The 3 Week Diet

Monday, November 3, 2014

CORONEL JÚLIO EUTÍMIO DA SILVA BRASILEIRO

Coronel  Júlio Brasileiro
Não se pode falar dos Brasileiro, sem uma referência especial ao Cel. Júlio Brasileiro, irmão de Hermínia Lins. Júlio Brasileiro nasceu em 1867, e sendo homem de capacidade empreendedora, tanto na política como nas finanças, logo ascendeu a um posto de destaque na sociedade local.
Júlio Brasileiro era o chefe inconteste de um clã numeroso. Homem de bem, honesto, inteligente e probo, na sociedade local. Deputado Estadual, havia também sido eleito para o cargo de prefeito da Cidade de Garanhuns, uma das mais prósperas e ricas do Estado, em que foi vitorioso por 1.114 votos, mas que foi anulada, ganhando definitivamente na 2ª, eleição de 1917.

Por desavenças entre o capitão Francisco Sales Vila Nova  de  Melo e um dos seus irmãos, na noite de 14 de janeiro de 1917, no terraço do “Café Chic”, na Praça da Independência, o dito capitão puxou quatro vezes o gatilho do seu revólver. Foi o coronel Júlio Brasileiro  alcançado por dois tiros na boca, um no peito esquerdo e outro no abdômen. Puxou  também o seu revólver contra o criminoso, porém logo tombou morto na calçada do hotel.
O assassino foi preso e atuado em flagrante e recolhido ao quartel do 1º Corpo de Polícia.
A cidade de Garanhuns se tumultuou com a notícia do bárbaro crime político que procurava aniquilar a liderança dos Brasileiro.

Telegrama é dirigido ao Desembargador  chefe de polícia:

“Cidade invadida por pistoleiros. Grande tiroteio, mortos e feridos. Peço urgente providência. Acho insuficiente destacamento. a) Meira  Lima, delegado de polícia de Garanhuns”.

Outro telegrama para o Governador Manoel Borba: “Indignação causada assassinato Júlio Brasileiro confragou cidade. O povo alarmado procura vingar-se. Comércio fechado. Forças impotente conter ânimos. Peço providências urgentes aumento força ante chegada trem conduz cadáver. Mandei assumir exercício todos os suplentes melhor garantia ordem. Mirandas , Jardins, indicados povo responsáveis assassinato; ameaças também minha vida – a) Abreu e Lima, Juiz de Direito; Pacífico Santos, promotor público; Meira Lima, delegado de polícia”.
Mas o que aconteceu neste intervalo em Garanhuns? O ódio faz frutificar o ódio. Os brasileiro se vingam do hediondo assassinato.

Chegando a Garanhuns as primeiras notícias do homicídio cometido contra o Coronel Júlio Brasileiro, a cidade de Garanhuns é invadida por amigos do morto, fortemente armados e municiados. Calcula-se que este número atinge mais de 200, que procediam de Água Belas.
Andam pelo centro da cidade, de fisionomias carregadas e hostis, sobraçando pistolas, punhais, rifles. Não faltam pistoleiros, com Jorge Vaz, Zé Correia e  Vicentão. Vieram de Brejão, onde Júlio Brasileiro  tinha uma rica fazenda e de Água Belas.

O pânico foi aumentado progressivamente, apesar das tentativas do Cônego Benigno Lira  a fim de suavizar os ânimos em desentendimento.

Algumas figuras, acusadas do crime, especialmente os Mirandas e  Jardins, justamente atemorizados, se recolhem à cadeia local, buscando proteção, até passar a violência do perigo. Assim procederam os negociantes Júlio de Miranda, Argemiro de Miranda, Sátiro Ivo e Jardim e o seu sobrinho Gonzaga Jardim, o ex-sargento Araújo, Presciliano Josué, ajudante da estação de Glicério, e um cidadão chamado Arthur, operador do cinema “Moderno”. Depois chegou à cidade o médico dr. Borba Junior, com um ferimento na cabeça, proveniente de pancada, preso para averiguações. Soldados guarnecem a cadeia.
Dá-se o assalto à cadeia, por cerca de 200 homens armados, morrendo logo de início o Cabo Cobrinha com um ferimento na cabeça. Argemiro de  Miranda toma-lhe o fuzil e luta heroicamente. É ferido na mão direita, continua a atirar com a mão esquerda, mas logo é ferido mortalmente. Morrem ou ficam feridos os sitiados, em uma luta de meia nora. A cadeia é invadida, e os feridos são eliminados a golpes de punhal, incluindo o fazendeiro Gonzaga Jardim. Ao todo, morreram 18 pessoas. Os seus corpos são jogados em carroças de lixo e levados em meio de gritaria semi-selvagem ao pátio da Matriz, onde vão ser chorados convulsivamente pelos amigos e parentes, filhos e viúvas.

A tropa enviada do Recife chega tarde, sob o comando do Tenente Teófanes Torres. A princípio 10 soldados, depois outros 50, finda com todos ao final com 150 homens.
Enorme multidão ocorre ao enterro de Júlio Brasileiro, dada a estima que desfrutava. No dia seguinte se realiza o sepultamento das 18 vítimas da dolorosa tragédia.

Diversos pistoleiros são presos ou procurados pela polícia: Zé Correia, Manoel Fogueteiro, Vicente e Antônio Rosas. Um outro, apelidado por “caju”,  de nome José Brasilio da Silva, e que havia morto a punhal os sobreviventes da cadeia, foi morto em combate com a polícia.

O Governador de Estado, Manoel Borba, nomeia uma comissão para apurar as responsabilidades dos fatos ocorridos, constituída do dr. José Francisco Ribeiro Pessoa, Juiz de Direito de Gravatá, dr. Severino  Tavares, promotor público em Pau d”alho e dr. João Paulo Nunes de Melo, escrivão da repartição central da Polícia.
Ana Duperron Brasileiro
Esta comissão publica um enorme Relatório com 122 páginas, no mesmo ano da tragédia, publicada pela Imprensa Industrial, de Nery da Fonseca. Tendo um exemplar, aliás raro, da obra, comentada a lápis por meu avô Leopoldo Lins. O relatório indica 63 corresponsáveis do crime, entre eles a viúva do Coronel Júlio Brasileiro de nome Ana Duperron Brasileiro, afora os parentes do mesmo: Capitão Eustáquio  Brasileiro Viana, Alfredo Brasileiro Viana(vulgo Doca), tenente Álvaro Brasileiro Viana, José Brasileiro Viana,  genro do finado, a fim inúmeros amigos do inditoso deputado.

Esta foi a dolorosa consequência da tragédia. Garanhuns mergulhou num sentimento de tristeza e solidão, uma arca de tristeza rodeou os Brasileiro pela perda irreparável de seu chefe.
Ainda hoje o acontecimento é dolorosamente relembrado pelos jornais, a fim de retrazê-lo ao conhecimento do público. O Diário de Pernambuco, de 01 de janeiro de 1967, publicou longa reportagem a respeito, ilustrada de fotografias.

A casa de residência do Cel. Júlio Brasileiro, de onde saiu o seu enterro, ainda hoje existe, à av. Stº Antônio 261, em Garanhuns, é uma bela e sólida residência bem conservada, embora sem pertencer à família. Também foi dono da fazenda “Brasileiro”, belo chalet de porta e 4 janelas, rodeado de alpendres, cuja fotografia se pode ver no Álbum do Município de Garanhuns ( Garanhuns, 1922 ), da autoria de Abdisio Vespasiano  e Álvaro Lemos.

O clã dos Brasileiro deixou ainda inúmeras descendentes. Entre eles se destaca o médico Julio Brasileiro Neto, alto de físico, compleixão forte, distinto médico, que sempre se encontra no aeroporto Guararapes, a serviço. Deve-se ainda lembrar o cirurgião-dentista João Brasileiro, ex-diretor da Faculdade de Odontologia, hoje pertencente à UFPE, como o eminente mestre e vernaculista José Brasileiro Vilanova. Muito amigo meu é também o meu primo Gueytyssimayny Brasileiro, casado com Margarida, de outro clã famoso, responsável pela criação artística da Paixão de Cristo, os mendonça de fazenda Nova. Vi muitos dos filhos de Guetyssymayny crescerem perto de mim e acompanhando as suas vidas: o economista Girley Brasileiro, minha aluna Gilvany Brasileiro, que muito se distinguiu  no curso de Direito, casada com o economista Tirso Martins, outra irmã de nome Girleyny (Leninha) formada em odontologia e casada com Emídio Cipriani, ambos economistas nascidos em São Paulo, todas as jovens residindo atualmente na capital paulistana. Assim como Gilka Brasileiro, extremosa amante dos livros e bibliotecas interioranas. A mesma biblioteconomista Gilka, nas suas peregrinações pelo interior de Pernambuco, na Biblioteca Municipal de Palmares, cidade em que meu avô Leopoldo  Lins foi o primeiro Prefeito, encontrou um belo grupo de jacarandá que pertenceu ao meu avô, conforme relato de sua dirigente Jersina Salino Maranhão.
Fonte: Livro "Os Pinto Ferreira de Portugal, os Lins de Rio Formoso e os Brasileiros de Garanhuns" de Pinto Ferreira - Recife - 1979.

1 comment:

  1. Excelente relato. Parabéns pela incansável pesquisa sobre Garanhuns e seu povo.

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