The 3 Week Diet

Saturday, September 20, 2014

VULTOS DA CIDADE - ALFREDO DA SILVA VIEIRA

Alfredo da Silva Vieira - Nasceu em Lagoa dos Gatos onde foi chefe político
local, integrando o grupo do governador Manuel Borba. Bacharel em Ciências
Jurídicas e Sociais da turma de 1910 da Faculdade de Direito do Recife e 
Advogado militante. Foi o 6º prefeito de Panelas (1910-1912). Promotor
Público da Comarca de Garanhuns de 1917  a 1927. Promotor Público de
Canhotinho no ano de 1928.
Quando já estava este livro em impressão,(Garanhuns do Meu Tempo) o jornalista e advogado José Francisco escreveu no “O MONITOR”,  edição de 17  de janeiro de 1981, semanário que se edita em Garanhuns, artigo sobre a personalidade do advogado Alfredo da Silva Vieira (meu pai), que exerceu a Promotoria Pública naquela cidade, no período de 1918 a 1928, que a seguir transcrevemos.

Espírito e liberdade determinam nova dimensão aos conhecimentos. Especulação de ordem filosófica, conduzem a inteligência por caminhos desconhecidos. Só assim se poderá seguir o rumo certo da cultura. A cultura do espírito apreciado no seu valor humano. No seu estágio de amplitude do conhecimento aplicado em toda dimensão. O homem realiza cultura, tanto quando lança sua semente à terra, como quando cria por si mesmo  uma impressão  de beleza.

Tudo aquilo que o homem realiza na história, na objetivação de fins especificamente humanos, é cultura. Esse cabedal de bens objetivados pelo universo da alma, tem seus fins específicos. O método dialético consagra o resultado da indagação. A natureza do Espírito que atua constituindo valores positivos e negativos, em tensão perene entre o particular e o universal. O concreto e o absoluto, o estático e o dinâmico.

Trata-se como se vê, de um método que reflete a atividade do ser humano, do homem na tomada de consciência de si mesmo. Auto consciência que se realiza por força de atos constitutivos de valores, e através de bens culturais nos quais e pelos quais os valores se revelam. Tudo  aquilo que o espírito proteja fora de si, modelando a natureza à sua imagem, é que vem formar paulatinamente o cabedal da cultura. O valor é dimensão de uma inteligência em busca da verdade. Tudo isso é evidente fatos psicológicos e que para compreendê-los não implica em leitura de um único livro de filosofia, porque, temos o livro dentro de nós: o livro  composto pelo homem através dos séculos.

Muitas pessoas que ostentam vaidade vendem a sua liberdade de pensar, de criar no Eterno, por um pacote de palavras vazias. O vulto de hoje, possuía o valor de transformar as coisas complicadas no sentido de aplica-las simplesmente ao texto legal. Vivia segundo a dimensão de seu mundo cultural. Era a Encarnação dos princípios fundamentais do DIREITO. Os  mestres dessa ciência eram consultados e rigorosamente interpretados à luz de sua inteligência de escol. No escrito cumprimento do seu dever legal era irreversível. Vivia integralmente os sagrados postulados do direito.

Dr. Alfredo da Silva Vieira: viveu  aqui, na terra do Magano os dias mais venturosos de sua existência. Residiu, por algum tempo, na casa onde nasceu o jurista conterrâneo, Dr. Augusto galvão, na Av. “Santo Antônio”. 

Nos dias da nossa mocidade, conhecemo-lo como Promotor Público dessa Comarca. Austero em todos os seus movimentos. A sua conduta psicológica infundia respeito em toda a sua plenitude.

No Ministério Público foi um verdadeiro advogado da sociedade. Íntegro, no cumprimento do seu dever funcional. Intransigente em todas as dimensões aplicáveis em nome da Lei. O decoro do cargo era a vida mestra de suas atividades. Muito bem relacionado e gozava de simpatia de toda a comunidade. Na tribuna do Júri era um monumento de conhecimentos. Conhecia muito bem todas as dimensões da técnica processualista do seu tempo. Orador  de grandes recursos. Boa dicção quando a dispneia não o atrapalhava. Adjetivação rica e completa no período da frase. Palavra  fácil e fluente. Naquele tempo sob a égide do grande mestre PIRAGIBE (Consolidações das leis Penais). Analisando os dois gigantes da psicologia da prova em direito penal: MITTER MAYER E MALATESTA, a sua dialética era impressionante. GALDINO SIQUEIRA era o mestre de sua preferência. Lógica das provas se constituíam o roteiro de sua acusação. Comentava da tribuna e fazia exposição de motivos à luz do saber jurídico.

Perante o CONSELHO DE SETENÇA iniciava a sua acusação dizendo: Senhores do Conselho de Sentença, MEUS SAUDARES. Atenção do auditório era uma espécie de consagração inicial. No julgamento de Oscar de João Gomes, o velho foi soberbo na tribuna da acusação. O advogado foi Olímpio Rocha, grande orador. Foi o Júri mais comentado de seu tempo. Dr. Alfredo Vieira viveu integrado de alma e coração à sociedade de nossa terra. Estimado de todos. Gostava de ajudar aos necessitados. Colaborador eficiente da instrução, entre nós. 

Nos encerramentos do ano letivo, era figura de destaque da banca examinadora. Seu comportamento era digno de um homem de letras. Arguia com muita serenidade. Não procurava perturbar o aluno com perguntas de sentido dúbio. Fora um justo. Um sacerdote da justiça. Casado e pai exemplar. Um dos seus filhos, Dr. Alfredo Vieira, é um grande advogado no Fórum da Capital. Depois de prestar muitos serviços a nossa terra veio a falecer, nesta cidade. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Miguel. Terminada a sua missão entre nós, o seu Espírito regressou à sua verdadeira pátria que é o mundo da espiritualidade maior.

Foi inegavelmente um grande vulto da nossa cidade. A sua memória deveria ser perpetuada com uma placa com o seu nome, em uma das ruas da terra de SIMÔA GOMES”.
(Fonte: Livro "Garanhuns do Meu Tempo", de Alfredo Vieira)

No comments:

Post a Comment