zé Pitanga procurando os locais mais movimentados desta cidade, para desempenhar o papel de autoridade que nunca foi, porque o destino lhe negou esse direito. Desajeitado como ninguém, Pitanga, pelas proezas que fazia, foi sempre motivo de gargalhada para as pessoas que dele se cercavam.

Nas horas vagas vendia amendoim na plataforma da estação ferroviária e conduzia as maletas dos passageiros que chegavam ou saíam nos trens. Certa vez, um desocupado deu-lhe um empurrão, derrubando o tabuleiro de amendoim ao solo. Para mostrar que era autoridade, o pobre homem correu atrás do desordeiro, e, em alta voz gritava:

- Respeite seu superior, moleque safado, saiba que aqui em Garanhuns, quem manda sou eu, porque sou homem até morrer.

Zé Pitanga vivia nas esquinas e ruas de Garanhuns, sempre fardado, e quando os automóveis passavam, como se fosse inspetor de veículos ele apitava e gesticulava com as mãos mandando parar, ou, dando passagem. Outras vezes ficava na posição de sentido, como se na sua frente estivesse uma autoridade superior. De vez em quando, ouvia-se o "militar" dando voz de comando:

- Meia volta, alto lá soldados, pelotão à direita, sentido!...

O militar de mentira percorria a cidade todos os dias, dando ordens às "tropas" que somente existiam na sua imaginação.

Na mesma época de Zé Pitanga vivia em Garanhuns, uma outra figura engraçada que atendia pelo apelido de Bacharel.

Este, também, tinha mania de soldado e há quem diga, que ele fez parte da Coluna Louca que saiu de Garanhuns com destino a Maceió, sob a chefia do Senhor Mário Lira, com a finalidade de se encontrar com o Tenente Juarez Távora, um dos líderes da Intentona Comunista, movimento militar que pretendia mudar o regime do Brasil. Há quem diga, também que Bacharel foi simplesmente um modesto empregado do Hotel Motta.

Um certo dia, Zé Pitanga e Bacharel se desentenderam, tendo o primeiro perguntado ao segundo:

- Quem lhe deu ordem para andar neste bairro, você não sabe que quem manda aqui sou eu?

Bacharel olhou para Pitanga e mostrando-lhe uma estrela desenhada no ombro com tinta vermelha, respondeu-lhe:

- Respeite seu superior moleque, eu não sei onde estou que não lhe mando pra cadeia. Veja que eu sou do exército e você é da meganha.

Os moleques de rua viviam constantemente insultando Zé Pitanga; um dava um empurrão, outro puxava o paletó, todos gritavam de uma só vez:

Zé Pitanga catimbozeiro do arraial!

Estes insultos fizeram o pobre diabo dizer, certa vez:

... no dia em que eu morrer, o comércio de Garanhuns vai ser fechado.

Dito e feito. Zé Pitanga faleceu no mesmo dia em que ocorreu a morte de Agamenon Magalhães. Naquele dia, o Comércio do Recife fechou as suas portas em sinal de luto pela morte do Governador. O Comércio de Garanhuns também foi fechado pelo mesmo motivo, e, por coincidência pelo falecimento de Zé Pitanga. Zé teve uma vida cheia de autoridade, porém viveu e morreu sem se aperceber que foi apenas um carregador de fretes.
Fonte: Jornal "O Monitor".

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