The 3 Week Diet

Saturday, September 26, 2015

COLÉGIO DIOCESANO DE GARANHUNS - BERÇO DE FÉ E CIVISMO

Sr. Mauro Souza Lima de Saudosa Memória.

Mauro Souza Lima

Numa retrospectiva do calenádario ao ano de 1944, nos encontraríamos em plena época de II Grande Guerra Mundial que destruiu parte substancial da Europa e arrasou com a economia de grandes países de cujas notícias tomávamos, funcionando com bateria de carro - 6 volts, pois na vila não tinha energia elétrica, cujo rádio pertencia a "seu Piano" (José Clemente Filho), pai dos ex-alunos Raimundo e Rosalvo Clemente, ambos, posteriormente, professores do Diocesano.

Após frequentar escolas públicas da localidade, dividindo o tempo entre a escola e o balcão da loja de meu pai, onde aprendi, em ambas as escolas as primeiras letras, ou melhor, o básico, com professores locais, entre elas: Albertina Fragoso, Aída Barros, Branca M.Fernandes. D. Carmelita, Maria José Eloi e a arte do comércio, com um grande professor, meu pai - Pedro de Souza Lima.

O próximo passo seria ir para Garanhuns, de onde meu irmão mais velho - José Alberto, trazia as notícias do Diocesano e do seu internato, o que aumentava meu interesse a até fascínio, a não ser que usasse a outra opção que seria ficar no balcão da loja onde, desde os sete anos de idade, aprendi a vender tecidos, miudezas, chapéus, enxovais para recém-nascidos a até mortalhas e seus respectivos caixões, para sepultar os falecidos da localidade.
A escolha, entretanto, não era minha. Meu pai, apesar de ter frequentado apenas até o segundo ano primário, fazia questão de dar, como o fez aos seus 14 filhos (e mais alguns parentes agregados) a educação necessária, pelo menos, até o Ginásio e, em comun acordo com meu avô "Bonzinho" - (Homem Bom de Souza Lima) e  por interferência de minha tia Tercina (professora primária), não fui para o internato, ficamos, meu irmão e eu morando na sua casa na Rua do Recife (dr. José Mariano, 508).

Frequentei um curso particular de férias, ministrado pela professora Donatila Lins, em sua residência, na rua Joaquim Távora a fim de me submeter ao exame de admissão ao Ginásio o que fiz com sucesso, no dia 28.02.1945, graças ao ensinamento daquela mestra que nos tratava como se fosse a nossa própria mãe, da qual guardo grandes recordações.
Estava feliz, exultava com a ideia de ir ao alfaiate provar a farda kaqui, com lista vermelha na calça e punhos e gola do "doman", cheio de botões pretos e ainda um "bibico" (boné) o que nos deixava muito "importante".
Era o sonho dos jovens da minha idade, estudar no Casarão da Praça da Bandeira, vestir aquela farda e, garbosamente, desfilar para o grande público, nas principais ruas e avenidas da cidade, sem poder falar, rir ou olhar de lado, mormente ao passar pelo Santa Sofia (por motivos óbvios), conforme ordens de professor Lustosa que organizava os desfiles.

Essas ordens eram cumpridas a duras penas, vez que as  garotas de azul e branco e boinas de lá, provocadores, ficavam a nos chamar pelos nomes, fazendo gracinhas tentando com isso desviar nossas atenções a fim de errarmos o passo, cobertura e alinhamento, o que pesava na pontuação de classificação do Colégio que melhor desfilasse; e para nós, era ponto de honra sair como o melhor classificado, além do que, ao final do desfile, ganharíamos um feriado pelo desempenho dos "meninos" de Lustosa, aquele professor querido de todos os alunos, professores, diretor, funcionários e, principalmente, de uma professorinha, não menos querida, chamada Elzira.
Capela do Colégio Diocesano de
Garanhuns.
Lembro ainda do primeiro dia de aula. Formação no pátio por classe e entrada em fila indiana. Era o dia para conhecer os professores e os colegas de turma. O primeiro contato dos professores foi com D.Almira, com aquela sua maneira peculiar e maternal, ganhou-me pela simpatia e pela delicadeza no trato com seus novos discípulos. Suas matérias - Matemática e Desenho, passaram a ser minhas preferidas, e seu estilo de ensino ajudou essa aproximação e minhas notas durante todo o curso sempre eram as melhores, o mesmo não posso dizer de outras, como Latim, por exemplo.

Se não fui dos melhores também não me considero daqueles que deram muito trabalho ao "Padre", mas vez por outra estava a "prestar contas". Meu relacionamento com os demais professores sempre foi, também, de muito, de muito respeito o que valeu em contrapartida uma grande amizade com todo corpo docente.

Durante todo curso fazíamos questão de ser participante de tudo que se fazia no Ginásio/Colégio: festas, grêmios, política estudantil, etc.

Quando da construção da nova Capela, já no final do Ginásio, por volta de 1947, junto aos demais colegas de classe antes ou depois das aulas, formávamos aquele mutirão para ajudar os ajudantes de pedreiro a carregar material para a construção, principalmente tijolos. Assim é que assistimos aos trabalhos desde as fundações até o final da inauguração, com uma missa solene onde presentes além de alunos, ex-alunos, professores, clero, autoridades do município e muitos fieis também estavam, como celebrante o Sr. Bispo Diocesano. Na homilia o Padre falou sobre o evento, informando sobre sua construção e fazendo uma verdadeira prestação de contas e o significado da nova Capela para o Diocesano.

A partir de então, o primeiro contato da semana entre o Colégio e o seu corpo discente, era uma reunião de todas as classes, com os alunos sentados nas novas instalações para ouvir lições de Civilidade, proferidas pelo Padre Adelmar, sempre ereto, de tradicional batina preta e braços cruzados, sem piscar olho e sempre num mesmo tom de voz.

Numa dessas aulas de Civilidade o Padre falou das cruzes da capela. Quando se entra, anda-se por cima da cruz principal, feita no mosaico do piso. Na porta de entrada a outra cruz bem assim nas portas laterais e janelas, na parede interna da frente há uma iluminada e externamente, outra imponente e quando iluminada, é visível com destaque até lá do alto do Mundaú. Internamente sobre o altar um cristo crucificado, doação do meu colega do 4º ano ginasial, Rui Cavalcanti. O sacrário, muito bem trabalhado, foi doação de Zé Batatinha, pai de Ivaldo e Ivan Rodrigues.

Outras doações foram feitas pelos alunos, ex-alunos a até pessoas da cidade. Parte dos bancos foi adquirida por campanhas feitas por doadores voluntários, como tudo que ali foi feito por terceiros, vez que,  o Padre  Diretor, nunca fez qualquer solicitação, mas sempre agradecia com aquela humildade dizendo que somente Deus é quem podia retribuir aquelas generosidades.

Quando da construção, o Altar era colado à parede a após as alterações liturgias, quando os padres passaram a celebrar a Santa Missa voltados para o público, teve também de ser alterado o altar, afastando-o da parede como está agora. Por sinal, a única modificação feita, após 52 anos.

Hoje não podemos falar do Diocesano sem falar na sua belíssima capela, mesmo com toda a simplicidade. Nunca entrei naquele recinto para não lembrar de sua construção, de sua  inauguração, dos mutirões e principalmente das aulas de Civilidade que ali assisti e que muito concorreram para minha formação e para o enfrentamento da vida lá fora.

Repito o que já disse anteriormente: agradeço a Deus pela oportunidade de ter estudado naquela casa que moldou a minha personalidade, agradecimento extensivo ao meu pai que me encaminhou e dirigiu meus passos e ao Padre  Adelmar com toda sua equipe pela orientação cultural, religiosa e de civismo.

A Capela e o Ginásio, ou melhor, o Colégio se completam, dentro daquele espírito porque é conhecido o Diocesano: CIÊNCIA E FÉ.
O Sr. Mauro Souza Lima faleceu em 02 de janeiro de 2014.
Fonte da Pesquisa: Livro "Colégio Diocesano de Garanhuns - Cem Anos de Ciência e Fé" do Professor, Jornalista e Escritor  Manoel Teixeira Neto - 3º Edição Ampliada - ano de 2015.

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