The 3 Week Diet

Wednesday, August 6, 2014

UM AVIÃO EM CÉUS DE GARANHUNS

O aviador Reynaldo Gonçalves - "Roland" piloto de "O Garoto"
Foto oferecida ao Prefeito Euclides Dourado - outubro de 1927
No mês de outubro de 1927, semana de 11 à 16 de outubro , Garanhuns viveu um dos acontecimentos mais importantes de sua vida política econômica e social.
Aconteceu nos amplos salões dos Armazéns da avenida 13 de Maio, e, nos Salões do Paço Municipal o seu Congresso Comemorativo do 2º  Centenário de Café e, em anexo, Exposição do produto de várias procedências do Brasil, notadamente do Estado de Pernambuco.

O Congresso organizado pela Secretaria de Agricultura, contou com o apoio da Associação dos Agrônomos do Nordeste e outras entidades ligadas à cultura do café.
Inaugurado no dia 11 de outubro com a presença do Governador do Estado, Dr. Estácio Coimbra, o Secretário da Agricultura, Dr. Samuel Hardman, autoridades estaduais e todo o mundo oficial de Garanhuns e regiões vizinhas e também todos os plantadores de café, dos mais importantes como os irmãos Figueira e os irmãos Moreira, proprietários dos melhores cafezais da época, no distrito de Brejão e dos pequenos e modestos agricultores dos sítios e outras propriedades da região que ali apresentaram seus “stands” e também realizaram negócios.

Estávamos vivendo a fase áurea do café, e Garanhuns, era o maior centro produtos de “cafés finos”, sendo seguido por Vitória do Espírito Santo.
Acostumado a ouvir falar dos cafezais de S. Paulo, tínhamos naquela época, a impressão de que o melhor café do Brasil era de S. Paulo. Puro engano. O melhor café era o que se cultivava nas fazendas do Cel. Francisco Figueira e dos irmãos Moreira, moradores no próspero distrito de Brejão, do município de Garanhuns.
Fazenda Vista Alegre no distríto de Brejão em 1937 que
pertencia a família Figueira
A Comitiva oficial, chegou em Garanhuns em trem especial da Great Western, à frente o Governador Estácio Coimbra, representantes de associações de classe, representantes de todos os jornais do Recife.
Visitei a exposição e ouvi alguns debates no Paço Municipal, em companhia dos meus tios Antônio Francisco da Silva Vieira, de Lagoa dos Gatos e Samuel Soares, de Canhotinho, chegados para tomar parte nas festividades. O meu pai, Alfredo da Silva Vieira, Promotor Público na época estava doente, com uma das suas continuadas crises de “asma cardíaca”, porém recebeu em sua casa a visita do Governador Estácio Coimbra, representado pelo seu Oficial de Gabinete, o acadêmico de direito Antiógenes Chaves. Recordo-me de sua postura fidalga e maneira atenciosa com que palestrou alguns minutos com o meu pai, trazendo-lhe o abraço cordial e político do Governador.

Ano depois, já estudando no Recife, encontrei o Dr. Antiógenes Chaves, próspero e brilhante advogado no foro do Recife e diretor do “velho” Diário de Pernambuco, com que mantive uma sólida amizade.
Dr. Samuel Hardman - Secretário da
Agricultura do Estado, que presidiu
 o Congresso do Café reunido em
Garanhuns

A Promotoria Pública, naquele tempo, era cargo essencialmente político, conforme já salientei em outro local deste livro. Daí, a visita Governamental a meu pai. Se o acontecimento da Exposição, trazia prestígio político, econômico e social para a Região, ocorreu ainda fato importante para uma cidade interiorana como Garanhuns.

Chegaria como chegou, como parte integrante das festividades, um avião, que aterrissou de mansinho no Parque de Eucaliptos, depois chamado “Euclides Dourado”
Era uma manhã radiosa de sol de outubro e toda a cidade se deslocou a pé, de automóvel (já havia automóvel em Garanhuns), do centro e de suas ruas mais distantes para o parque, onde iria aterrissar o avião vindo do Recife. Havia no Parque uma área descampada, que servia de campo de futebol e esta área recebeu tratamento especial para a aterrissagem.
Segundo os jornais da época (A Província, edição de 13 de outubro de 1927), o aviador Antônio Reynaldo Gonçalves, que usava o apelido de “Roland” estivera na semana anterior ao acontecimento em Garanhuns, na companhia de Raphael Xavier, diretor do Departamento de Estatística do estado e escolhera o parque para o pouso do seu avião. Ele aceitara convite do prefeito Euclides Dourado para voar até Garanhuns, como parte integrante do programa oficial das festividades.
Irmãos Antonio, Joaquim e Francisco Moreira da Costa, cafeicultores, chegaram em 1901, vindos do norte de Portugal (Gondalães - Paredes), aqui se fixaram e ajudaram no progresso econômico da região.  Foto de Audálio Filho
Era um domingo, cheio de sol, céu claro e sem nuvens. Cerca das 10 horas, apontava nos céus de Garanhuns, pela vez primeira um avião pequeno, monomotor, trazendo o nome de “Garoto” pintado em sua “nacelle” e pilotado por Roland, seu proprietário e aviador que após a aterrissagem, saltou de macacão branco e foi recebido com palmas pelas autoridades presentes. Para melhor indicação do local, foi acendida uma fogueira no início do campo, pois a fumaça que desprendia dos matos verdes colocados a propósito, marcava o início da pista improvisada. Foi um dia de festa para a cidade, pioneira acredito em todo o Nordeste, em receber um avião, pequeno embora, mas avião de verdade... que ficou em Garanhuns durante vários dias, fazendo passeios para os mais corajosos  e que pagavam por cada passeio 20$000 (vinte mil réis). Muito dinheiro na época. Valia porém, o fato de se dizer ter “viajado” ou “passeado” de avião, numa época que ainda engatinhava a nossa aviação civil. Era “status”.

Garanhuns, foi assim, pioneira no acontecimento, sobretudo, porque, o “Garoto” desceu de mansinho sem qualquer atropelo no  seu aprazível parque de eucaliptos, numa pista improvisada, mas preparada com todos os cuidados da época, a cargo de funcionários da Prefeitura local.
Fui testemunha do acontecimento. Estava no Parque, para onde fui no automóvel do meu tio Antônio Francisco da Silva Vieira “Senhor do Engenho Pery- Pery”, em Lagoa dos Gatos, na companhia também do Dr. José Vieira Rabelo, Juiz de Direito de Canhotinho, Júlio Oliveira e João Leão de Oliveira Lêdo, todos hóspedes do meu pai.(Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo" de Alfredo Vieira)

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