sábado, 6 de dezembro de 2014

20 ANOS SEM TOM JOBIM

Por Nelson Motta

               


Conta-se que certa vez Frank Sinatra interrompeu um show em Nova York para anunciar que na platéia estava o maior compositor do mundo: Antonio Carlos Jobim. Na segunda-feira, dia 8 de dezembro, faz 20 anos que perdemos Tom Jobim, mas suas músicas ainda deixam o mundo um lugar mais bonito. 

Quanto mais o tempo passa, mais se valoriza a obra musical de Tom Jobim, como o compositor mais influente da música brasileira no século 20,  que levou a bossa nova à consagração internacional. Vinte anos depois da sua partida, "Águas de Março" e "Garota de Ipanema" continuam entre as músicas mais populares do planeta.

Tom Jobim foi o homem mais bonito de sua geração e um dos mais inteligentes e talentosos. Apaixonado por Cole Porter e Gershwin, Debussy e Ravel, Tom queria ser arquiteto, mas com seu piano construiu a mais bela catedral da música brasileira.

Mas foi seu encontro com o poeta Vinícius de Morais, em 1956, que mudou a sua vida – e a música brasileira – com o musical "Orfeu da Conceição", lançando a bossa nova para o mundo.

Em 1964, competindo com os Beatles, os Rolling Stones e Elvis Presley, Tom Jobim ganhou o Grammy de Música do Ano com a "Garota de Ipanema".

Em seguida, Frank Sinatra, depois de gravar os songbooks de grandes mestres americanos, dedicou dois albuns à obra de Tom Jobim.

Consagrado pelos grandes nomes do jazz americano, Tom Jobim deu a melhor resposta aos nacionalistas que acusavam a bossa nova de ser uma cópia do jazz: depois da bossa nova, o jazz é que nunca mais foi o mesmo.

Poucos brasileiros fizeram tanto pelo Brasil como Tom Jobim, mas poucos foram tão agredidos pelo sectarismo nacionalista como ele, que o fez concluir, com seu humor e ironia, que no Brasil, sucesso é ofensa pessoal.

Com seu gênio melódico e harmônico e seu piano minimalista, Tom Jobim estabeleceu novos e altíssimos padrões de qualidade na música brasileira, e se tornou a maior referencia de todos os grandes compositores que vieram depois dele.

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