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Tuesday, January 13, 2015

ANA DAS CARRANCAS

Ana das Carrancas
Ana das Carrancas nasceu no dia 18 de fevereiro de 1923 na localidade Santa Filomena no município pernambucano de Ouricuri. Filha de uma louçeira e de um agricultor, começou a trabalhar aos sete anos de idade, ajudando a mãe a fazer potes e panelas de barro para vender na feira. Foi a partir daí que ela foi “pegando gosto” pelo barro. Da cerâmica utilitária, passou a produzir também pecinhas figurativas; eram bois, cavalos e santos de lapinha. Ana se casou aos 22 anos de idade com um pedreiro, mas ficou viúva muito cedo; com ele teve duas filhas: Maria da Cruz e Ângela. Depois de pouco mais de um ano da morte do primeiro marido, casou-se com o piauiense José Vicente de Barros, com o qual permaneceu casada até sua morte. Ana das Carrancas faleceu no dia 01 de outubro de 2008 em Petrolina-PE.

Ana das Carrancas trabalhando. Reproduçao fotográfica blog Centro de Cultura Ana das Carrancas.
Sua história é como a de tantos nordestinos, feita de luta, trabalho e fuga da seca. Quando Ana se casou com José Vicente a família morava em Picos-PI, mas devido às dificuldades financeiras, mudaram para Petrolina-PE em busca de uma vida melhor. Quando chegou a Petrolina, Ana era conhecida como “Ana do cego”, uma referencia a seu marido José Vicente que é deficiente visual. Ali, insistiu no trabalho com o barro, começou a fazer louça para vender na feira; “virou Ana louçeira”. Ganhava pouco com a venda das louças e por isso as dificuldades financeiras continuavam a perseguir sua família. Nos anos 60 Petrolina viveu uma série crise do barro, a qual obrigou a muitas louçeiras a optarem por outras alternativas de sobrevivência. Mesmo diante das dificuldades, Ana nunca aceitou que o marido fosse pedinte. Devota de São Francisco das Chagas e do Padre Cícero, ela pediu a eles que mostrassem uma forma de ganhar dinheiro para sustentar sua família. O pedido parece ter sido atendido.
Ana das Carrancas moldando uma de suas peças,
 Petrolina-PE. FOTO: Denise Adams.

Em uma de suas idas ao Rio São Francisco para buscar barro, ela sentiu uma forte inspiração ao ver as carrancas de madeira dos barcos que aportavam às margens do rio. Foi ali, debaixo de um pé de mussambê, que a história de Ana começou a mudar. Sentada à beira do rio, fez um barquinho de barro com uma carranca à frente, no qual colocou o nome de gangula. Em casa  todos gostaram e aprovaram a idéia. A partir daí, além dos potes e das panelas que já fazia, Ana passou a produzir carrancas de barro em grande quantidade, as quais eram comercializadas na feira.

A obra de Ana nem sempre teve o reconhecimento que tem hoje. Suas primeiras carrancas comercializadas na feira foram motivo de piada; os demais comerciantes diziam que era coisa de doido. Ana só ganhou fama ao ser “descoberta”, por volta de 1970, pelos técnicos em turismo Olímpio Bonald Neto e Francisco Bandeira de Mello, assessores do então presidente da EMPETUR (Empresa Pernambucana de Turismo), Eduardo Vasconcelos, que viajavam pelo sertão, em trabalho de pesquisa sobre o artesanato pernambucano. Com a fama, veio a oportunidade de participar de varias feiras em Pernambuco e em outros Estados brasileiros; as peças de Ana ganharam o mundo. Foi aí que Ana Leopoldina deixou de ser a “Ana louçeira” e passou a ser conhecida como a “Ana das carrancas”.

As peças de Ana das Carrancas são peças de aspecto rústico, criadas no estilo próprio da artesã, com formas simples, primitivas e com um detalhe importante: possuem os olhos vazados, em homenagem ao marido, José Vicente, que sempre participou ativamente de seus trabalhos, fazendo os bolos de barro para a confecção das carrancas.

Com suas peças em galerias, museus e coleções particulares, Ana conseguiu com sua força atingir às exigências da arte rústica, com seu currículo repleto de congratulações, homenagens, troféus e medalhas, como: o Troféu do Conselho Municipal de Cultura do Recife, a Ordem do Mérito Cultural (2005), e o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco (2005).

Parte de sua obra está abrigada no Centro de Artes Ana das Carrancas, inaugurado no ano 2000 em Petrolina. O centro também conta com um memorial composto por fotos, recortes de jornal, medalhas e troféus conquistados pela artesã. Suas filhas Maria da Cruz e Ângela Lima são as responsáveis pela administração do Centro. Elas também são ceramistas e, com a morte da mãe, dão continuidade à produção das carrancas no mesmo estilo das produzidas por Ana.

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