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domingo, 12 de abril de 2015

O DIA DE RELEMBRAR A "DOCE PEDRA".


Por Igor Cardoso

Hoje foi o dia de relembrar a "doce Pedra" - para nos valermos da feliz expressão cunhada por Daguimar Vaz -, uma dessas municipalidades-relíquias que permanecem recônditas e - injustificavelmente! - quase que esquecidas em nosso interior.

A antiga Pedra de Puxinanã, posteriormente Conceição da Pedra, que já aparece referida como ponto de parada em um dos antigos roteiros de penetração descobertos por J. A. Gonsalves de Mello, isso relativamente ao segundo meado do Setecentos, é uma dessas paragens únicas do nosso Brasil: um pequenino e pitoresco lugar, que tão nordestinamente se ergue ao sopé de um paredão rochoso de mais de 600 metros, em cujo sopé abundam fontes de água mineral.

Essa paisagem tão peculiar - suficiente para prevalecer sobre a então pujante Delmiro Gouveia, em Alagoas, assumindo, desde os anos 1930-40, a emblemática designação de "Pedra" -, paisagem aliás escolhida a dedo pelo fundador Manuel Leite da Silva e que, há quase trezentos anos, a tantos impacta por sua monumentalidade e beleza, comigo não agiu diferentemente.

No recorrente "trajeto sentimental" entre Sertânia-Arcoverde e Garanhuns, o paredão e a cidadezinha que o abraça sempre fizeram parte de meu imaginário infantil. Lembro com muita saudade da vez em que o escalamos, de lá contemplando a bela ambiência agreste do entorno.

Na realidade, Pedra desponta, com sua unicidade, em uma das mais atraentes regiões de Pernambuco, cuja vedete é o famoso Vale do Catimbau, mas que também depara, entre seus pontos altos, a Serra do Tará, um dos mais altos contrafortes da Borborema; a Pedra Furada, em Venturosa, monumento natural caprichosamente esculpido pela natureza; e a magnífica constelação de serras do município de Alagoinha, todas de tirar o fôlego.

É uma pena, porém, que tão interessante zona não tenha sido, até o presente, contemplada por um roteiro que permita ao viajor absorvê-lo em toda sua magnificência. E o pior: no contexto regional, a pequenina Pedra acaba sendo a mais prejudicada, quase sempre preterida.

Ao conduzir amigos a Garanhuns, a passeio, sempre faço questão de esticar um pouco a viagem para voltar ao Recife descendo a Borborema pelo Tará, rente com o precipício, aproveitando para fazer uma parada na Pedra Furada, a caminho de Arcoverde. Pedra também é propositalmente incluída no circuito, e nunca decepciona: Nossa!, sempre exclamam todos. Recomendo a experiência.

Um burgo assim, cuja escolha para edificação decerto não foi aleatória, senão pensada de modo a fazer a diferença, e que, justamente por isso, já é um monumento por si só, obra-prima da natureza tão-somente adornada pela mão humana, não há de permanecer no esquecimento para sempre. Algum dia, a "doce Pedra" ainda há de ocupar seu merecido lugar no cenário pernambucano. Espero poder ver isso acontecer, para, aí sim, aplaudir de pé.

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