terça-feira, 3 de março de 2015

O CID'S BAR E A FUGA DA SOLIDÃO


Garanhuns década de 60 - Encontro no Cid's Bar - Av. Santo Antônio esquina com 13 de maio - por trás em pé da esquerda para direita: João Truaca, Cilindro, Aluisio Rocha, Zezé Cavalcante, Djalma, Diva, Alcides do do Cid's Bar. Na frente da esquerda para direita: João Reinaux, Antonio Carlos, Bamba com o menino, Saguin(Francisco), Antonio Elias, Eudes Capitó, Zezito zacarias(Matuto), Chico Veneno, Inaldo Bico Doce, Gercino Nogeuira, Antonio Maciel.

Ailton Guerra - 04/12/1976



No retangular Cid's Bar, inserido no contexto das Barmácias garanhuenses, vejo através do vidro da pipoqueira Diva, as pessoas que passam neste sábado urbano da Cidade das Flores.

A multiplicidade das faces faz com que eu não me sinta como uma ilha.

O aceno de mão, o como vai e o sorriso levam parte dessa minha interior solidão patológica. Peço uma sukita enquanto aguardo a chegada das costumeiras falas.

Não pedindo para nascer nem sabendo quando vai morrer o ser humano é, segundo o filósofo Erich Fromm, um eterno solitário.

Sendo assim, o óbvio ululante me  conduz à uma solução tampão, qual seja, repartir através do conhecer gente, esse exíguo espaço de tempo que me espera da terra que a Reforma Agrária já me presenteou desde os tempos idos, o cemitério.

As costumeiras falas, tornam-se uma necessidade que se impõe neste atual mundo cibernético, antes que os computadores comecem a trocar ideias falas sobre futebol, política, mulher, música e outras coisas mais o que seria terrível pois, fatalmente seríamos programados para ficarmos mudos.

Urge pois, que as costumeiras falas corram ao Cid's Bar, pois já pedi ao eficiente Lima uma sukita para acalmar minha ansiedade espera.

Como na novela fim tudo corre de acordo com o esperado; as  costumeiras falas, uma a uma vão chegando e ocupando seus lugares.

Humberto de Morais plebeu, jornalista crítico falando das soluções cosmopolitas, inimigo número um da palavra utopia. Dr. Eudes oposição na Câmara dos Vereadores, debatendo-se contra a influência espiritual do coronelismo nas eleições, já que a física, há muito tempo se  foi. Adelson do "O Monitor", me explica planos inovadores para a próxima edição. José Maria do Estado, declama Catulo e Zé da Luz diante da seleta platéia, enquanto ninguém ousa falar mal do verde "7 de Setembro". Gilvandir Luna Social, enquanto me fala de suas múltiplas atividades, espera que o pirata Rum Montila fuja do rótulo. Antônio "Universal", entre doses de cavalo preto e camarão me traz notícias de novos livros. Falcão do Banco do Brasil, elogia o lirismo de Chico Buarque ao mesmo tempo em que explica como conseguir cheque de ouro.

Clóvis Rosado, com suas doses de Camarão a todos escuta no seu silêncio sábio.

Entre essas e outras passageiras falas costumeiras, esqueço o tempo e as vezes, a minha obrigação feira fura o habitual horário deixando minha prole aflita.

Vem a despedida, um até logo ou as vezes um até amanhã.

Dirijo-me a registradora, onde D. Juracy mãe-pai proprietária explica a seus filhos que o trabalho dignifica as pessoas, enquanto vai guardando seus metais.

Já em plena Avenida Santo Antônio, o sol de quase dezembro me beija e o som da casa de disco do Vilela traz a voz do saudoso Milton carlos falando do não menos saudoso Café Nice do Rio de Janeiro.

Satisfeito, chego até esquecer o eterno solitário do mestre Fromm e a minha mente vem a ideia de que o Cid's Bar bem que poderia ser chamado do Café Nice da Cidade das Flores, se é já não existiu algum. Deixo aqui, ao estudioso Nelson Paes nas suas pesquisas garanhuenses, o pronunciamento da existência.

2 comentários:

  1. Adorei a sukita rsrssr se pudesse te avaliar,... começaria co ****** só 6 estrelas! Melhore...kkkk

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  2. Orgulho de ser neto da dona Juracy! Bela matéria sobre o cid's bar!

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