domingo, 13 de setembro de 2015

CARLOS WILSON CAMPOS - A IGUALDADE ERA A TÔNICA NO COLÉGIO DIOCESANO DE GARANHUNS



Carlos Wilson Campos substitui Miguel Arraes no governo de Pernambuco em
 1990 e assina o livro de posse  como novo governador.
 Foto: Arquivo do Diário de Pernambuco.

Manoel Teixeira Neto



Corria o ano de 1964. Início dos preparativos do Jubileu de Ouro do Diocesano. Contribuições espontâneas começam a chegar, iniciativa de alunos, professores, funcionários e da própria sociedade garanhuense. Um grupo de alunos (internos e externos) toma  o pincel e pôe-se a pintar o prédio do Colégio. Gesto de amor e dedicação ao velho casarão da Praça da Bandeira.

Entre esses jovens "pintores" estava um adolescente que mais tarde viria ser Governador de Pernambuco: Carlos Wilson Campos, aluno interno do 2º ginasial; ele recorda com muita emoção esse e  outros lances que marcaram sua curta porém inesquecível passagem pelo Diocesano.

"Nunca me senti reprimido como aluno interno do Diocesano, apesar do rigor da disciplina. Pelo contrário, sentia muita segurança, pois convivia num regime de igualdade, onde ninguém recebia tratamento diferenciado, independentemente de condição socioeconômica. Não havia privilégios. Essa posição de igualdade entre todos, era uma das muitas virtudes do internato do "Diocesano", recorda.

Carlos Wilson Campos, deputado federal por três vezes, vice-governador e governador de Pernambuco. Apesar dos encargos e compromissos próprios dos altos postos que exerceu (inclusive ex-secretário Nacional da Irrigação no Governo Itamar Franco), não esquece seu Diocesano.
Participou dos desfiles do 12 de outubro conduzindo bandeira e faixa de ex-aluno, com muito orgulho. Quando assumiu o Governo do Estado, no primeiro instante subiu a ladeira da Rua São Bento o foi levar o seu abraço fraterno ao Mons. Adelmar. "Sabia-o já afastado da direção do Colégio, mas para mim., ele é o eterno diretor. Perguntei-lhe o que poderia fazer pelo Colégio e, sem hesitar ele respondeu-me: "O Senhor já fez tudo pelo Colégio, que se orgulha de tê-lo como ex-aluno exemplar. Deus abençoe os seus passos e sua vida".

A reação do Mons. Adelmar não foi surpresa para o então Governador do Estado. Pois, em dado momento de sua passagem como interno, recorda outro fato muito próprio da personalidade do ex-diretor: seu pai, ex-senador e deputado federal Wilson Campos, à época um dos grandes comerciantes na capital pernambucana, fizera uma oferta de chuveiros elétricos para o Diocesano de Garanhuns, atendendo pleito de um grupo de colegas de internato de seu filho. É que o Colégio não tinha chuveiros elétricos e o banho, quase gelado, às cinco da matina, não era nada fácil para a meninada, que ainda enfretava a baixa temperatura da cidade. O padre, entendendo ou não aquela oferta poderia constituir privilégio de um grupo, a recusou sem titubear. Disse que, o Colégio, quando tivesse condições e assim entendesse, providenciaria os chuveiros elétricos para os seus banheiros.
Antigo Cinema Jardim.

A dureza do padre, seus carões, seus gestos, alguns inusitados, tudo era transformado em amor, uma verdadeira mística, lembra o ex-governador, que chegou a estudar em cerca de seis Colégios, entre os quais, o Nóbrega do Recife, e até por maior lapso de tempo que no Diocesano de Garanhuns. "Mas foi o velho casarão da Praça da Bandeira (hoje Praça Mons. Adelmar da Mota Valença) que marcou definitivamente a minha vida, sem qualquer menosprezo aos demais" confessou.

"Sou ex-aluno do Colégio Diocesano de Garanhuns", costumava lembrar em dados momentos e lugares os mais diferentes e importantes dias da sua vida de homem público, como uma condição que mais lhe orgulha e desvanece.

Estudar como aluno interno do Diocesano foi iniciativa dos seus pais:

"Foi uma das melhores coisas da minha vida". Lembra dos passeios aos domingos, as matinês no cinema Jardim quando caminhavam ele e os demais internos, em filas indianas pelas principais ruas e as famílias, principalmente as mocinhas, se punham às janelas para ver a gente passar".

Declina com muita saudade o nome de mestres como D. Almira e Arlinda Valença, Levino Epaminondas, Luzinette Laporte, Mons Tarcísio Falcão, Valdero Veras, entre outros.

Conte uma historinha do seu tempo de internato: "Certo dia, eu ia em desabalada carreira pelo corredor que demanda da secretaria ao pátio interno e, na curva, peito com o padre. Ele, incontinenti pergunta: cadê a buzina, seu..."
Carlos Wilson Campos faleceu em 11 de abril de 2009.
Fonte da Pesquisa: Livro "Colégio Diocesano de Garanhuns - Cem Anos de Ciência e Fé" do Professor, Jornalista e Escritor  Manoel Teixeira Neto - 3º Edição Ampliada - ano de 2015.

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