terça-feira, 11 de novembro de 2014

CABO COBRINHA

Cadeia Pública - Palco da Hecatombe -
Destruída em 1917 - Atual sede da Compesa

O Cabo de Esquadra Antônio Pedro de Souza, o Cabo Cobrinha, ingressou voluntariamente na então Força Policial do Estado de Pernambuco em 1º de dezembro de 1909. Em 25 de novembro de 1911 foi promovido a Aspençado(antiga graduação entre Cabo e Soldado), e em 27 de novembro de 1911, a Cabo de Esquadra.

Em 15 de janeiro de 1917, estava destacado em Garanhuns, onde à frente de uma heróica esquadra, sob seu comando, constituída dos soldados Ezequiel Cabral de Souza, Pedro Antônio Dias, Francisco Maciel Pinto e Manoel João de Oliveira, defendeu a cadeia pública contra o assédio de mais de uma centena de cangaceiros, escrevendo com o seu sangue e dos demais defensores da cadeia , uma das páginas mais memoráveis e heróicas da Polícia Militar de Pernambuco.

O trágico episódio ficou registrado nos anais da história pernambucana como a "Hecatombe de Garanhuns", uma vez que após o sacrifício da guarda, todas as pessoas que estavam refugiados no citado estabelecimento foram selvagemente exterminados.

Sob as ordens de Vicente de Tal, vulgo Vicentão, os cangaceiros dirigiram-se a cadeia, onde se achavam os infelizes destinados ao matadouro.
Ao chegar defronte a cadeia, Vicentão, medonho de ver, chapéu de couro enterrado na cabeça, rifle em punho, interpelou Cabo Cobrinha, que encontrava-se na porta da cadeia: "então entra nessa meleca ou não? ao que respondeu o policial:"só depois de passar por cima de meu cadáver". E partiu o primeiro tiro. A luta foi renhida e desigual. Mais de 100 facínoras, contra a guarda da cadeia com 5 homens. O tiroteio durou meia hora. A guarda, o cabo Antônio Pedro de Souza, o "Cabo Cobrinha", comandante do destacamento e seus companheiros, todos os soldados da polícia, aceitou com nobreza e bravura, o quinhão desigual e trágico que o destino lhe oferecia. Antônio Pedro de Souza tombou igualmente. Só depois de passar pelo cadáver do Cabo Cobrinha, os vândalos entraram na cadeia de Garanhuns.

Sangrando-no perversamente depois de morto, colocaram-no de bruços a porta da cadeia. A coice de rifle e punhais mataram os refugiados Sátiro Ivo, Manoel Jardim, J. Veloso, Júlio e Argemiro Miranda, Luiz Gonzaga e o médico Borba Júnior.

A matança foi completa e impiedosa, os sicários do déspota Júlio Brasileiro mataram homens inocentes, manchando assim a história de garanhuns com uma nódoa jamais apagada da memória do nosso povo. Portanto, o Cabo Cobrinha escreveu o seu nome na história de Garanhuns com o seu ato de heroísmo.
Fonte: Jornal Cidade.

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