sexta-feira, 4 de julho de 2014

DOMINGUINHOS : “ Eu Frequentava Muito a Casa de Garrincha"




Cheguei no Rio em 54, o Maracanã tinha sido inaugurado em 50, né? Aí eu fui, até como um botafoguense, assistir ao Vasco e Flamengo. No Maracanã cabia umas 200 mil pessoas naquele tempo. Fui ver dois grandes times, Flamengo e Vasco.      Eu   lembro que foi um clássico extraordinário. Aí depois eu fui ver o Botafogo jogar com Garrincha. Aí, pronto, fiquei ali mesmo. 

Eu jogava num time de bairro em Nilópolis chamado Santos Futebol Clube. Eu corria muito, tinha bom equilíbrio, não caía a toa,  eu fazia muito gol de falta. Gostava de bater falta, batia bem. Geralmente era meio perigoso, não era força não, era colocado.
Aí o Mané conheci em 58. Eu tocava numa gafieira chamada “Seu Defeito”, em Bento Ribeiro. Tinha acabado a Copa; ele foi lá com a vedete da época, Angelita Martinez. Era uma mulher muito bonita. Foi com ele… Era um baile que tinha três, quatro vezes por semana, só. E só entrava preto. Acho que o mais clarinho era eu mesmo, mas o dono era Joel, um cara que trabalhava no cais do porto. Eles eram muito elegantes, chegavam arrumados e tal, aí tiravam o revólver, botavam lá na gaveta, iam dançar e se divertir. 

A gente tocava, no domingo era mais cedo. Quinta e sábado. Era um gafieira no subúrbio do Rio.
Ele foi lá ser homenageado. Ele olhou assim e disse: “Ei, o que você tá fazendo aqui?”. Eu digo: “Eu é que pergunto, meu amigo. Porque realmente você é que tá por fora”. Aí a gente já tinha amizade. Eu frequentava muito a casa dele com a Elza, na Rodrigo de Freitas. Uma mansão linda! Depois eles venderam essa casa e se mudaram pra Ilha do Governador. Aí ele já estava muito bichado também. O joelho tomou muita injeção. Naquela época os times brasileiros que tinham grandes craques jogavam muito lá fora, e o Botafogo só ia por causa dele.
A gente estava sempre juntos. Ele era uma pessoa muito educada, muito legal. Muito brincalhão, mas educado, não maltratava ninguém, não tinha cara feia, essas coisas, só vivia brincando. Não gostava de treinar. O futebol era mais artístico que tínhamos no Rio de Janeiro, jogadores assim de um quilate que a gente não vê hoje.

Naquela época tinha Didi, Quarentinha, Nilton Santos, Garrincha, Joel – que era um ponta do Flamengo –, Índio – que era um centroavante do Flamengo –, Rubens, que era meio gol quando ele batia falta…. Todos tinham jogadores, Ipojucan, Danilo, Barbosa, goleiro do Vasco. Manga no Botafogo. Rapaz, era um salseiro. Era coisa bonita de se ver esses caras jogando.

Trecho da entrevista realizada com o músico em São Paulo, no ano de  2011 

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