quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A “CAMPANHA DOS CAFÉS FINOS” EM GARANHUNS

Família Figueira
“Tempos Novos”, jornal de Ildefonso Lopes, em sua edição de 18 de junho de 1933, publica em manchete o seguinte: segundo NOTÍCIAS recebidas da CAPITAL, Garanhuns receberá na próxima semana, a visita de vários técnicos do Departamento do Café, que aqui virão, em serviço de sua repartição, iniciando também no município, “A Campanha dos Cafés Finos”.

Em sua primeira página, noticiando o acontecimento, se refere que os técnicos virão ensinar os modernos processos da colheita e beneficiamento da preciosa rubiácea.

Irmãos Antonio, Joaquim e Francisco Moreira da Costa, cafeicultores, chegaram em 1901, vindos do norte de Portugal (Gondalães - Paredes), aqui se fixaram e ajudaram no progresso econômico da região.
Antes mesmo da chegada da comissão de Técnicos do Departamento do Café à Garanhuns, o município já punha em prática a política dos “Cafés Finos”; nas fazendas dos irmãos Figueira e dos irmãos Moreira, que em Brejão (antigo distrito de Garanhuns), tinham as melhores plantações de café. Na fazenda dos Figueira, fora instalada lima maquinaria, a mais moderna de então para o beneficiamento do produto, que atendia também a todos os fazendeiros da região e zonas limítrofes. O seu titular, o Sr. Francisco Simão dos Santos Figueira, filho mais velho do casal Joaquim Simão dos Santos Figueira e de D. Maria Alice Pedrosa dos Santos Figueira, deixou muito moço os seus preparatórios (exames parcelados do curso de Humanidades), para assumir os negócios da família, em face do falecimento do seu pai, no ano de 1922. A Fazenda teve o nome inicial de “Água Azeda”, passando para o nome de “Vista Alegre”, quando adquirida pelos Figueira.
Fazenda Vista Alegre

O “Cel. Figueira”, assim conhecido em toda a região e pelos seus mais íntimos, casou-se na família Dilletiere, com Angelina, uma das quatro filhas do casal, e durante toda sua vida, foi uma permanente liderança na defesa dos interesses de Garanhuns. 
Conselheiro Municipal, Prefeito por três (3) vezes, Deputado Estadual no governo Cid Sampaio, Presidente da União Democrática Nacional (UDN)., secção de Pernambuco, Presidente da Cooperativa de Cafeicultores de Garanhuns, Fundador e 1º  Presidente do Instituto do Café de Pernambuco, estes alguns dos cargos ocupados pelo Cel. Figueira, aliado ao seu interesse pela coisa pública. Tal era a evidência do seu nome e de sua projeção como autêntico líder comunitário, que o jornal “Tempos Novos”, após a Revolução de 1930, fez um concurso entre os seus leitores no período de 12/6/34 a 3/8/34, para quem deveria ocupar a Prefeitura de Garanhuns, sendo vitorioso o Cel. Francisco Figueira que alcançou 916 votos, seguido de Mário Lyra com 210 votos ( Tempos Novos, edição de 3/8/1934). 

Apesar deste pronunciamento popular, as eleições constitucionais de Garanhuns, tiveram um candidato de conciliação na pessoa do comerciante Tomás da Silva Maia, que se tornou assim, o primeiro Prefeito de Garanhuns, eleito após a Revolução de 1930.

O casal Joaquim Simão dos Santos Figueira e D. Maria Alice Pedrosa dos santos Figueira, teve família numerosa, havendo os seguintes filhos: Francisco Simão dos Santos Figueira, o “Coronel” que assumiu os negócios da família em 1922. José, falecido com 21 anos, Joaquim Santos da Figueira, advogado no Recife, Antonio Simão dos Santos Figueira, médico, professor da Universidade Federal  e reitor pro-tempore da Fundação de Ensino Superior – FESP, Manoel Santos da  Figueira, engenheiro civil (falecido), João Simão dos Santos, médico ( falecido), Álvaro Simão dos Santos Figueira, médico, radicado no Rio de Janeiro, Maria de Lourdes dos Santos da Figueira, hoje, Maria de Lourdes de Oliveira Dias, viúva do agrônomo Clodoveu de Oliveira Dias, de prendas domésticas, residente no Recife, prof. Fernando Jorge Simão dos Santos Figueira, médico, diretor do IMIP e da Faculdade de Ciências Médicas.

A família Figueira, se entrelaçou com a família Dilletieri, tanto assim que o Cel. Francisco, se casou com Angelina, e seu irmão Antônio, com Carmem, todos ainda integrados na vida e no progresso de Garanhuns. Convém não esquecer que nas gestões do Cel. Francisco Figueira, na Prefeitura de Garanhuns, foram eletrificados todos os Distritos, e instalado na cidade, o sistema de telefones automáticos.

Merece ainda destaque especial o comportamento político do Cel. Francisco Figueira, nos seguintes fatos: a sua última gestão na Prefeitura de Garanhuns, valeu-lhe o título do “Melhor Prefeito do Brasil”, em enquete promovida pela revista “O Cruzeiro”, sendo o título lhe entregue em ato solene pelo Presidente Juscelino Kubistchek.
Cel. Francisco Figueira
Quando Deputado Estadual, não chegou ao fim do seu mandato. Fiel aos seus princípios democráticos, renunciou ao cargo deputado estadual, quando de implantação das eleições indiretas. No seu pronunciamento de renúncia declarou textualmente: “não recebi dos meu eleitores, delegação para eleger governadores”.
Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo" de Alfredo Vieira). 

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