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Thursday, January 28, 2016

GARANHUNS DO PASSADO - SOUTO FILHO (SOUTINHO): NÃO EMPRESTO DINHEIRO A AMIGO!

Souto Filho (Soutinho) entre amigos em 1908.
Foto: Revista  "O Malho".

Fui procurado por um amigo de Garanhuns, para ir, com êle, ao  Souto Filho. Pretendia conseguir um empréstimo. O homem tinha dinheiro, mas era um pouco ronceiro... Fomos ao Soutinho. Muito cedo, o encontramos, em casa, lendo os jornais do dia. Retirou do nariz os óculos e nos disse:

- As ordens, compadres - (ambos éramos realmente, seus compadres).

- Soutinho, fulano veio, até aqui, pedir-lhe vinte contos de réis, emprestados.

- Quê?

- É. Veio até aqui - repetí - pedir-lhe vinte contos, emprestados - e acrescentei - para complementar o pagamento de uma propiredade que comprou.

Já de pé, empertigado:

Ex-deputado e delegado Elpídio Branco,
de Saudosa Memória -  Foto de 1962.

-Elpidio, você não sabe que eu não empresto dinheiro a  amigos.

- Ôi! não estou entendendo, Soutinho: então você só empresta a inimigo?

- Sim, perfeitamente, porque eu só me arrisco a perder o dinheiro e não também o amigo...

Não me aguentei em pé, estarrecido que fiquei, mormente porque o Soutinho falou, realmente, sério. Quisemos ir embora logo, pois a decepção era grande. Mas, tentando de certo, remediar a coisa mandou nos  servir um cafezinho, após o que nos despedimos.

No dia seguinte, voltei à casa do compadre. Ao me avistar caiu em gostosa gargalhada e perguntou-me:

- Cadê compadre?

- Foi embora, doidinho para garanhuns. E antes que eu comentasse o fato, que me deixou, realmente, em cheque-mate, mostro-me uma ordem telegráfica para Garanhuns dirigida ao seu cunhado Euclides Dourado, a fim dêste fornecer o numerário ao compadre... de Garanhuns.

Sabem o que sucedeu, depois? O compadre esqueceu de pagar os cobres. E lá se foi o dinheiro, juntamente com o amigo. A filosofia de Soutinho deu certo: êle perdeu, desta vez, o dinheiro e o amigo, também, porém, nunca mais perdeu outro... E sabe-se porque, como gato escaldado tem mêdo até de água fria, o Soutinho, aproveitando a embalagem, nunca mais emprestou dinheiro a amigo... nem a mim, porque, nem a mim mesmo confiou mais um vintém sequer.

Esperteza e brincadeira de mau gôsto, pelo menos para mim, do conhecido Frasquinho de Veneno.
Fonte: Livro "Memórias Brancas" de Elpídio Branco. Recife, dezembro de 1963.

Baú da História de Garanhuns: Em 1788 a população de Garanhuns era em média 15.800 habitantes. Fonte: Livro "Pingos de Garanhuns" de Arlinda Mota Valença.

Pensamento do dia: Vale mais uma migalha de pão com paz do que toda a casa a aborrotar de manjares com discórdias. A. Rojas.

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