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Thursday, August 20, 2015

FALECEU EM RECIFE DONA ADOLFINA PACHECO "DONA DODÔ", VIÚVA DO SERESTEIRO WASHINGTON MEDEIROS

Por Ígor Cardoso


Faleceu  dona Adolfina Pacheco Sá dos Santos, mais conhecida por "Dona Dodô", ocorrido na tarde de ontem, aqui no Recife. 

Conheci-a não faz três meses, em sua florida residência em Lajedo. As pesquisas sobre o cantor Augusto Calheiros - que acabariam resvalando na biografia do maestro Fernand Jouteux - levaram-me até ela, tudo intermediado pelo referido amigo Paulo Henrique. Agora, penso que nosso encontro - quase um desencontro, dado seu precoce óbito - não foi ocasional: Tinha de ocorrer o quanto antes; o tempo urgia para que eu pudesse assimilar, em uma tarde, toda a poesia daquele espírito iluminado.

Dona Dodô era viúva do seresteiro Washington de Medeiros, grande amigo de Calheiros e ícone do rádio garanhuense. Washington foi, também, o principal responsável pelo traslado dos restos mortais da "Patativa" para Garanhuns, em atendimento à derradeira vontade deste, no ano de 1967 - cortejo, em tudo, comparável ao de Dominguinhos.

               

Motivado pela pesquisa, contatei o amigo, que me narrou maravilhas daquela que tinha por avó adotiva. Acompanhado de Paulo, fui recebido por ela com um sorriso no rosto e com um abraço apertado, dignos da mais amável das senhoras. Informada do propósito de minha visita, ela - a meiguice em vida - elaborou, previamente, um pequeno resumo (na foto) sobre as relações entre sua família e Calheiros.

Passamos uma tarde adorável. Conversamos sobre tudo, e era visível seu entusiasmo. Narrou-me, ademais, sobre sua juventude no Sertão - ela, originária de Salgueiro -, sobre o ofício de professora e o romance com Washington, sobre seu amor por Lajedo. Ao final, levou-me aos fundos de sua casa e mostrou-me os objetos antigos que guardava em caixas, tencionando expô-los, algum dia, no Museu Histórico local, que pretendia mover mundos e fundos para criar.

Deixei Lajedo, naquele dia, com o coração inundado de afeto e certo de que, ali, contava, também eu, com uma nova e acolhedora avó. Sua saúde, pressentimos, não andava bem, mas quem conheceu dona Dodô - ainda que apenas por uma tarde -, quem admirou o brilho de seu olhar, a ternura de seu sorriso, o ímpeto da aguerrida sertaneja que jamais deixou de habitá-la, não poderia imaginar que ela fosse do tipo que parte, e que parte assim, tão precocemente.

Reflito, agora, que talvez Deus a quisesse, com aquela aura repleta de luz dela, mais perto de Si. Por isso, mesmo absorto, agradeço ao Pai por haver-me guiado a Paulo e a Lajedo, de modo a que minhas mais doces lembranças também pudessem restar povoadas pela imagem maravilhosa de Dona Dodô.

Ide em paz, querida, e que o Senhor a receba com júbilo em vossa Eterna Morada.

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