domingo, 31 de maio de 2015

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DE GARANHUNS

ESTOU RECEBENDO MUITOS  E-MAILS DE ESTUDANTES À PROCURA DE INFORMAÇÕES SOBRE A ORIGEM DO MUNICÍPIO DE GARANHUNS.
A PARTIR DESTA SEMANA ESTAREI PUBLICANDO ALGUMAS POSTAGENS SOBRE O REFERIDO  ASSUNTO.


Grande população de indígenas foi exterminada.

No meado do século XVI, o monarca D. João III, interessando-se pelo desenvolvimento do sertão do Nordeste, ordenou no Regimento entregue ao Governador Geral D. Tomé de Souza, em 17 de dezembro de 1548, que, "sendo de muita conveniência descobrirem-se as terras sertanejas, para esse cometimento, logo que chegasse ao Brasil, enviasse alguns bergantins com soldados da Milícia, pelo rio São Francisco acima, com línguas e práticos, fincando marcos e tomando posse das terras descobertas".

Sucedendo a D. Duarte Coelho, na Donataria de Pernambuco, seu filho Duarte Albuquerque Coelho o primogênito ainda no Reino, tratou logo desta conquista e, regressando à sua Capitania, uniu-se ao seu irmão, Jorge de Albuquerque Coelho, empreendendo no ano de 1560 uma grande expedição ao rio São Francisco.

"Nesta jornada", disse Pereira da Costa, "restaurou algumas pequenas povoações situadas à sua margem, em cujo número fique a do Penedo e, consequentemente, com uma campanha de conquista dos silvícolas se consumiram cinco longos anos, em cujas lutas percorreu o exército pernambucano as planícies, as montanhas e os desertos daquela zona sertaneja, desde os seus limites ao sul pelo mesmo rio, até o extremo norte, exterminando a grande maioria das populações indígenas que habitavam o vale".

Foi somente no ano de 1573, que o feudatário da Casa da Torre, Garcia d'Ávila, chegou a Sergipe, na margem direita do rio São Francisco, onde chantou marco de fundamento de sua Capitania.

 Casa da Torre, Castelo Garcia D’Avila, em Mata de São João-BA.

Quando Cristovão de Barros tomou posse do governo da Bahia, em 1590, empreendeu e conseguiu a conquista das terras de Sergipe, obtendo pelas vantagens da escravidão, a que foram submetidos os índios Caetés vencidos, poderoso incentivo para a vitoriosa empresa de que, efetivamente, disse Pereira da Costa, resultou avultado concurso de gente de Pernambuco e da Bahia.

Não podendo os selvagens resistir ao embate de um considerável exército, dispondo de grossa artilharia e de numerosas forças de infantaria e cavalaria, além de quase três mil índios frecheiros aliados, viram eles, inopinadamente, invadidas e taladas as suas terras, destruídas as suas aldeias e lavouras e, por fim, depois de uma defesa heróica em combates e assédios, saem vencidos, custando-lhes a terrível campanha cerca de três mil mortos e caindo prisioneiros e escravos quatro mil, que foram divididos pelos expedicionários, como vantagens da guerra".

Através, portanto, dessa inglória campanha de extermínio dos silvícolas e mediante a instalação dos currais de gado e penetração dos rebanhos, tangidos pelos valentes vaqueiros do Nordeste, é que se processou realmente o desbravamento daquela região ignota e feraz, consolidando-se a posse indiscutível dos vastos latifúndios devolutos, em face do direito adquirido pelo "uti possidets".

Esse foi o processo primário empregado pelos colonizadores para a conquista das terras sertanejas, mediante a outorga de sesmarias pelo Reino.

"A criação do gado", disse o Prof. Osório de Souza Reis, que foi a causa primordial da expansão geográfica do Brasil oriental, desenvolveu-se, a princípio, nas imediações da cidade do Salvador e, pouco a pouco, foi se estendendo a Sergipe, a Pernambuco e para o interior, ao longo do rio São Francisco. À medida que a criação se afastava do litoral, iam-se abrindo caminhos e fundando povoados, em torno de fazendas dos vaqueiros. Vida aspérrima, embora dura que a dos bandeirantes, passaram esses primeiros ocupadores do sertão".

"Não eram os donos das sesmarias", escreveu Capistrano de Abreu, "mas, escravos ou prepostos. Carne e leite havia em abundância, mas isto apenas. A farinha, único alimento em que o povo tem confiança, faltou-lhes a princípio, por julgarem a terra imprópria ao cultivo da mandioca, não por defeito do solo, mas pela falta de chuva, durante a maior parte do ano. O milho, a não ser verde, afugentava pelo penoso preparo naqueles distritos estranhos ao uso do monjolo. As frutas mais silvestres, as qualidades de mel menos saborosas, eram devoradas com avidez. Podem-se apanhar muitos fatos da vida daqueles sertanejos, dizendo que atravessaram a época do couro. De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro. De couro, todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforge para levar comida, a mala  para guardar roupas, a mochila para milhar cavalo, as peias para prendê-lo em viagem, as bainhas de facas, as bruacas e os surrões, a roupa de entrar no mato, os banguês para curtume, ou para apurar o sal; para  os açudes, o material de aterro era levado em couros puxados por juntas de bois, que calcavam a terra com o seu peso; em couro pisava-se tabaco para o nariz".

Quando Cristovão de Barros, no ano de 1590, iniciou a conquista daquela terra, as boiadas tangidas do sul já haviam ultrapassado o rio Itapecuru.

De 1590 a 1600, as campinas entre o rio Real e o São Francisco povoaram-se de tão numeroso concurso de pastores que, segundo Frei Vicente do Salvador, "desde  o ano de 1627, dali se provêem de bois os engenhos da Bahia e de Pernambuco, e os "açougues de carnes".

"O rio São Francisco", disse Pedro Calmon, "foi um polarizador. Nenhum outro rio do Brasil teve uma função histórica tão constante. A sua importância, como condensador de povos, pertence à Arqueologia da América".

"Gabriel Soares dá notícia da localização de populações naquele vale fértil, cimitarra de terras agrícolas, cortando o desolado sertão. Quase todas as raças indígenas do Brasil, excetuando-se apenas os Aruaques, ali se estabeleceram. Assim, os Gês, os Tupis, os Cariris e mesmo os Caribes perlustraram aquelas regiões ferazes. Cada uma dessas famílias, rivalizando com as vizinhas, conquistou, em tempos pré-colombianos, o seu direito de beber e pescar no rio providencial, espécie de torrente milagrosa, que ficava para além da caatinga inabitável, estrada móvel, enriquecendo com as cheias periódicas, como o Nilo, um solo salitroso e fecundo".

"De Pernambuco e da Bahia, os criadores seguiam, lenta mas seguramente, o rumo do São Francisco. Depois acompanhavam-lhes as margens. Embarcados, os primeiros chegaram à barra do rio Grande, subiram até o Carinhanha, remontaram às terras centrais que foram, mais tarde, as Minas Gerais. Nem para alcançar o São Francisco os nordestinos precisavam armar as suas bandeiras; o próprio deslocamento dos rebanhos e a necessidade de pastos, que tornavam as fazendas imensas, alargaram o âmbito do gado até o vale maravilhoso. Deveras, o São Francisco atraiu os rebanhos de Pernambuco, cujos engenhos passaram a dispor apenas dos bois necessários ao manejo dos trapiches, tanto que lá se abasteciam das boiadas inumeráveis, ao tempo dos holandeses".

"A Casa da Torre retomou, em 1627, os trabalhos do seu fundador Garcia d'Ávila e achou a comunicação com o São Francisco por Jacobina. Recolhera ela a experiência de Belchior Dias Moreira, que subira ou acompanhara  o São Francisco, entre a barra do rio Salitre e o Parnamirim, de lá trazendo histórias de minas de prata, que justificariam, por cento e cinquenta anos, expedições, pesquisas, caças de índios. O gado irrompeu com os sertanistas. As estradas de boiadas foram os caminhos definitivos. Pelos mesmos transitou o exército português, nas guerras com o flamengo invasor de Pernambuco e por eles rolou o povoamento, semeando aldeias e vilas por todo o nordeste".

Placa comemorativa a  restauração da Casa da Torre,
Castelo Garcia D’Avila, em Mata de São João-BA.
"A Casa da Torre", disse o Prof. Joaquim Silva, "foi, em meados do século XVII, um dos maiores centros de expansão pastoril para o Nordeste. Dessas terras foi que partiram para as suas grandes empresas os sertanistas Domingos Afonso Sertão, Domingos Jorge Velho e Matias Cardoso de Almeida".

Desde modo, começou o povoamento de Pernambuco, através da penetração do rio São Francisco, com o estabelecimento dos currais de gado e fazendas de criação, no vasto interior do Estado, subindo os vaqueiros os afluentes da margem esquerda e, uma vez descobertas as suas nascentes, transpuseram os seus divisores de água e alcançaram os cursos dos rios da bacia do Atlântico, pelos quais desceram.
(Fonte da Pesquisa: Livro "História de Garanhuns" de Alfredo Leite Cavalcanti).

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