sábado, 16 de agosto de 2014

O BANCO DO BRASIL EM GARANHUNS

Rua do Recife ano de 1930, hoje Rua Dr. José Mariano - Foto de Cora Valença
Ao tempo destas lembranças, hoje transformadas em livro, somente as grandes cidades tinham agências do Banco do Brasil S/A, ainda hoje, o maior estabelecimento bancário oficial.
Banco do Governo, emissor e controlador de toda a política monetária, o Bando do Brasil, hoje se expande por várias cidades do nosso Estado.

Segundo trabalho do escritor Flávio Guerra, intitulado “Um breve estudo histórico sobre o sistema bancário de Pernambuco”, informa-se que data de 1913, nascia o início das atividades do Banco do Brasil em Pernambuco, sendo aberta sua filial do Recife, em 12 de agosto do referido ano de 1913.

O escritor Flávio Guerra, assim informa o acontecimento:
“Somente chegando os meados da segunda década do nosso século, foi que se inaugurou, em janeiro de 1913, um banco de procedimento mais audaz e métodos mais modernos: O Banco Auxiliar do Comércio. Logo mais, a 12 de agosto do mesmo ano. Era aberta, afinal, no Recife, uma filial do Banco do Brasil, que se manteria injetando sangue novo à praça e resistindo até os nosso dias, como uma garantia para grandes negócios bancários.

Naqueles dias, a Associação Comercial de Pernambuco, telegrafava ao Presidente do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro: “Associação Comercial,, congratula-se e agradece a Vossa Excelência resolução instalação filial Banco do Brasil nesta praça vg grandes benefícios prestará mesma pt Saudações barão de Casa Forte – Presidente”.

Aliás, deve-se recordar nisso o interesse e o apoio decidido, tomado entre 1911/1915 pelo referido Presidente, do estabelecimento oficial de crédito no País, Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, pernambucano de  nascimento, muito radicado na sua terra e figura política nacional das  mais respeitadas e acatadas desde os tempos do Império.

Depois, portanto, da abertura da filial do Banco do Brasil no Recife, em 1913, graças á decisão do Conselheiro João Alfredo, foi que o “campus” bancário pernambucano começou, afinal, a alargar-se cada vez mais, seguro e objetivo, até alcançar o brilhantismo dos nosso dias.

Sete anos depois da instalação da filial do Recife, isto é, nos anos de 1920, segundo notícia em anúncio dos jornais de 1931, o Banco do Brasil teve a sua agência inaugurada em Garanhuns.
A cidade começava assim a se transformar em importante centro comercial, onde predominava já em ascensão o seu comércio cafeeiro”.

Convém lembrar, que o Banco do Brasil trouxe realmente, ajuda inestimável para os agricultores e o comércio de Garanhuns, graças ao trabalho inteligente de vários dos seus Gerentes, que fugindo muitas vezes das normas frias e rígidas dos seus regulamentos, ia ao encontro muito acertadamente, dos que o procuravam para sustentação suas safras e negócios.

Entre os que se destacaram como verdadeiros filhos da terra, à frente dos negócios do Banco, são ainda lembrados Audifax de Aguiar, José Guia Cabral (o filho Aloísio Cabral, é hoje alto comerciante na cidade), Aristides Barcelos, Artur Napoleão Goulart ( recentemente falecido) e Ariosto de Belli.

Assessorando diretamente a Gerência, nos seus serviços jurídicos, antes mesmo de formado, vamos encontrar Sátiro Ivo Júnior, ou melhor o nosso Ivinho, como era conhecido pelos seus íntimos. Ivinho, apesar dos trabalhos no Banco, era jornalista vibrante, defensor intransigente dos princípios que defendia com muito entusiasmo. Polêmico e as vezes, até temperamental, Ivo Júnior, deu muita “dor de cabeça”, a sua querida mãe, D. Clotilde Ivo, residente na rua de Santo Antônio, viúva do comerciante Sátiro Ivo, um dos trucidados na hecatombe de 1917.

Ivo Júnior, intelectual, acadêmico e depois advogado, esteve à frente do “Diário de Garanhuns”,  como seu diretor e redator responsável, em uma das fases mais agitadas do movimento revolucionário de 1930..

Residindo hoje no Recife, vem ocupando há vários anos, a chefia jurídica do Banco do Brasil S/A. Autor de vários trabalhos jurídicos, entre os quais se destaca “O cheque Cruzado”, Ivo Júnior, filho ilustre de Garanhuns, também se incorporou ao movimento modernista literário, tendo publicado na “Revista de Garanhuns”, no seu terceiro número, o seguinte poema:

“NATAL DA SAUDADE”

Eu me recordo com saudades do Natal quando era bem menino.
Esperando com ansiedade...
Cheio de sensações...
A rua da igreja onde havia uma porção de barraquinhas verdes de palhas
Verdes, verdes como as nossas esperanças daqueles tempos, ficava cheia de gente.
Gente sem maldade... sem ostentação...
Nas barracas, a mostra, tentadores, lá estavam os gostosos copos de capilé, rubros como os desejos da garotada sedenta para bebe-los todos um por um.
No Natal da minha adolescência onde o artista TEMPO tudo mudou e a lapinha passou a ser iluminada com pequenas lâmpadas eléctricas 
Eu não vejo mais aquella encantadora ingenuidade antiga.
Substituíram os meus copos de capilé
Os lábios de “baton” das mulheres chics.
Lábios para beijar...
Lábios para fascinar também...

(Ivo Júnior – Dezembro, 1930)

Ainda hoje, a política cafeeira de Garanhuns, tem no Banco do Brasil, um dos seus esteios “O Monitor”, edição de 20 de setembro de 1980, sob o título “Projeto Café”, publica em sua primeira página, a seguinte notícia.

"PROJETO CAFÉ"

Pernambuco terá 5.000.000 de covas da rubiácea, graças aos agentes financeiros: Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e Banco do Desenvolvimento do Estado de Pernambuco.
Os agricultores que se propuserem cultivar essa lavoura poderão obter um financiamento de Cr$ 43.750,00 por hectare, soma base de Cr$ 35,00 por cova.
O Projeto Café será entregue aos agentes financeiros até o dia 31 de maio de 1981. Os interessados deverão procurar os Bancos financiadores até  31 de janeiro do ano vindouro.
Trata-se de um grande empreendimento, especialmente para o Agreste Meridional que sempre se apresentou com uma grande fonte de produção dessa lavoura.

O município de Brejão, por exemplo, foi o produtor do melhor café do mundo, segundo análise feita por técnicos no assunto. Esperamos que tudo corra como está programado para que a nossa região se torne rica na produção desse produto tão valioso”.
( Foi mantida a ortografia das transcrições. Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo", de Alfredo Vieira"  ano  1981).

2 comentários:

  1. Anchieta Barros: Acompanho sempre o seu excelente blog. Sem a sua devida permissão fiz um link no meu modesto blog. Continue assim, sobretudo tratando das coisas de Garanhuns e região, da cultura e do passado. Meus parentes da família Souto Maior, do velho Fausto da loja "a nortista" através de indicação minha, são assíduos leitores do seu blog. Em Natal, com tio Romero, em São Paulo com tio Faustinho, e tia Nita, no Rio com tia Marluce, além do Recife com inúmeros membros desta grande família. Afinal, só de primos legítimos, tenho mais de sessenta, pois minha avó Irenita teve doze filhos. Um grande abraço, Rafael Brasil.

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  2. Um grande abraço meu amigo. Envio um abraço para todos seus familiares e muito obrigado pela audiência em nosso blog. Saudações a todos.

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