segunda-feira, 9 de março de 2015

LODÔNIO DE GARANHUNS



Nelson Paes Macêdo

Descendente de italianos, Lodônio, o vendedor de bilhetes da loteria, morava lá no alto da Boa Vista, bem perto da Igreja de São Sebastião. Um dos seus filhos o ajudava naquele trabalho, oferecendo nas ruas a esperança da fortuna nas vistosas tirinhas coloridas, os bilhetes também chamados de "Gasparinos". Da comissão daquelas vendas, garantia a manutenção da família e ainda ficava alguns trocados para tomar aguardente que o velho bebia todos os dias. Era na cachaça que ele afogava as suas mágoas, e elas sabiam nadar muito bem; se não soubessem de certo teriam "morrido" há muito tempo.

Seu corpo não resistindo a investida das "ondas", submergiu no mar da vida, não mais voltando à tona. Dali mesmo da Boa Vista, foi levado ao cemitério de São Miguel o seu nome humilde nunca foi esquecido. Ainda hoje, nas noites frias, nos botecos, nos bares ou no balcão da vendinha suburbana, um boêmio com o dedo polegar para baixo e o indicador para cima, dando a medida de um copo, está dizendo: "Bota aí uma daquela que matou Lodônio".
(Fonte: Jornal "O Monitor")

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