segunda-feira, 10 de agosto de 2015

VENDA DE TÍTULOS NO BRASIL ATRAI OTIMISTAS QUE APOSTAM NO FIM DA CRISE


A venda generalizada de ativos no Brasil, que empurrou o real ao nível mais baixo em 12 anos e levou os yields (rendimentos) de seus títulos de dívida a um patamar recorde, está começando a atrair alguns gestores de recursos que apostam que as coisas não podem ficar muito piores.

Investidores capazes de suportar a volatilidade podem optar por notas denominadas em dólares com yield mais de dois pontos porcentuais acima que bonds (títulos) com classificação similar das Filipinas, enquanto os títulos soberanos de 10 anos em reais pagam aos seus detentores cerca de 14%, taxa que perde apenas para a da Nigéria entre os maiores mercados emergentes.

Os otimistas estão apostando que a maior economia da América Latina tem muito potencial a longo prazo, mesmo em meio à crise impulsionada pela pior recessão desde 1990, especulações sobre impeachment da presidente, inflação crescente e taxas de juros elevadas. As coisas estão mal no momento, eles reconhecem, mas vão se recuperar.

"Para nós, é meio difícil entender por que o mercado está punindo tanto os ativos brasileiros", disse o gerente de portfólio Bryan Carter, que ajuda a administrar cerca de US$ 360 milhões em dívidas de mercados emergentes na Acadian Asset Management, em Boston, EUA. "As manchetes não são positivas, mas no fim das contas eles continuam ganhando dinheiro em São Paulo e indo à praia no Rio. O país não está desmoronando".

De fato, o Brasil é "extremamente atraente", disse Carter, que comprou alguns dos bonds em dólar do país nas últimas semanas e vendeu notas locais de prazo mais curto para adquirir dívidas com prazos mais longos. O país ainda tem uma classe média que cresce rapidamente, muito petróleo e minério de ferro para extrair do solo e uma quantia sólida em reservas estrangeiras para evitar uma crise de dívida.

O temor de que a turbulência política possa prejudicar os esforços para reforçar as contas fiscais provocou uma queda do real, empurrando as perdas nos últimos 12 meses para 35%, pior desempenho entre as 16 principais moedas monitoradas pela Bloomberg. O yield extra que os investidores exigem para manter os bonds em dólares do país em vez de títulos do Tesouro dos EUA está se aproximando do nível mais alto em seis anos, em um momento em que os traders especulam que o país poderia perder a classificação com grau de investimento.
Fonte: Portal Bol

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