The 3 Week Diet

Tuesday, December 2, 2014

ANTÔNIO SOUTO FILHO (SOUTINHO)

Foto: Antônio Souto Filho, D. Chiquita com os filhos Souto Neto,
Esther e Gerusa(no colo),e a professora Celeste Dutra na casa
da Praça Dom Moura, 44.

O Dr. Antônio Souto Filho, nasceu neste município, em 29 de agosto de 1885, era filho do Coronel Antônio da Silva Souto, o primeiro prefeito deste município no regime republicano, membro da mais antiga família local, denominada mochileiro.

Quando ainda estudante da Faculdade de Direito do Recife, pela qual se bacharelou em 6 de dezembro de 1903, o Dr. Souto Filho foi um dos fundadores do "Garanhuns", primeiro jornal que circulou no ano de 1905, assim como depois o foi do "Sertão", em 1909, e "O Jornal", em 1911.

Iniciou a carreira política em 1911, como oficial de gabinete do então Governador do Estado, General Emílio Dantas Barreto, tornando-se, daí por diante, prestigiadíssimo chefe político do Município. Eleito em 1916, deputado estadual, exerceu o mandato até o fim, em 1920, quando foi nomeado Curador Geral dos Órfãos.

Em 1927, foi eleito senador estadual. Mesmo depois da vitória da revolução de 1930, sendo adversário dos que governavam o Estado, foi eleito deputado à Constituinte Federal, e, em seguida, em 1933, deputado federal, no Congresso dissolvido pelo golpe de estado de 1937.
O Dr. Antonio Souto Filho faleceu em 19 de julho de 1937, no Recife onde residia, sendo sepultado no cemitério de Santo Amaro.

Como homenagem à sua memória, o governo Municipal deu o nome a uma das suas praças. Posteriormente, muitos correligionários e amigos aventaram a ideia da colocação do seu busto no referido logradouro, o que mereceu completo apoio dos familiares, principalmente do genro, o deputado Federal Adelmar da Costa Carvalho que o mandou esculpir em bronze, pelo escultor brasileiro Edson Paiva e solenemente o fez colocar na referida praça no ano de 1949.

Souto Filho voltava de forma triunfante à cena política em 1933.



Dr. Antônio Souto Filho


Em janeiro de 1933, no Recife, Souto Filho(foto) é um dos fundadores e vice-presidente do Partido Social Republicano de Pernambuco, em oposição ao Partido Social Democrático, criado por Carlos de Lima Cavalcanti.

Ele estava pronto para mais uma luta eleitoral. Desta vez, por um partido de Oposição e candidato à Assembléia Nacional Constituinte nas eleições marcadas para 3 de maio daquele ano, as primeiras com o advento do voto secreto e livre do eleitor.

Não seria bem assim. Acontecia que ao ser chamado, o eleitor assinava o nome na lista de comparecimento e recebia das mãos do fiscal do partido do Governo, uma chapa para ser colocada na urna que ficava sobre a mesa de votação, à vista de todos. Não havia as chamadas cabines de votação. Tudo era claro e ostensivo. O eleitor de oposição tinha que levar a sua própria cédula ou consultar a papeleta que continha os nomes dos candidatos de todos os partidos. 

Votar contra o Governo era um ato difícil e de coragem. Quando terminava a votação, o sistema permitia que os mesários, a maioria governista, completassem as listas de votação, assinando e votando pelos que ficaram em casa. Os próprios mesarios abriam as urnas, contavam os votos e redigiam as atas. A revisão do resultado só ocorreria tempos depois nas Comissões de Verificação da Câmara. Mesmo assim, não deixava de ser um avanço em relação ao processo que ocorria na República Velha.

Chega o grande dia. As eleições, em todo o Estado, transcorrem de forma tranquila. A Imprensa acompanha com liberdade e as manifestações dos eleitores em favor de candidatos são respeitadas. Começavam a chegar ao Palácio da Justiça, local da apuração, os primeiros resultados da contagem de votos de várias regiões do Estado. 

Souto Filho foi o único candidato da oposição eleito para a Assembléia Nacional Constituinte. Cristiano Cordeiro obteve votos suficientes para se eleger, entretanto, por ser comunista e candidato por partido avulso, foi vítima de uma manobra que lhe tirou a vitória. Sobre a conquista de Souto Filho, no dia 6 de maio, o Jornal Pequeno registrava na primeira página: “Ontem, à tarde, em todos os recantos da Cidade, o assunto obrigatório nas conversações foi a vitória eleitoral do Dr. Souto Filho que ultrapassou o quociente eleitoral adquirindo 3.921 votos em primeiro turno. Foi o Jornal Pequeno de ontem quem deu, em primeira mão, essa notícia que causou surpresa no Recife inteiro”.

No mesmo dia, também na primeira página, o Diario de Pernambuco destacava: “No 1º turno, apenas foram eleitos os candidatos João Alberto, Barreto Campello, Agamenon Magalhães e Souto Filho”. Já o Jornal do Commercio, também do dia 6, narrava o clima de euforia dos admiradores de Souto Filho: “Sufocado quase pela avalanche de amigos e correligionários, que no afã de cumprimentá-lo não lhe davam trégua sequer para um suspiro, o prestigioso líder garanhuense, assim mesmo, ainda teve tempo para, numa rápida fuga, nos conceder alguns minutos de palestra, atendendo a uma solicitação nossa”.

Souto Filho voltava de forma triunfante à cena política. Seus adversários teriam que engolir aquele sapo, mas o vinho do Porto quem iria tomar era ele, na sua Garanhuns, junto com a família e centenas de admiradores, na festa da vitória do filho ilustre que estava sendo preparada pelos seus amigos Manoel Agripino do Rego Barros, Luiz Guerra, Elpídio Branco, José Marques de Oliveira, Lafayete Rezende, Francisco Figueira, Ary Barreto, Abdias Branco, entre tantos outros.


Em carro especial atrelado ao comboio da Great Western, Souto Filho, junto com sua família e amigos, segue com destino a Garanhuns. Nas estações de Canhotinho e Angelim, recebe grandes manifestações de apoio. Após a chegada apoteótica em Garanhuns, formou-se um grande cortejo em direção à sua casa, com direito a banda de música e foguetório. Durante a festa, realizada na sede do Sport Clube de Garanhuns, o melhor na época, Souto Filho pronunciou um discurso que traduzia todo o seu sentimento em relação aos dissabores que havia sofrido e a vitória recente.

Eis os principais trechos, selecionados por sua filha Gerusa em seu livro "Memórias de Amor":

“Há pouco mais de três anos, quando eleito à Câmara Federal, dissolvida pelo poder das armas, os meus conterrâneos me ofereceram um banquete nesta cidade, no qual, diga-se de passagem, vi alguns convivas, que aqui não vejo. Naquele tempo, eu era um candidato do partido dominante e tinha nas mãos dos amigos todas as posições oficiais. Poder-se-ia dizer que ontem eu teria recebido um repasto de áulicos, mas, hoje, quando estou distante do poder, e por ele injustiçado e combatido, ninguém dirá que esta festa não seja uma viva expressão do sentimento de Garanhuns com o seu modesto filho, que, no decorrer da sua vida pública, sempre procurou honrar e engrandecer o rincão natal. É que a eloquência da de agora, ressalta menos do fato em si mesmo, do que do momento e condições em que é feita. A de hoje vale mais do que a de ontem, tanto para vós, como para mim. Com o revés de outubro de 1930, advém-nos uma quadra de pleno arbítrio, na qual, ficamos sujeitos a toda sorte de achincalhes, de perseguições, de violências, de difamações, pondo-se no pelourinho das torturas morais, a honra dos vencidos, exceto a daqueles que, por fraqueza ou conveniência, foram se engajando nas fileiras dos vencedores. Crivaram-nos com todos os defeitos e imputaram-nos de todos os desmandos, crimes e malversações, numa orgia satânica de ferir, denegrir e inutilizar, sem se lembrarem do que mais alto do que a injúria soez, há de falar a sociedade em que vivemos, testemunha incorruptível e serena dos erros e acertos dos nossos serviços e desserviços, dos nossos defeitos e qualidades. E já começou a falar, apesar de todas as coações exercidas contra os nossos amigos. Os nossos adversários esperavam, que o processo de ultraje fosse suficiente para nos incompatibilizar com a opinião pública da nossa querida terra e que os sofrimentos morais vos abatessem o ânimo viril e vos matassem todas as aspirações, decorrentes do direito de cidadania. A todos prometo que, no seio da Assembléia Nacional Constituinte, procurarei desempenhar o mandato, com que me honraram, de conformidade com as minhas forças e de acordo tanto quanto possível, com o programa do partido, que inscreveu o meu nome no rol dos seus candidatos. Não darei lustre à investidura, mas me sinto com as necessárias forças morais para exercê-la com probidade e patriotismo, sem me deixar arrastar pelos desvarios da paixão partidária e sem me subordinar a outros interesses que não sejam do Brasil, ávido de ordem para prosperar, de direito para viver e de liberdade para respirar. Nas resoluções desta Constituinte, que vai dar ao País politicamente desorganizado, o estatuto básico dos seus destinos, o meu voto e os meus esforços se somarão aos daqueles que propugnarem pelo restabelecimento das normas sábias e liberais da velha Constituição, que, a meu ver, só merece ligeiras modificações, reclamadas umas pela experiência da vida federativa e outras forçadas pelas circunstâncias do momento político. É possível que seja forçada a válvula fechada, como se fez na Constituinte 90/91 e a Nação possa começar a pôr seus delegados a se manifestar mais livremente. Do anteprojeto constitucional, também mandado elaborar pelo Governo provisório pouco ou nada se conhece, mas, é de crer, que, não venham, em seu contexto, inovações exóticas ou dispositivos atentatórios da nossa crença religiosa e dos direitos de segurança, liberdade e propriedade tão caros a comunhão brasileira e tão resguardados pela Carta Política, que a revolução espatifou. Destes-me, meus caros amigos, a vitória e ainda me festejais. Assinalas-te, assim, o ponto culminante de toda minha carreira política. Se pudesse encerrá-la hoje, recolher-me-ia à vida privada, sobranceiro e compensado de todas as suas agruras, abraçando os amigos que me elevaram e até perdoando os adversários, que, em vão, tentaram me desconceituar por todos os meios e modos. Mas isto não é possível: seria egoísmo, desprimor e fraqueza, seria não corresponder a vossa confiança e não ser digno dos vossos ingentes sacrifícios. O meu lugar, é ao vosso lado. Agora e sempre.”
Fonte: Livro "Memórias de Amor" de Gerusa Souto Malheiros.

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