segunda-feira, 22 de setembro de 2014

PRONUNCIAMENTO DO JORNALISTA ULISSES PEIXOTO PINTO NA COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE SOUTO FILHO EM 29/O9/1986

Exmo. Sr. Pedro Leite Cavalcante – Presidente da Câmara
Exmo. Sr. Dr. José Inácio Rodrigues – Prefeito de Garanhuns
Exmo. Sr. Vereadores

Meus senhores e minhas senhoras
Parentes mochileiros
Queridos familiares de Souto Filho:

Antônio Souto Filho(Soutinho), Francisca Salgado
Guedes Nogueira Souto(Chiquita Souto), Antônio Souto Neto e
Gerusa Souto Malheiros.
 Imbuído nos propósitos de elevar e engrandecer ainda mais a figura ímpar, altaneira, política de Souto Filho que hoje precisamente completa 100 anos de nascimento, não poderia deixar de dizer algumas palavras sobre o meu saudoso padrinho e parente. Sei que é dura a missão, mas procurarei ser justo, mesmo acima das paixões familiares, de modo que peço desculpas pelos arroubos que cometerei neste discurso.

Nasceu  Antônio da Silva Souto Filho no histórico sítio “Mochila” que outrora pertencia  ao território de Brejão e hoje, enquadrado no distrito de Miracica, Município de Garanhuns.
Jornalista Ulisses Peixoto Pinto Filho 
O homenageado filho do casal Antônio da Silva Souto – Maria Rosa de Moura Souto. Ele pelo voto do eleitorado garanhuense, eleito Prefeito desta terra a 20 de outubro de 1892 pelo período de três anos ao competir com o seu valoroso adversário político Dr. Severiano Peixoto, também uma das glórias desta cidade das “colinas verdejantes”.
Voltando ao passado em termos da genealogia, gostaria de dizer mais uma vez qual o significado da palavra “Mochileira” e para isto conto com a palavra do historiador Alfredo Leite Cavalcanti, de saudosa memória, através do seu livro História de Garanhuns, quase toda feita baseada em documentos de cartórios não só em Garanhuns, porém de outros.

“ Foram os quatros patriarcas o português Manoel da Cruz Vilela, que vivendo aqui em 1703, anos depois se casou com dona Maria Pereira Gonçalves; Manoel Ferreira de Azevedo, aqui chegado em 1707, casado com dona Simôa Gomes; Micael de Amorim Souto, casado com dona Maria Páis Cabral aqui residente em 1708; e o português Antônio Vaz da Costa, casado com dona Luiza Santos Soares, aqui já residentes em 1716, ele filho do casal português Antônio Vaz da Costa – Luiza Vaz da Costa.

"Nasceste entre belas colinas, ludicamente, vive a cidade colossal Boa Vista, Magano altaneiro! São José, o Majestoso Arraial, Onde Euclides e Pipe Dourado, anteviram nossa aurora boreal. Cidade dos meus ancestrais. Berço e casulo dos mochileiros! Garanhuns, mãe dos meus filhos, Terra dos Meus sonhos primeiros". Ex-prefeito  e Poeta da Voz José Inácio
Rodrigues.
A denominação Mochileira, dada à principal família garanhuense desde o começo da sua formação, provém do fato de haver o Capitão Micael de Amorim  Souto, em sociedade com o Capitão Pedro Rodrigues de Pontes, em 6 de outubro de 1717, comprado a Lopo Gomes de Abreu, o sítio Saco, denominado a sua parte de Mochila” e assim distinguir da outra parte do terreno. Eis aí a verdade dos fatos.

O Dr. Soutinho como era chamado pelos parentes e conhecidos, entrou na política com um elevado cargo. De Oficial de Gabinete do então Governador General Emílio Dantas Barreto em 1911. Hoje esse cargo equivale a Secretário do Governo Estadual. Antes, o Dr. Souto colou grau em Direito, sendo entre outros, seus colegas da Faculdade de Direito do Recife os grandes brasileiros José Américo de Almeida e Gilberto Amado. Três ilustrados homens públicos do melhor quilate.

Casado com dona Francisca Salgado Guedes Nogueira Souto, muito conhecida por “Chiquita Souto”, mulher de escol, brava e prudente nas lutas ao lado do seu marido.  Ela faleceu a 11 de outubro de 1967 na capital deste Estado e o seu marido – o Dr. Souto Filho – em 19 de junho de 1937, também em Recife como deputado estadual, eleito que foi para o quatriênio  1935 a 1938.

Do casal Souto Filho – Chiquita souto, estão presentes nesta solenidade histórica os seus filhos Maria Esther Souto, Presidente da Campanha de Combate ao Câncer, no Estado; Antônio Souto Neto, médico analista, professor universitário e Diretor do Ginásio Pernambucano, em Recife; Maria Gerusa Souto Malheiros, casada com o engenheiro Raul Malheiros que chegou ao Recife em 1941 com a equipe do Brigadeiro Eduardo Gomes, seu grande amigo; e Cláudio Fernando da Silva Souto, professor universitário e Catedrático na Faculdade de Direito do Recife.

De modo especial, quero render nestes momentos homenagens a minha parente e amiga Gerusa Souto Malheiros que está preparando um livro que terá o nome de Memórias de Amor. Em vida, Souto Filho foi um amor de dignidade, de honradez para com seus familiares e o povo. O deputado Elpídio de Noronha Branco, que herdou muita coisa  da política de Souto Filho, diz no seu livro "Memórias Brancas": “Não seria lícito aos meus conhecimentos de lealdade e gratidão, virtudes de que faço praça, vaidosamente, por sentir, na realidade, em mim, o verdadeiro reconhecimento àqueles que, porventura, me tenham servido, deixar de começar este trabalho sem render um preito de gratidão imorredoura, a mais justa, ao homem que me iniciou na vida. E me amparou durante o tempo em que viveu”.

Mas adiante, pontifica Elpídio Branco, hoje pertencente ao mundo espiritual: “Muito embora a idade nos separasse pelo espaço de dez anos, apenas, eu o considerava o meu segundo pai, tais os bens que me fez, tamanha a amizade com que me distinguiu, quase acrisoladamente. Éramos, assim, como irmãos em que o mais velho enfeixava o poder paterno. Digo, em outras oportunidades destes escritos, o quanto, ainda hoje, sou grato a ele e o quanto de veneração tenho pela sua sagrada memória. Vai no corpo destes rabiscos a sua fotografia que carrego, comigo, inseparavelmente, perto do coração, materialmente esmaecida pelo tempo e pelo calor do meu peito, junto a qual se encontra a carteira onde guardo carinhosamente”. Mais além, eis o que escreveu Elídio Branco, também filho desta terra sobre o Dr. Soutinho: Chefe de família inigualável. Amigo carinhoso e devotado. Homem de compromissos que nunca soube deixar claudicados. Honrado ao extremo, até ao exagero”. “Sua ação política, que exercia, acentuadamente, em Garanhuns, nunca descambou para os desvairos em que , hoje, se embebedam tantos.
Jornalista Ulisses Pinto desfilando como ex-aluno
do Colégio Diocesano de Garanhuns.
Sou filho, foi um soldado fiel aos seus princípios democráticos.
Ele foi o único deputado pernambucano “que embora pertencente à bancada do Governo, votou contra a depuração, em 1930, dos representantes paraibanos, eleitos para a Câmara Federal”. Antecipou-se, dizia no seu livro Memórias Brancas -  o ex-deputado Elpídio Branco – assim, no fazer política elevada e nobre.

Soluto Filho, viveu grande parte do seu tempo na república Velha. Veio a revolução de 30. Nos horizontes surgiram uma melhor vivência democrática e souto Filho continuou obtendo vitórias para a Câmara Federal e Estadual.
Morreu do coração como representante do povo pernambucano, principalmente de sua terra – Garanhuns, o digno baluarte que hoje, povo, governo municipal bem assim a Câmara de nossa terra com representações políticas PFL – PMDB  e PCB, para cair ainda mais nos braços da história. A sua trajetória foi toda ela voltada para Garanhuns e seu altivo povo.
Livro "Memórias de Amor",  de Gerusa Souto Malheiros
Souto Filho, ligado ao homem do campo, foi um timoneiro seguro dentro dos caminhos cristãos e democráticos. E nesta hora, é bom recordar o poema de Artur Maia, nascido na cidade de Gameleira, mas que viveu sua existência nestas plagas. Tal poema de nome Saudade, que o Dr. Soutinho gostava tanto, diz de início “Saudade! Brejo da Flores/Quilombo, Várzea, Jardim/Magano dos meus amores/De Olhar fito em mim!/Saudade! Minha alma em pranto,/As dores que, em vão, chorei,/*És a alma triste do canto/Que na infância soletrei./ Mundaú, belo e florido/ Fogo Cego, Araçá, taquarí, Gruta D'agua, onde o gemido Triste ouvi da Jurití”. O poema vai mais além onde o Dr. Soltinho conheceu e sentiu nestes lugares amenos, a sua Garanhuns eterna. Sim, meus senhores, as lutas de um povo, devem ser com os olhares feitos nos grandes homens do passado que fizeram histórias e Souto Filho é fonte perene dessa história.

Prefeito antes de 1930 por apenas dois meses, desta terra hospitaleira, para galgar uma posição mais elevada, escreveu uma página da nossa geografia política como deputado estadual e federal. Ele era “escravo do povo” que o elegeu, inclusive como senador estadual em 1927 e constituinte de 1933/34.

Em todos os ângulos de sua vida dedicada ao bem comum, Souto Filho, permanecerá vivo pelo seu exemplo, pela sua luta constante, pelo seu amor à família e porque não se dizer aqui o seu devotamento pelos amigos e parentes.

Estes mouchileiros, pobres e ricos, são ligados por laços familiares desde a fundação de Garanhuns pela mameluca Simôa Gomes de Azevedo. Ei-los: azevedos, Soutos, Vaz da Costa, Gueiros, Brancos, Jardins, Ferreiras, Rodrigues, Herculanos, Neves, Dantas, Vilelas, Burgos, Moraes, Rocha, Godois, Carvalhos, Machados, Teles, Furtados, Vanderleis, Cesários, Vandeiras, Correias, Dias, Maltas, Barbosas, Araujos, Pais, Pais de liras, Noronhas, Macedos, Melos, Medeiros, Barros, Teixeiras, Batistas e Barretos. Eis aí o Império sem Imperador da grande família mouchileira.
Que Deus em sua infinita bondade, proteja esse vasto agrupamento familiar.

Neste Centenário de Antônio da Silva Souto Filho, uma prece sentimental, emotiva e cristã, deve pairar em nossos corações. É a eterna lembrança dos parentes mortos desse grande político que também foi homenageado na tarde do dia 27 do corrente pela assembleia Legislativa, através das palavras do deputado médico e também garanhuense Inaldo Lima, outro mouchileiro de grande valor.

Também nesta efeméride onde desfila o passado e presente, há dois fatos dignos de registro. É que o primeiro Prefeito de Garanhuns depois da República era o mouchileiro coronel Antônio da Silva Souto, pai do homenageado e o atual Chefe do Executivo de Garanhuns é e faz parte da confraria mouchileira. Refiro-me ao Dr. José Inácio Rodrigues.

Finalmente, quero deixar nesta palavras que Garanhuns e suas lideranças souberam embora sem muita pompa, homenagear a figura símbolo, impoluta de Souto Filho, que honrará eternamente Garanhuns aos seus gloriosos destinos, cada vez mais.

Salve, pois, Souto Filho, grandeza de nossa terra, de Pernambuco “Imortal, Imortal” como bem proclama o seu hino.

(Palavras do jornalista Ulisses Peixoto Pinto Filho, proferidas na Câmara Municipal de Garanhuns em 20/08/1986. - CASA RAIMUNDO DE MORAES -
Fonte: Livro "Memórias de Amor", de Gerusa Souto Malheiros).



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