terça-feira, 26 de janeiro de 2016

BELARMINO DA COSTA DOURADO - O "DECANO DOS LITERATOS DE GARANHUNS"

Belarmino da Costa Dourado.

Poeta, jornalista e teatrólogo, considerado o "decano dos literatos de Garanhuns", na sua época, também teve uma atuação política no município. Seus pais foram: Dr. José da Costa Dourado e Maria Rosalina de Araújo, sendo ele formado pela Universidade de Coimbra, onde defendera tese para alcançar tão cobiçado título, vindo residir em Garanhuns em 1862, onde adquirira uma parte de terra, no sítio denominado "Buraco" que pertencera, em 1805, ao Capitão Comandante Luís Tenório de Albuquerque, tendo substituído o nome "Buraco" para "Sítio Laranjeira". Cedo encaminhou o filho Belarmino Dourado  para Recife onde chegou a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, sem no entanto, ter concluído o curso.

Homem de inteligência invulgar, Belarmino na juventude iniciou-se na arte de versejar. Em 1895 estava fundando a primeira Sociedade Literária nas Alterosas. Antes, em 1887, publicou um livro de versos, "Névoas Sertanejas", com 64 páginas, prefaciado por João Peixoto. Em 1903 organizou a "Loja Maçônica Mensageiros do Bem", ocupando o lugar de orador. No jornal "O Sertão" aparece em 1909, publicando seus poemas e colabora com este órgão durante toda a sua existência. Igualmente deu sua parcela no "O Jornal" de Souto Filho (1911), e em outros inúmeros matutinos da Cidade e da Federação Brasileira. Na qualidade de teatrólogo produziu muitas peças, algumas levadas ao palco por amadores da "Terra Querida". Na função pública, no cargo de Secretário do Conselho Municipal (1912/15). Na atividade particular, no comércio de cereais e estivas.

Belarmino Dourado era casado com Ana Alexandrina Correia Dourado e deste matrimônio nasceram: Euclides Dourado que foi Prefeito de Garanhuns, Agilberto Dourado, o pintor; Julieta e Marieta. Nasceu em Goiana e faleceu em 29 de dezembro de 1919 em Garanhuns.

DEVANEIO À SINHÁ

Belarmino da Costa  Dourado, 1885

Em ti é que eu penso, formosa criança
Nas noites de insônia, cismando ao luar.
Indago às estrelas, teu nome sorrindo,
E os astros dormindo,
Se escondem no Mar.

Em ti é que eu penso, sentido-me escravo
De teus lindos olhos, que bem lindos são...
Pergunto por ti às flores trementes.
E elas dormentes
Se inclinam no chão.

Porque não te vejo,criança, ao meu lado
Nas noites de insônia, cismando ao luar,
Tão loura, tão pura, de susto tremendo,
Em mim embebendo
Teu plácido olhar.

Debalde eu te busco. Qual doida miragem
Ah vejo-te sempre distante a correr...
Ó conta-me, virgem, que praga , que sina.
Foi esta, menina

De amar-te e sofrer?
Fonte: Livro "Os Aldeões de Garanhuns" de Alberto da Silva Rêgo.

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