quinta-feira, 13 de novembro de 2014

FALECEU EM CAMPO GRANDE O POETA MANOEL DE BARROS

O poeta Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, 13, aos 97 anos, em Campo Grande. Ele estava internado há duas semanas no Proncor, período em que passou por uma cirurgia no intestino. O hospital não divulgou as causas da morte.

Um dos principais poetas brasileiros, ele nasceu em 1916, em Cuiabá, o poeta garante viver uma nova ascensão para a infância. Um estado de espírito tão forte que, em 2003, ele estreou na prosa justamente com um livro em que iniciava a trilogia sobre sua vida. E, como se tratava de Manoel de Barros, não era um retrato fiel, mas um relato puramente personalizado. Assim, depois de Memórias Inventadas - A Infância, ele lançou Memórias Inventadas - A Segunda Infância.

O tempo, para o poeta, não era seguia sua ordem cronológica. O que seria o livro da mocidade transformou-se em segunda infância que é, convém explicar aos desavisados, a forma como o poeta tratava de sua maturidade. Os textos, acompanhados das iluminuras de sua filha, Martha Barros, percorrem temas vitais da existência, como a descoberta do amor, do sexo e até do comunismo. Falam das peladas de barranco do Dona Emília Futebol Clube até da indiana da pensão na Rua do Catete - ela, 25 (ele, 15), deixava a porta do banheiro meio aberta e isso "abatia" o poeta.

A linguagem continuava artesanalmente construída, sem se ater a convenções gramaticais ou sociais, mas sempre em busca da simplicidade. "Porque me abasteço na infância e minha palavra é Bem-de-Raiz e bebe na fonte do ser", escreveu Barros.

O primeiro livro, no entanto, não foi de poesia, mas também não existe mais. A história de seu sumiço merecia um romance: aos 18 anos, quando vivia no Rio de Janeiro, onde frequentava as reuniões da Juventude Comunista, Manoel pichou as palavras "Viva o Comunismo" em uma estátua. Quando foi procurado pela polícia na pensão onde morava, o futuro poeta não foi preso por conta da intervenção da dona do estabelecimento, alegando ser ele um bom menino e também escritor, autor de Nossa Senhora de Minha Escuridão. Sensibilizado, o chefe da operação decidiu não prender Manoel, mas também resolveu ficar com o exemplar do livro.

O primeiro poema nasceu quando ele estava com 19 anos e a estreia literária de fato aconteceu com Poemas Concebidos sem Pecado (1937), feito artesanalmente por amigos numa tiragem de 20 exemplares mais um, que ficou com ele. O livro garantia sua inserção entre os modernistas.
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