Wednesday, September 2, 2015

COLÉGIO DIOCESANO DO MEU TEMPO

Ivo Tinô do Amaral


Ivo Tinô do Amaral.
Sem qualquer crise existencial de meu tempo, sinto imensa saudade do passado. Se pudesse trazê-lo de volta, eu faria tudo outra vez, tim-tim por tim-tim. E, como os  que tiveram a sorte e o privilégio de pertencer à minha geração, vivendo na cidade de Garanhuns e estudando no Colégio Diocesano, teria que ter participação marcante, sem o que esse mesmo passado não faria, hoje, o menor sentido.

Que graça teriam os meus cinco anos de internato, vividos entre 1946 e 1951, sem as aulas de civilidade do Padre Adelmar e sem os petiscos e a benevolência de dona Alódia, responsável pela alimentação dos internos? Sem abnegação das demais irmãs Valença, Anita, Almira e Arlinda? Sem as professoras Elzira Pernambuco, Luzinette Laporte e Isaura Medeiros, os Drs. Mário e Maurílio Matos, Dom Gerardo Wanderlei, Padre Edgar Carício (o Padre Caramba), que foi Bispo de Jequié na Bahia, Manoel Vieira dos Anjos (o Tiquim), Manoel Lustosa, Padre Tarcísio Falcão com jeito bonachão e sempre pronto para um cochilo em suas famosas aulas de Civilidade do Padre Adelmar! Infelizmente, alguns destes nossos amigos preceptores não se encontram mais conosco, estando, talvez, quem sabe, prestando os seus valiosos serviços em uma outra dimensão, mais elevada, ao lado do nosso Criador.
Mons. Adelmar e Ivo Amaral entre amigos,
ano de 1979.

O Diocesano do meu tempo não seria o mesmo sem a presença de um Luiz Gonzaga de Oliveira Lima, aluno inteligente e gozador. Quando cursávamos o 4 ano ginasial, fomos submetidos a uma prova de latim - assunto ministrado pelo justo Padre Edgar -, em relação à qual, ninguém sabia bem a matéria. O nosso Luiz Gonzaga antecipou-se, fez a sua prova, entregou-a e, mui gentilmente, se dispôs, acintosamente, ante os olhares indiferentes do Padre, ajudar os demais colegas. No dia da entrega dos resultados, somente ele tirou 10, enquanto todo o resto da classe recebeu zero!, Ainda bem, para ele e para nós, que o Luiz passou 8 dias sem ir ao colégio, com medo de uma represália!...

Todos do meu tempo no Diocesano recordam de Amauri de Siqueira Medeiros (orador da minha turma), hoje médico e professor da Universidade de Pernambuco; Zireli de Oliveira Valença, também médico e professor da Universidade Federal de Alagoas (atleta e líder de classe); Edval Monteiro (o sulipa) hoje procurador aposentado do Estado de Pernambuco; Pedro Ribeiro (o Pedro Chi-Chi), advogado militante, não sabendo eu, exatamente, até hoje, a origem do Chi-Chi: Manoel sales Santana (Mané calça larga); Luciano Faelante Casales, hoje General do Exército Brasileiro; e Cícero de Moraes (o Cicero Manequim), o primeiro apresentador do NE TV, da  Rede Globo Nordeste. Eram tantos os bons colegas e contemporâneos, que seria para mim impossível enumerá-los todos sem cometer alguma injustiça, em caso de omissão. A eles, eu muito devo e, por causa deles, jamais poderei esquecer e deixar de recordar a beleza "daqueles tempos que não voltam mais".

Cheguei em Garanhuns no ano de 1946, vindo da Fazenda Salobro, pertencente ao então distrito de Lajedo, trazido pelo meu pai, Ismael Tinô, e pelo meu tio, Dom João da Mata Amaral, naquela época Bispo do Amazonas.

Com certeza, não seria o homem feliz que sou, sem o Gigante  da Praça da Bandeira, desta encantadora e importante cidade de Garanhuns, que tive a honra e o privilégio de governar por 2 vezes. Ao padre Adelmar da Mota Valença, cuja história se confunde com a própria história do Colégio, o qual esteve sob sua direção por 44 anos, temos, seus ex-alunos que render as nossas  mais sinceras homenagens.(Ivo Tinô do Amaral foi Vereador, 2 vezes Prefeito de Garanhuns e Deputado Estadual também por 2 legislaturas).
Fonte da Pesquisa: Livro "Colégio Diocesano de Garanhuns  Cem Anos de Ciência e Fé", do Escritor, Professor e Jornalista Manoel Teixeira Neto - 3ª Edição - Ampliada - 2015.

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