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Friday, August 29, 2014

JERÔNIMO GUEIROS: "GARANHUNS CIDADE DOS AMORES PERFEITOS"


Seria de tudo impossível ao memorialista, falar sobre todos os intelectuais que ao seu tempo, fizeram a cultura da cidade dos “amores perfeitos”, como o saudoso mestre Jerônimo Gueiros, chamava de Garanhuns.

Homenageando as suas elites, pela omissão involuntária de muitos dos seus nomes, na ação cultural em prol de sua cidade e de sua gente, estamos destacando os seguintes: Prof. Luis Correia Brasil, notário, político, literato. Falava bem e sabia escrever bem o português claro e escorreito. Gostava de ouvi-lo quando falava das lendas e fantasmas de Garanhuns, também dando informes de fatos ocorridos do qual fora testemunha; João Domingos da Fonseca, que não era garanhuense de nascimento. Chegara moço e foi aluno interno do Diocesano, ao tempo do Mons. Antero. Depois seu professor de humanidades, jornalista e advogado. Típica formação Garanhuense; Morse Sarmento Pereira de Lira, jornalista; Horácio Vilela, exímio violinista (foi sacristão da Matriz de Santo Antônio), musicista, compositor e orquestrador de música sacra e erudita. Pertenceu ao “cast” do Rádio Clube de Pernambuco, integrado a sua Sinfônica, professor do Conservatório de Música. Muito recentemente, nas apresentações no Teatro Santa Isabel, do “1º Ciclo de Música Pernambucana para Piano”, organizado pelo musicólogo Pe. Jaime C. Diniz, o pianista Marco Antônio Caneca, executou a valsa “Alma e prece”, de sua autoria, tendo o Maestro Geraldo Parente, feito elogiosos comentários às suas músicas. Horácio Vilela, ganhou notoriedade e ficou conhecido como musicista ao deixar  Garanhuns e ingressar no Conservatório de Música de Pernambuco, na condição de seu professor; Artur Maia, poeta, professor de português, integrante do Grêmio Polimático, onde se destacava nas apresentações dramáticas e nas declamações de poemas históricos. Costumava usar gravatas de laços bem extravagantes e sempre usava uma flor na lapela dos seus paletós. Era tipicamente, o tipo filósofo. Alheio às críticas e às maledicências, vivendo exclusivamente para os seus estudos. Em consequência de um seu trabalho sobre a “Instrução em Garanhuns”, publicado no “Álbum dos anos 22/23, o Prof. Artur Maia, foi nomeado pelo Governador Ferreira Chaves, do Rio Grande do Norte, professor público no vizinho estado. Voltando a Garanhuns, manteve escola particular onde predominava o ensino de português e literatura, pelos métodos mais modernos da época.

Casado com a Sra. Maria Brasil Maia, também intelectual e autora de vários artigos para as revistas e jornais da época, transcrevemos o seu artigo publicado no “Almanaque de Garanhuns”, edição de 1936, página 58, sob o título ”Ilusão”:

“Vai longe, bem longe, a simplicidade dos costumes.
Hoje, século em que tudo é feito a máquina, onde o cetiscismo, impera, não existe mais ninguém que guarde, na alma, um farrapo de ilusão.
Ilusão, sonho dos corações cândidos, perdeu-se no sorvedouro do tempo, que tudo destroe.
Quem, hoje em dia, como nos tempos medievais, cingirá a espada para se bater por sua dama?
As batalhas atualmente são de outros gêneros.
O homem, consciente bate-se e luta para alcançar melhor posição e melhor lugar.
O mar, cortado por possantes máquinas de guerra, nada tem dos inofensivos navios à vela que enriqueciam as nações com os seus descobrimentos.
A locomotiva avança desbravando campinas e derrubando, com seus possantes braços de ferro, matas, outrora habitadas por criaturas simples e ingênuas.
Os aeroplanos cortam os ares, levando no seu bojo a morte às cidades descobertas, na ânsia incontida das conquistas.
Todo esse progresso,, que serviria para a solidariedade universal, serve para, com maior facilidade, levar o extermínio  e a morte.
Pobres dos que lhes ficam aos pés!
Gemem e sofrem no extentor de uma agonia lenta.
Ilusão! Perdeste-tena voragem do progresso”.

Completando a homenagem nesta memória, aos intelectuais do nosso tempo, publicamos a seguir, versos de Augusto Galvão e Artur Brasiliense Maia.


MORS


(Augusto Galvão)
        “Álbum de Garanhuns” – 1922/1923

Antigo absurdo acreditar que a morte
Tudo oblitera do mortal vivente;
O corpo, decomposto lentamente.
E o pensamento, à míngua de suporte.
   
    Esse acabar, esse último transporte,
    Agonia e terror de tanta gente.
    Não é mais que o volver de um pego, ao ante.
    Livre dos laços da terrena sorte.

Si a matéria corpórea, trasmutada,
Ora vive, ora morre, dissociada,
Sublimando-se em mil combinações.

    O princípio pensante, o ser oriundo
    Da eterna essência do Criador do mundo,
     Não sofre morte nem transmutações.
       
        
SAPO . . . 

(Artur Brasiliense  Maia) – 1922/1923

Sapo! Triste batrachiol Irmão gêmeo do Poeta
Que anceia, sem poder, chegar à Eternidade,
Tu vives, como eu vivo, ó alma exul de Asceta,
Ferido pela vil e fátua humanidade!

Talvez, como eu, quem sabe? A palavra que vegeta
Aspires ser, ou flor, ou astro, ou divindade...
Almejarás, talvez, desdenhado Propheta,
Á Estancia azul voar em busca da Bondade.

Mas . . .  ah! Seja qual for o esforço despendido,
Jamais conseguirás fazer-te compreendido,
O´ ser que não tem ser! Innocuo Sonhador!

E’s a imagem fiel da lama forte do Poeta,
A sofrer, sem revolta, a Amargura secreta,
Na expressão de quem frue as delicias do Amor!

              
MEU IDÉAL 

(Artur Brasiliense Maia)

Meu ideal, o meu supremo anhelo
O sonho de minha alma alcandorada,
Que me torna feliz e desgraçado,
Que faz o meu enlevo e o meu flagelo;

    É um não sei que de puro e de singelo.
    Um desejar febril, alucinado,
    De ver alguém, alguém por mim, sonhado,
     Mas um alguém imensamente belo.

Alguém, anjo talvez . . . visão formosa
Alva, loura, franzina e vaporosa
Como as ondinas leves e dolentes.

Esse Alguém que minha alma assim deseja
    Oh . . . na terra não vive, porque adeja
    Abroquelado em laços transparentes!
           Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo de Alfredo Vieira". Mantida a grafia da época).
   

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