quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

GERALDO AZEVEDO, 70 ANOS DE CANTO E POESIA



Por Bruno Negromonte                                                                                                                           

Quem tem a oportunidade de conhecer Geraldo Azevedo de imediato esquece o artista e apaixona-se por uma pessoa que tem por característica uma simplicidade imensurável. O artista que vem contribuindo de modo consistente para a boa música popular brasileira nas últimas cinco décadas fica em segundo plano, pois o ser humano Geraldo Azevedo transpassa sua consistente obra e arrebata os corações de todos que tem esse privilégio. 

                           

Depois da famosa ponte que liga Petrolina à Juazeiro, Geraldo Azevedo é, sem sombra de dúvida, um dos elos mais vigorosos existente naquela mesorregião do São Francisco. Oriundo de Petrolina, cidade localizada a mais de 700 quilômetros da capital pernambucana e de clima semiárido quente, Geraldo cresceu neste município localizado na unidade geoambiental da chamada "depressão sertaneja", unidade que é formada pelas principais características do semiárido nordestino e dono de algumas das principais ilhas do São Francisco.

O mesmo São Francisco que banhou e substanciou sua sonoridade e poesia, uma arte que na medida que foi sendo desenvolvida soube, como poucas, unir os costumes e a cultura do sertão com a cena cultural do litoral. Sob a benção de Dona Nenzinha de Jatobá, em um domingo de lua (como ele bem descreve em "Barcarola de São Francisco"), Geraldo Azevedo seguiu seu destino tal qual descrito na referida canção para representar e defender a cultura de sua terra agregando outros valores acumulados em suas experiências pelos quatro cantos do planeta.

Foi a partir de suas origens, bebendo da fonte cultural nordestina que o artista acabou tornando-se universal como hoje é possível perceber-se em seus registros fonográficos e audiovisual ao longo dos últimos quarenta e três anos, desde que ele lançou em parceria com o também pernambucano o disco "Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

Autodidata, com 12 anos de idade já estava tocando violão. Aos dezessete, ainda em Petrolina começou a fazer parte do grupo Sambossa, tocando os dissonantes acordes da bossa nova. Pouco tempo depois, objetivando os estudos Geraldo chega a efervescente capital do seu estado ainda na década de 1960 e nela tem a oportunidade de conhecer de perto a cena cultural existente a partir de nomes como Naná Vasconcelos, Marcelo Melo e Toinho Alves, músicos do Quinteto Violado; Teca Calazans, Carlos Fernando entre outros a partir do grupo folclórico Grupo Construção.

Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com a cantora Eliana Pittman. Em seguida, juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin, formando o Quarteto Livre acompanhando o cantor Geraldo Vandré em diversos shows. No ano seguinte tem sua primeira composição, feita em parceria com Carlos Fernando, é gravada por Eliana Pittman ao vivo pela Copacabana. 

Nos anos de 1970 tem a oportunidade de participar do Festival Universitário da TV Tupi com as composições "78 rotações" e "Planetário" ao lado do conterrâneo Alceu Valença. A boa performance da dupla chamou a atenção da gravadora Copacabana que em 1972 possibilita a dupla gravar o primeiro LP de ambos.

Esse era o primeiro passo para uma exitosa trajetória que acabaria consolidando o seu nome entre os grandes nomes da música popular brasileira. Seu primeiro LP solo viria a ser lançado só cinco anos depois a trazendo como grande sucesso "Caravana", outra canção em parceria com Carlos Fernando e que fez parte da trilha sonora da novela "Gabriela", da TV Globo.

A partir daí vem acumulando diversos sucessos em sua carreira e participando dos mais distintos projetos musicais sempre de modo exitoso. Quem ouve Geraldo Azevedo ouve o eco de muitos anos de história. Do grito corajoso das canções feitas nos chamados “anos de chumbo” da ditadura militar às músicas românticas ou dançantes compostas em tempos democráticos, a obra desse petrolinense continua marcando gerações.

São mais de 50 anos de parcerias bem-sucedidas, com nomes como Luis Gonzaga, Geraldo Vandré, Alceu Valença, Elba Ramalho e Zé Ramalho. Depois de meio século de trabalho, ainda hoje, sua “Canção da Despedida”, composta com Geraldo Vandré, é entoada como hino de manifestações de protesto. Mesmo mais de três décadas depois de ser criada, a música “Dia Branco” ainda embala o casamento de apaixonados de todo o país. 

Geraldo Azevedo hoje é sem sombra de dúvidas um dos artistas que mais representa os ritmos tão propagados na região Nordeste. Seja o frevo ou o forró, sua arte tem embasamento suficiente para representar cada acorde advindo do seu virtuoso violão. 

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