sexta-feira, 1 de agosto de 2014

GARANHUNS E SEUS APELIDOS

Avenida Santo Antônio - Foto de Massillon Falcão
Aurélio Buarque de Holanda, no seu magnífico dicionário, última edição, ensina entre as várias definições do vocábulo “apelido”, a designação de alguém ou alguma coisa.

Garanhuns, pela excelência do seu clima, de seus jardins, de sua situação geográfica, é chamada de “Princesa do Sertão”, “Petrópolis Pernambucana”, “Suíça do Nordeste”, “Suíça Pernambucana”, “Cidade Serrana", e mui recentemente, o lugar "Onde o Nordeste Garoa" baião de Onildo de Almeida, cantado pelo inconfundível Luís Gonzaga. “Terra dos amores perfeitos”, foi a designação feita pelo saudoso professor Jerônimo Gueiros, em estudo apresentado ao Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco, sob o título “Religiões Acatholicas em Pernambuco”, onde analisa o progresso do Presbiterianismo em Garanhuns e Canhotinho, com a chegada do Missionário Dr. George Butler, nos idos de 1883. 

A “Terra dos amores perfeitos”, bem se adapta à cidade que conheci nos bons tempos de minha adolescência. Realmente, o professor Gueiros tinha toda razão, pois nos seus jardins públicos e particulares, “os amores perfeitos”, eram cultivados e vicejavam com rara beleza e perfume.

Anísio Galvão, intelectual, poeta, advogado e filho ilustre de Garanhuns, já no Recife, escreveu para o “Almanaque de Garanhuns”, edição de 1930, de responsabilidade de Ildefonso Lopes e Thiago Veloso, um artigo sob o título “Para chegar a Garanhuns”. Nele entre outras coisas, exalta: As flores dos seus jardins e de suas colinas e também as flores artificiais do Santa Sofia – a página 31 do velho Almanaque está assim escrito:

PARA CHEGAR A GARANHUNS...

Para chegar a Garanhuns, sobe-se num elevador de 866 metros. 
Elevador puxado por uma locomotiva, que vai dizendo: “ CHÁ COM PÃO, BOLACHA NÃO... CHÁ COM PÃO, BOLACHA NÃO...”
Ao saltar na cidade, estamos cobertos de poeira e com os braços cansados de dar e redar o bilhete ao condutor, que, associado ao fiscal, o perfura vinte vezes.

Mas, cinco minutos depois, o recém-chegado sente-se outro: o ar é tão bom, a gente se vê tão leve, que nem parece ter viajado um dia inteiro e almoçado no vagon- restaurante.
É que Garanhuns possue um clima soberbo e quando tiver um grande hotel ( Eu quero ser sócio propagandista, com direito à metade dos lucros, do primeiro grande hotel que se fundar ali ) parecerá, de todo, uma cidade europeia.

Garanhuns – vista do Monte Sinai, é um moinho de azas abertas à espera de grãos para moer. E o moinho mói os grãos que o trabalho dos seus filhos semeia.
Antigamente, havia ali uma árvore chamada POLÍTICA DE ALDEIA, que produzia uns fructos sangrentos e venenosos denominados – HECATOMBES. Arrancaram troncos e raízes e hoje o povo cultiva, café, cultiva cana, cultiva mandioca e cultiva trigo.
E que flores lindas há em Garanhuns, as flores lindas dos seus jardins e de suas colinas e as flores artificiais do Santa Sofia!

Que fazendas de café bonitas e que estradas vermelhas, gritando que a terra é boa! E como têm saudade dos tempos de outrora, os almocreves que monopolizavam a condução de rapaduras, nas costas dos cavallos, para toda parte!
Rapadura de PREMÊRA!... Rapadura do granhum... (Escrevo GRANHUN com g pequeno para não ser passadista...)
Hoje, as ruas estão cheias de autos caminhões. Até um avião já appareceu por lá.
Mas, as iniciativas dos antigos não se perderam.
Quando Simôa Gomes d’Azevedo, prevendo a grandeza futura do local, doou o terreno às Almas, transmitiu, em segredo, uma ordem aos escravos. Estes foram para ao Recife, para Alagoas, para Papacaça e voltaram com enormes comboios.
Eram malas e malas de frio que despejaram entre os morros.

E, desde então, uma determinação, que vem sendo fielmente cumprida, prohibiu a exportação do frio. Garanhuns exporta café, exporta objectos de couro, exporta farinha, exporta rapadura, mas, o frio é só para consumo da população.
Ah! Quem me dera algumas grammas do frio de Garanhuns calorão desadorado do Recife! (Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo, de Alfredo Vieira. Respeitamos a grafia da época, na transcrição).



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