segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A BANDA MARCIAL DO COLÉGIO DIOCEASNO DE GARANHUNS




Manoel Neto Teixeira

Pioneira em todo o interior de Pernambuco, a Banda Marcial do Diocesano constitui capítulo dos mais importantes. Nos primeiros anos de vida do Colégio, os alunos marchavam ouvindo os seguintes gritos de "um-dois" do instrutor. Depois, quando maior se tornou o número de alunos, estes desfilavam puxados pela  Banda de Música da Cidade.

O primeiro desfile ao som da banda marcial recém-criada (1938), à frente, o jovem Ivanildo Souto da Cunha (sordo-mor), seu idealizador e coordenador de campanhas para aquisição dos primeiros instrumentos.

A criação da Banda Marcial constava dos planos do Mons. Adelmar. Ao assumir a Direção do Colégio, conferiu poderes e apoio a um grupo de jovens alunos, entusiastas, que, aos poucos, foram adquirindo os primeiros instrumentos. Fizeram "vaquinhas" e promoveram jogos e outras formas de angariar fundos.

Um tarol, um tamor-surdo, uma caixa e três cornetas em ré - foram os primeiros instrumentos adquiridos. Assume a organização da Banda o jovem Luiz Gonzaga Ribeiro, de família de músicos. A Banda ficou inicialmente constituída por Luiz Gonzaga Ribeiro (tarol); Geraldo Paulo de Miranda (caixa); Ivanildo Souto da Cunha (tambor-surdo); João Cosntantino (corneteiro-mor); João Miranda Costa (corneteiro); e Jáder Caldas (corneteiro).

Em 1939, a Banda contou com a colaboração dos alunos Maurilo Campos Matos (tambor-surdo); Geraldo Lira (tambor-surdo); Edvaldo Carvalho (caixa).

A Banda continuou crescendo com o entusiasmo quase incontido dos alunos. A cada ano aumentava o número de novos instrumentos e participantes.

A partir dos anos 40, o Diocesano foi  conferido aos seus desfiles cívicos caráter de singularidade, pela organização, encantamento, a vibração dos jovens alunos e os calorosos aplausos do público.

O som da famosa Banda é inigualável e faz tremer as ladeiras que demandam ao Casarão da Praça da Bandeira. Em dia de desfile, ninguém fica em casa: as famílias superlotam as ruas e avenidas, para assistir aos desfiles, que são enriquecidos com a participação dos demais colégios da cidade, também com suas bandas marciais.

Hoje, a Banda do Diocesano conta com mais de cem instrumentos. Recebe sempre convites para se apresentar em outras cidades e capitais. Seus componentes são alunos do Colégio, escolhidos dentre tantos que se apresentam, espontaneamente e de  forma amadorística. Escolhem, entre si, um chefe e obedecem-lhe o comando. Ensaiam quase todo o ano, mormente quando se aproximavam as datas cívicas mais importantes - o Sete de Setembro e o 12 de outubro.
Durante os ensaios, educadamente, silenciam quando passam em frente às Igrejas em horas de função ou culto, desarmam e armam, limpam e afinam seus instrumentos, com muito carinho. Criam uma espécie de paixão pela Banda que, ao deixarem  o Colégio, voltam depois como ex-alunos e fazem questão de desfilar formando improvisadamente a "Banda dos Ex-alunos".

Ouvimos um remanescente dos fundadores da Banda, o eterno entusiasta do seu tempo de aluno do Diocesano, Dr. Ivanildo Souto da Cunha, hoje diretor aposentado do Banorte e conselheiro da Associação Comercial de Pernambuco. Para os leitores mais jovens, vale lembrar a condição de ex-atleta do Clube Naútico capibaribe do Dr. Ivanildo, nos anos 50. Conquistou muitos títulos pelas cores alvirrubras e chegou a ser distinguido com a Medalha de Ouro "Belfort Duarte", galardão nacional que poucos atletas ostentam no Brasil.
"Sou feliz, porque sou ex-aluno do Colégio Diocesano de Garanhuns, o Colégio de D. Almira e Mons. Adelmar", confessa, com a voz embargada de emoção. Embora tenha vindo muito cedo para o Recife, jamais esquece o seu tempo de adolescente e nutre uma grande simpatia e amizade pelo Colégio, Garanhuns e sobretudo não se afasta das lições de civismo que lá collheu.
Dr. Ivanildo lembra das campanhas em prol da criação da Banda, o entusiasmo com quem, procediam. Comenta fatos inusitados, historinhas engraçadas envolvendo ele próprio e alguns coleguinhas e a retidão com que o Padre encarava o dia-a-dia e até as suas travessuras. Faz questão de enfatizar o conteúdo das lições de civismo, hoje, autêntica bússola na sua vida de profissional e cidadão.
Contou, entre outros, o seguinte fato, para realçar a firmeza e transparência do caráter do Mons. Adelmar, que jamais se deixou empolgar por títulos e quaisquer vantagens materiais e distinções conferidas por autoridades as mais diversas: o governador Paulo Guerra (1965) mantinha dois filhos internos no Diocesano de Garanhuns.Resolve o chefe do Executivo homenagear o Mons Adelmar conferindo-lhe a Medalha do Mérito Pernambucano.

Fez questão o governador de ir a Garanhuns para entregar pessoalmente a Medalha ao Mons. Adelmar. Após a cerimônia de entrega da distinção, no recinto mesmo do Colégio, o sr.Paulo Guerra pede ao Mons. Adelmar para abrir a matrícula ao filho de ums dos seus secretários de Governo. Incontinenti, Mons., taxativo, diz-lhe que naquele ano (1965) O Colégio não dispunha mais de vaga no seu internato. Nesse intervalo, e naturalmente para agradar, uma pessoa da secretaria infroma que há dois alunos internos cujos pais não tem cumprido com regalauridade o pagamento de suas mensalidades, dando a entender que poderam ser substitutos. Ao que retruca Mons. Adelmar; "não podem pagar mas vão continuar alunos do Colégio".
Fonte da Pesquisa: Livro "Colégio Diocesano de Garanhuns - Cem Anos de Ciência e Fé" do Professor, Jornalista e Escritor  Manoel Teixeira Neto - 3º Edição Ampliada - ano de 2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário