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Wednesday, September 17, 2014

GARANHUNS DO MEU TEMPO - A SUA ARMA ERA O VIOLÃO

Foi a boêmia inveterada, em toda a sua maior expressão, que tornou um interiorano de Garanhuns, em nome nacional.

Quero me referir nesta lembrança, à figura de Augusto Calheiros, carcereiro em Garanhuns e um dos seus mais completos boêmios. Podíamos dizer sem ofendê-lo, como nos versos de Noel Rosa, em “Último Desejo”,  “o meu lar é um botequim...”, pois sendo autoridade policial, a arma que usava, era um violão, que tocava com maestria, junto a uma  voz que mais tarde, iria levar bem alto por esses brasis afora, nos discos gravados e nas apresentações do seu conjunto musical, o amor a sua terra e a sua gente, na interpretação muito pessoal da música popular do Nordeste.

Calheiros, quando não estava em serviço, se encontrava nos “botecos” daquele tempo, tocando o seu violão, cantando rodeado de amigos. Contava-se que em face de uma de suas sempre desavenças familiares, Calheiros que era ponto permanente em todas as serestas de Garanhuns, houvesse luar ou não, certo dia anoiteceu e não amanheceu no seu Garanhuns! Desapareceu da circulação, e foi aparecer muito depois junto aos boêmios, poetas e artista do velho Recife, empunhando ainda o seu violão, mas organizando um conjunto musical de pau e cordas, que se chamou os “Turunas da Mauricéia”, e saiu a percorrer este país, em festas particulares, exibições públicas nos teatros e cinemas, cantando as emboladas nordestinas, e a nossa canção popular. Os “Turunas da Mauricéia”, marcaram época na divulgação das músicas do Nordeste.

O grande seresteiro Washington Medeiros canta
um grande sucesso de Augusto Calheiros. 
"Saudades do Meu Norte".

Ainda ressoam em nossos ouvidos, nos discos da Casa Odeon, quando as vitrolas começavam a entrar nos  salões familiares, os versos e a música de:

Pinião, pinião, pinião
Oi! Pinto correu com medo do Gavião!
Por isso mesmo sabiá cantou
Bateu asa e avuô
E foi comer melão! . . .

Ou também:
Ai Helena, Helena!
É meu amor!
Melhor ainda, quando cantava, os versos da Ave Maria:

“Cai a tarde
Tristonha e serena
Em macio e suave langor
Despertando em meu coração 
As saudades do primeiro amor! . . .

Sino  que tange com mágoas dorida
Recordando  os sonhos, da aurora da vida...

Na prece da Ave Maria

Mas modernamente, quase nos últimos anos de sua vida, era ainda a voz genuína do Nordeste, difícil de ser imitada, na canção.

Mané fogueteiro
Era o Deus das Crianças
Na Vila distante de Três Corações
Em dia de festa, fazia rodinha, soltava foguetes,
Soltava balão.

Mané fogueteiro, gostava de Rosa!
Cabocla  bonita, no mundo não tem!
Mas o pior de tudo, era que o Zé Boticário
Gostava um pouco da Rosa Também!

E assim, foi a vida de boêmio, cantor e poeta, ainda hoje lembrado, nos seus versos, canções e serestas!

(Fonte: Livro "Garanhuns do Meu tempo" de Alfredo Vieira).


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