quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

GARANHUNS - PRAÇA CEL. MANOEL JARDIM DÉCADA DE 40





Por Claudio Moraes

Até os anos de 1940, a Praça Cel. Manoel Jardim era conhecida pela sua  polivalência no centro da cidade. Alí, eram instaladas companhias circenses de alto gabarito, como Garcia, Nerino e tantos outros que aportavam, trazendo fabuloso elenco e não menos os que além de material humano, tinham na sua bagagem grande quantidade de animais vindos do continente africano a até mesmo da Ásia entre belos exemplares de leão, zebra, tigre real de bengala, sem contudo deixar de apresentar ao público que a título de curiosidade passava horas e horas a admirar o elemento da selva, elementos pertencentes a fauna brasileira.

Quando se anunciava que o "circo chegou" a romaria era sistemática à Praça de centenas de adpetos para ver de perto o corpo de artistas, muitos deles já bem conhecidos do público garanhuense. Eram dias e noites de festa quando da estadia de companhias de circo em Garanhuns. Era  a Praça Jardim, o ponto de concentração da meninada da época que para alí se dirigia para as clássicas peladas de futebol, jogar bola de gude - chimbre - para muitos, jogar pião, enfim, praticar nas horas de lazer se é que para os mesmos tinha esse qualificativo, tantos e tantos outros divertimentos.

Praça Jardim em 1937.
Berço de nascimento do Cel. Jardim, homem de um passado exemplar na história de Garanhuns e do seu primo Luis Jardim,  como também de Ulisses Pinto. 
Além de oferecer vasto campo para o acampamento circense e outros meios de divertimento, tinha ao seu lado o Cine Popular, conhecido como "O Poeira" dada as suas precárias instalações, mas mesmo assim, oferecia sessões noturnas aos sábados e domingos, com uma programação vasta e a preço para qualquer bolso, 500 réis, com: cinema nacional, desenho animado, noticiário conhecido como Fox Movietone, onde se ouvia a voz segura e amena de Luis Jabotá, narrando os acontecimentos mostrados na tela. O filme do dia, sempre um "cow-boy", estrelado pelos heróis da garotada e até mesmo de gente grande como Bucky Jones, Tom Mix, Hary Carey, Haplong Cassidy, Roy Rogeres e tantos outros, para ser encerrada a programação com um seriado, tendo ainda um desenho animado, com o ídolo Popay. O seu "Santinho" era o tira prazer da garotada quando tentava penetrar no recinto pelo meio de "carona". Nos seus edifícios, além de casas residenciais como hoje ainda se encontram, eram igualmente instalados oficinas mecânicas e a praça propriamente dita, servia para depósito de carros-de-boi, caminhões cavalos encangalhados vindos da zona rural e automóveis.
Com o avanço dos tempos, os senhores Agenor Ferreira de Moraes e Joaquim Leôncio, seu "Quinca", levando em consideração que a cidade  dado o progresso, necessitava de uma boa casa de espetáculos. Conseguiram através dos poderes constituídos do Município, autorização para edificar um modelar cinema, no caso o Cine Jardim, o que de fato aconteceu, suprindo assim essa lacuna até então existente, dotando Garanhuns de um dos mais modernos cinemas do interior nordestino.

A "sopa", qualificativo dado pelo povo ao transporte coletivo do "seu" Alfredo Leite, tinha também o seu lugarzinho assegurado, enquanto o seu motorista, o Leite, irmão  do proprietário, se dirigia a um dos bares da periferia para tomar umas biritas.

Depois do evento do Cine Jardim, surgiu uma nova fase no logradouro, visto que, com a construção da nova casa de diversão, surgiram então casas de lanches, ponto de partida de ônibus para várias cidades vizinhas de Garanhuns, casa de conserto de rádio, pequenas indústrias e outros tantos serviços. Com a construção de canteiros e instalações elétricas feitas pela municipalidade surgiu um novo logradouro, sendo atualmente ponto de convergência para centenas de pessoas daquí e de outros lugares que a procuraram para tratar de negócios, remendo de sapatos e outros artefatos de couro, saborear gostoso café pequeno e tirar retrato no "lambe-lambe".
Fonte:  Jornal "O Monitor".

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