quarta-feira, 27 de agosto de 2014

CASAS COMERCIAIS ANTIGAS DE GARANHUNS

 
  CID'S BAR do Sr. Alcides que funcionou na década de 1960 no térreo do Edifício Tomaz Maia, atualmente Edifício Centenário na Av. Santo Antonio. O Sr. Alcides é o de bigode no canto esquerdo da foto. Turma do Tiro de Guerra de 1944. Foto de Veralúcia Moura.

Estes nomes pitorescos de algumas casas comerciais do meu tempo, todas elas situadas na Rua de Santo Antônio, a principal de nossa cidade, e onde ficava o seu comércio de maior importância.

Efetivamente, a cidade crescia com o desenvolvimento do seu comércio, do movimento de suas “feiras livres” nos sábados, no centro e nas quartas-feiras, no Alto da Boa Vista, onde também começava a se iniciar um próspero comércio.

Vinham a Garanhuns, comerciantes das outras regiões, para se abastecerem no seu comércio de grosso e atacado. Fim da linha sul da Great Western, a cidade se desenvolvia na política cafeeira, ao lado também de outros produtos básicos, cujas firmas importadoras do Recife, mantinham as suas filiais, tais como Manuel Pedro Cunha & Cia, cujo sócio principal era o comerciante Fausto Lemos (primeiro prefeito da Revolução de 1930), Pinto Alves & Cia, grandes compradores de café, algodão e mamona, cuja chefia, no Recife, era exercida pelo Cônsul Mário Pena; José T. de Moura & Cia, também grandes compradores de algodão em pluma e em rama, cujo gerente era o Sr. Ary Barreto.

A produção agrícola do município, cujo principal produto o café, era reforçada por outros produtos dos municípios limítrofes que chegavam à cidade pelos vários meios de transporte da época, sobretudo os “carros de bois” e animais e o transporte coletivo ainda incipiente.

Rede bancária em evolução, comunicações mais rápidas com o Recife pelo Telégrafo Nacional e pelo “fonopólio” da Great Wester, tudo fazia de Garanhuns, um centro comercial por excelência, ao lado do seu desenvolvimento social e cultural em franco progresso.

O comércio em grosso, era espalhado pelas outras ruas. Na de Santo Antônio, predominava o comércio a varejo, com às suas lojas, sempre renovadas em seus estoques, pela presença frequente dos “viajantes” do Recife, cuja sede principal era o Hotel Familiar, de Dona Raquel Ferreira.

Lembramo-nos do “Chapim da Moda”, um armarinho moderno, localizado na antiga esquina da Avenida 13 de Maio, com a Rua Santo Antônio. O seu proprietário, Adolfo Simões, de nascimento alagoano, usava roupas impecáveis, em que predominava calças listradas cinzentas e paletó azul-marinho. Gravata sempre em harmonia com o conjunto. Parecia estar sempre pronto para alguma solenidade. O seu armarinho movimentava, de vez em quando, a cidade, sobretudo nas promoções que fazia nas proximidades do Carnaval, S. João e demais festas. Não faltava luz, gambiarras, música, anúncios em papéis multicoloridos. O Sr. Adolfo Simões era bem adiantado na promoção de sua casa comercial.

O nome “Chapim da Moda”, se devia à condição de também alí se vender sapatos elegantes, daí o espanholismo adotado no nome de sua casa comercial. O “Chapim da Moda”, não demorou muito tempo. Informava-se que o “ponto” fora negociado. De fato, algum tempo depois, com o alargamento da Avenida 13 de Maio, nova construção apareceu e alí foi instalada a “Farmácia Central”, do Sr. Carlos Guerra que, anos depois, passou ao Sr. Dorval Santos, irmão do Sr. Péricles Santos, dono da Farmácia Osvaldo Cruz”, também na rua Santo Antônio; a “Farmácia dos Pobres”, de Godofredo Barros; o “Armazém Dilletieri”; a “Padaria e Mercearia Monteiro”, de Eurico Monteiro; o “Grande Armazém das 10 Portas”, antiga filial de Santos da Figueira, de propriedade do Sr. Bernardino Ferreira Guimarães – fazendas, secos e molhados. Um seu anúncio nos jornais da época, informava ainda: miudezas e perfumes nacionais e estrangeiros. O Sr. Bernardino, era português de nascimento e residia na rua do Recife, em confortável e moderna casa, com jardins bem cuidados. No seu quintal, havia um parreiral e árvores frutíferas. Usava, permanentemente, roupa branca com colete, e costumava receber sua freguesia com a habitual gentileza dos lusitanos de sua época, ostentando uma corrente de ouro e relógio, e o  seu emblema de “Marçon”. Era um dos líderes do comércio local.

 A “Atrativa”, situada na esquina da Rua S. José, de propriedade de José Faustino Costa, chamado também de Costinha; Morais e Cia; “Casa Ideal” de Severiano Ferreira de Moraes. O seu anúncio informava possuir “artigos da moda dos últimos figurinos franceses, recebidos das melhores praças  da Europa”,  “Brasil Chic”, de propriedade do português José Costa Leite, antigo dono da “A Portuguesa”. O Sr. Leite, como era conhecido na intimidade, era casado na família Tomás Maia e tinha numerosa prole. Entre os seus filhos, vieram a se destacar os jornalistas e escritores, Ronildo Maia Leite e Waldemir Maia Leite, este último também da Academia Pernambucana de Letras; a “Casa Jahú”, do Sr.  Horácio Vasconcelos, a “Casa Moderna”, de Correia, Caldas & Cia, sucessora de Francino Caldas; a “Alfaiataria Josaphat”, do Sr. Josaphat Pereira (cortado pelo sistema ledevéze); a “Casa Zaidan”, miudezas e perfumarias; a “Veneza Americana”, de Minervino Apolinário de Araújo; as Lojas Paulista, hoje Casas Pernambucanas. 

Dos nossos tempos ainda hoje, estão na rua Santo Antônio, o livreiro Manuel da Cruz Gouveia e a sua “Livraria Moderna”, a “ Sapataria Moderna” do Sr.  Manoel Paulo de Miranda, filho do antigo proprietário Antônio Paulo Miranda (fazia calçados sob medida), Ferreira Costa & Cia, ferragens, material sanitário e cutelarias.

Nas outras ruas ficavam os “Empório Comercial”, de Euclides Dourado & Irmão, na rua Dantas Barreto; a “Fábrica de Bebidas”, de Pedro Cavalcanti, na Rua S. Sebastião, a “Luzitana”, de Nery Guimarães & Cia., na Rua Joaquim Nabuco, onde também existia uma fábrica de beneficiar algodão.

Estas, eram entre muitas outras, as firmas líderes do comércio de Garanhuns.
(Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns do Meu Tempo" de Alfredo Vieira).

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