sábado, 22 de novembro de 2014

FRANCISCO GROSSI "O CHICÓ"

Prédio onde em novembro de 1912  Chicó  inaugurou o Cinema Grossi.
Filho dos  italianos, Rackel e Raphael Grossi, Francisco Grossi, nasceu na cidade de Correntes em 1891 e aqui chegou em 1905, para onde se mudaram seus pais.

E aqui chegando, muito jovem, inteligente e ativo, Chicó integrou-se ao Cinema Guaraní, uma casa de espetáculo que ficava onde funciona hoje o INSS.

Fundou em novembro de 1912 o seu próprio cinema, o CINEMA GROSSI, localizado à Rua Barão do Rio Branco, atual Av. Santo Antônio, no prédio onde funcionava a conhecida Casas Zé Araújo.

A princípio a tela ficava logo na entrada, isto é o espectador ao entrar virava-se para tomar assento às cadeiras. O salão de projeção era amplo, forrado; uma estrela no centro formada por pequeninas lâmpadas multicores; ventiladores GE nas paredes laterais. Uma enorme campainha elétrica tocava insistentemente até começar a projeção cinematográfica. O Sr. Antônio de Lima Penante, que era comerciante à Rua Dom José, ajudava Chicó, vendendo ingressos e o seu filho Zé Penante, o dono do Buffet, enquanto o Sr. Santino José de Oliveira (Santino Mucurí) atuava como porteiro.

O Cinema Moderno, o concorrente, posteriormente denominado de Politeama, situado a Rua Santos Dumont, arrendado ao Dr. Sá Carneiro, um dos diretores do antigo Sindicato Agrícola e Pastoril de Garanhuns, recebia tremenda "guerra" por parte de Chicó quando este promovia o Cinema Sirí que constituia em a tela ao ar livre com a exibição de filmes de graça para o povo.

E numa noite tentaram rasgar a tela e a confusão foi enorme. Gritos correria, objetos deixado no local, um Deus nos acuda.

O Cinema Grossi exibiu filmes inesquecíveis: Honrarás tua mãe, A Povoação que esqueceu de Deus, Os Miseráveis, A Orfanzinha, A Dama das Camélias, entre outros; os seriados Herança fatal, O Telefone da Morte, Os 3 Corações, A Casa do Ódio, Elmo o Poderoso, A Sedução do Circo, A Bala de Bronze, A Moeda Quebrada, etc. Os ídolos do público eram: Eddio Polo, Tom Mix, Buc Jones, George Walsh, Harold Lioyd, Charles Chaplin, Chico Boia, Jonh Gilbert, Rodolfo Valentim, Harry Carey, Hoot Gibson, Douglas Bairbanks, Theda Bara, Glória Swanson, Mary Pickford, Pola Negri, Bebe Daniels, Marie Walcamp, os Italianos Tulio Carminati, Dullio Lombardi, Francesca Bertini, Pina Minichelli, Ala Nazinova, o dinamarquês Waldemar Psilander e outras expressões da sétima arte.

Não só de cinema, teatro também. Chicó ficava feliz em proporcionar aos garanhuenses os mais belos espetáculos, desse lucro ou acarretasse prejuízo. E assim trouxe o grande violista Sandri, da Companhia São Pedro de Roma, de passagem pelo Recife, a Companhia Leoni Siqueira, com um elenco de grandes artistas, principalmente bonitas mulheres, cuja revista Bataclan revolucionou a então pacata cidade de Garanhuns, Troupe Centenária, uma grande Companhia Argentina, Companhia de Marionetes, o atleta Italiano Vittorio Segato, promovendo inclusive uma luta grego-romana com outro italiano o De Mario, só para citar algumas atrações que estiveram entre nós. Interessante é que Chicó convencia sempre a esses artistas a visitarem Garanhuns, indicando-lhes principalmente o clima para uma estação de repouso.

O Hotel Familiar que era conhecido como Chalet Grossi localizava-se na Avenida Santo Antonio, ao lado direito da catedral de Santo Antonio. O prédio foi construído para ser a residência da família Grossi, família italiana que morou em Garanhuns, desde os idos de 1905.

Como fotógrafo, ninguém o superou. Tanto assim, viajou à Itália onde fez um curso de cinema e fotografia em grandes laboratórios italianos. E como fato extraordinário, foi ter sido o pioneiro, ou pelo menos um dos pioneiros da cinematografia em Pernambuco e no norte e nordeste do país, quando fundou a sua "GARANHUNS FILMES" e produziu vários filmes de curta metragem, aspectos naturais e documentários entre outros: a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade do recife, a cachoeira de Paulo Afonso, no qual focalizou a fábrica de linhas de Delmiro Gouveia, a chegada do Dom João Tavares de Moura, primeiro bispo Diocesano de Garanhuns, Garanhuns Industrial e Agrícola a com aspectos da inauguração da estrada Garanhuns-Brejão, empreendimento do prefeito Luiz Correia Brasil.

E não ficaram aí as atividades de Francisco Grossi em prol da comunidade garanhuense. Mesmo antes do Cel. José de Almeida Filho e do Dr. Ivo Rangel fundarem a Empresa de Melhoramentos em Garanhuns, concessionária do serviço de abastecimento d'agua, luz e telefones, já havia Chicó iniciado o fornecimento de energia elétrica a uma parte do comércio local e algumas residências, utilizando o motor Otto - Deutz de 10 HP que alimentava o cinema.

Como estava sempre a movimentar a cidade, instalou um bem organizado boliche no sagão do cinema, com moças, vestidas com blusas de clubes esportivos.

Pelo carnaval, o Chicó era todo alegria com batalhas de confete, serpentinas, lança-perfumes e getone. As melhores famílias locais se entregavam aos folguedos, sem se falar nos bailes que realizava. No último baile carnavalesco que realizou, Chicó fantaziou-se de Tio Sam e a esposa de roleta. Carros alegóricos os mais imponentes.

Nas festas de Natal e Ano Novo, instalava bazar de prendas, quermesse, pastoril etc.

Época em que a artéria principal, hoje Santo Antônio se constituia em ponto de elegância da cidade com os figurões, pessoas da maior representação social passeiavam às tardes de domingo e feriados, cada qual apresentando suas indumentárias, espécie de desfile de elegância, registrava-se a presença do Dr. Souto Filho, Maestro Fernando Jouteux, Francisco Grossi, Euclides Manjaleeú, José da Rocha entre outros, envergando fraques. Mas, se o motor do cinema apresentasse defeito, lá estava Chicó para consertá-lo, mesmo que sujasse o fraque de óleo.
Político moderado, Francisco Grossi, foi Conselheiro Municipal em 1922 hoje cargo de Vereador e apoiou o candidato Dr. Rocha Carvalho para prefeito.
Fonte da Pesquisa: Livro "Os Aldeões de Garanhuns" de Alberto da Silva Rêgo.

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