segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

AS FRUTAS DE GARANHUNS

Jaqueira no Parque Ruber van der Linden.


Marcílio Reinaux

No lugar de pêssego, tínhamos
"Pirins. Em vez de figos chupavamos
Jaboticabas, negras, brilhantes...
Ameixa substituída pelos doces
e amarelos cajus.

Morango?
Para que, se tínhamos as deliciosas Pitangas.
Maçã era fruta de rico. Fruta de pobre
sempre foi jaca. Dura ou mole que nem
manteiga, derretando guela abaixo.
Pêra? Só nos livros infantís. Melhor
que ela tínhamos o Araçá.
Abacate dos grandes e macios, fazendo
par com as gigantescas Goiabas.

Uvas? Não. Melhor Pitombas, tiradas no
Sítio de Thomaz Maia, na Vila Maria.
Melão, só o silvestre espremido entre as
cercas dos sítios. Porém melhor que estes
o Mamão, quase vermelho, já pipinado
pelo bico do sabiá.

Fruta de Conde? Melhor que esse nome
complicado, tínhamos na feira, se derretando
de maduras, as Pinhas, vindas dos sítios
do Tará e das Águas Belas.
Laranjas, a mais disputada: Laranja-cravo.
Nada de tangerina, ou mexiricas de nomes estranhos.

Fruta-Pão não conhecíamos
no nosso tempo de menino. Mas a
Banana-Comprida, Banana-Vinho, Banana-Pão.
A Banana-Prata e a deliciosa Banana-Maça,
somente do Sítio de Dona Duda.

Abacaxi, era fruta rara, mas em
troca dele tínhamos a Maçaranduba,
"prima-matute" da mangaba da Cidade.
E ainda o Sapotí, a Sapota, e o
Jatobá, Cajá e Cajarana.
Cana, só moida, o caldo
com pão-doce.

E o que dizer do Maracujá-Açu, ou
Maracujá de Macaco? Da carambola, e
das deliciosas mangas "Rosa" e "Espada" do Mundaú?
O Ingá e a Graviola completavam
esta imensa cesta de frutas.
As frutas de Garanhuns. As
frutas do meu tempo de menino.

Fonte: Jornal "O Monitor".

Baú Cultural: Em 1882 florescem os sítios que constituem Brejão, cuja capela é construida por trás de uma grande cruz fincada no centro da povoação formada por casas que procuravam já alinhar-se para formarem as ruas.

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